Um ministério com prazo de validade

João Bosco Rabello

18 Dezembro 2010 | 16h25

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PSB quer três pastas, mas seus deputados não têm Ciro Gomes “na cota” do partido. Foto: Wilson Pedrosa/AE – 06.10.2010

As disputas entre e dentro dos partidos aliados que retardam a composição do ministério Dilma Rousseff refletem não só a complexidade da base política que a elegeu, como projetam um governo de dificílima administração de interesses.

Dilma  governará com dois partidos principais – PMDB e PT – de uma aliança que seu mentor, o presidente Lula, não quis para si no primeiro mandato. Lula não queria ficar refém do partido amplamente majoritário, com poder de dar as cartas no Congresso.

Preferiu a cooptação das legendas menores, processo que está na origem do mensalão, que até hoje insiste em chamar de “tentativa de golpe”.

Hoje, impasses envolvendo PSB, PCdoB e PT  retardam o fechamento do ministério. Enquanto o PSB quer três pastas – seus deputados não têm Ciro Gomes “na cota” do partido -, o PCdoB não se conforma com a saída de Orlando Silva do ministério dos Esportes.

Já os petistas duelam pelas pastas do Desenvolvimento Social e Agrário – este último ocupado pelo critério da cota feminina.

Nada indica que as feridas abertas na guerra de cargos no ministério cicatrizem com seu anúncio formal.

O que, somado ao fato de que a autonomia de Dilma ficou restrita a uma cota pessoal, o torna um ministério com prazo de validade, sacudido aqui e ali por denúncias disparadas pelo chamado “fogo amigo”. Mais danoso ao governo do que a oposição pífia que se anuncia.