Previdência e SAE, os patinhos feios da bolsa ministerial

João Bosco Rabello

04 Dezembro 2010 | 19h16

Ninguém quer o Ministério da Previdência, que um dia foi a menina dos olhos do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR)que, em 2005,  deixou a pasta sob uma avalanche de denúncias.

Cinco anos depois, a pasta transformou-se num vespeiro. Num dos cenários traçados por Dilma Rousseff, seria entregue ao PP para compensar a perda do Ministério das Cidades para o PMDB.  “Francisco Dornelles daria um ótimo ministro da Previdência”, opinou um petista.

Oferecida ao PMDB, para compensar a perda da Integração Nacional para o PSB, este desdenhou. “O ministro vira saco de pancadas dos aposentados”, reclamou um peemedebista. Agora, entretanto, cogita aceitá-la, vendo como prêmio de consolação a Secretaria de Previdência Complementar.  

A Secretaria de Assuntos Estratégicos, uma das muitas com status de ministério no governo Lula, também virou prêmio de consolação para abrigar Moreira Franco, indicado pelo presidente do PMDB e vice-presidente eleito, Michel Temer, sem aval do partido. Franco entra no overno Dilma como cota pessoal de Temer.

Mas ele não quer a SAE, quer algo mais consistente, na linha do ex-presidente da Câmara, Severino Cavalcante, que só aceitava a diretoria da Petrobrás que furasse poço de petróleo.

O problema não é o ministério, mas a força política de quem o ocupa. Mangabeira Unger, estimulado por Lula, usava a Pasta para meter o bedelho em todas as áreas do governo, irritando ministros, num processo que culminou com a saída de Marina Silva do ministério do Meio-Ambiente depois que o zoneamento ecológico foi entregue a ele.

Dificilmente Moreira repetiria essa desenvoltura de Mangabeira e também não lhe interessa isso. Ele deixou a Caixa Econômica Federal para integrar-se à campanha de Dilma, a pedido de Temer,  com quem fez uma dobradinha na tarefa de percorrer as bases e organizar o apoio à presidente eleita.

Agora, quer retornar ao governo e numa posição, pelo menos, comparável à anterior, o que se traduziria na presidencia de uma estatal. Mas a luta pelos cargos está tão forte que é possível que ele acabe na SAE mesmo.