Quem precisa de psicanálise é o Presidente, para ajudá-lo na volta à planície

João Bosco Rabello

01 Dezembro 2010 | 18h35

Não se sabe qual o conceito de “evolução” do presidente Lula para chamar de retrógrado um repórter que lhe perguntou se estava no Maranhão agradecendo o apoio da oligarquia Sarney nas eleições presidenciais.

Mas a receita que sugeriu ao repórter é mais recomendável neste momento ao próprio Lula: um psicanalista que o ajude no processo de volta à planície.

Só uma fobia aguda pela saída do poder explica uma reação tão despropositada e de conteúdo tão desmerecedor: afinal, mesmo ao ser mais distraído não é dado desconhecer que a política dos velhos clãs está em extinção.

A pergunta do repórter Leonêncio Nossa, da Agência Estado, faz todo o sentido principalmente se lembrada a opinião do mesmo Lula há alguns anos sobre o aliado de hoje.

Dizia ele que Sarney representava o atraso e a corrupção. Hoje é sinônimo de evolução política.

Nada de mais: Lula disse o mesmo de Collor que  disse o mesmo de Sarney para se eleger seu sucessor. Hoje estão todos juntos a pretexto da governabilidade.

Agora, difícil mesmo é saber onde está o preconceito que o presidente acusou na fala do repórter. Foi preciso que a governadora Roseana Sarney atalhasse para colocar-se como alvo por ser mulher.

Ora, ora, então ficamos assim: qualquer crítica debita-se à conta de um preconceito – qualquer um, mesmo que não se possa identificá-lo – e está resolvido o problema.

Ainda que alguns “preconceitos” tenham acabado na polícia ou no Judiciário. Ou em ambos.