Um bota-fora com menu celestial

João Bosco Rabello

17 Dezembro 2010 | 03h00

O antropólogo Darcy Ribeiro dizia que o Senado é melhor que ir para o céu, porque se pode chegar lá sem precisar morrer. Darcy, que viveu ali o suficiente para chegar a essa conclusão, não contou como seria sair desse céu na Terra.

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Trufas brancas de Alba podem custar até cinco mil euros o quilo

Há 22 anos no Congresso, o senador Gerson Camata (PMDB-ES), que não conseguiu seu sexto mandato parlamentar consecutivo, descobriu que até a perda pode ser saborosa: seu bota-fora foi à base de trufas brancas de Alba – um menu, de fato, celestial.

Trata-se de uma das iguarias mais caras da gastronomia mundial: as trufas brancas de Alba, que podem custar até cinco mil euros o quilo.

As trufas brancas – ou “tartufos biancos” – são raras, aparecem uma vez por ano, no mês de outubro, na cidade de Alba, no norte da Itália.

Sem natureza definida, ficam entre a batata e o cogumelo, o fungo e o tubérculo. Em bom português, são cogumelos subterrâneos, que originariamente eram detectados pelos focinhos dos porcos. Atualmente, são localizados por cães farejadores treinados para isso.

O prato é uma das especialidades do requintado restaurante  Gero, do grupo Fasano, recém inaugurado em Brasília.

Na noite de segunda-feira, o know how do Gero foi transportado para a cozinha da mansão do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), onde se realizou o bota-fora do casal Camata – Gerson e Rita -, ela deputada que também não se reelegeu.

No cardápio, uma entrada como a “mini focaccia” com trufas e ovo frito sai a R$ 330. Um risoto como o saboreado ontem à noite custa R$ 470.

Além do anfitrião, do homenageado e muitos convidados, provaram da especiaria o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Demóstenes Torres (DEM-GO), entre outros.

Segundo Camata, a noite foi patrocinada por seu ex-suplente, o empresário do ramo de metais Luiz Oswaldo Pastore.