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Petrobrás vira assombração

João Bosco Rabello

22 agosto 2014 | 18:28

Em circunstâncias normais, ou seja, em tempos não eleitorais, seria insustentável a situação da presidente da Petrobras, Graça Foster, mantida no cargo apesar das sucessivas irregularidades que comprometem a imagem e o vigor financeiro da empresa.

Ato falho ou argumento necessário ao convencimento dos ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), quem fez o raciocínio foi ninguém menos que o defensor da Foster, o ministro Luís Inácio Adams, da Advocacia Geral da União.

Adams condicionou a permanência de Foster no cargo ao não bloqueio de seus bens, o que irritou a presidente Dilma Rousseff. O fez como forma de agravar a decisão iminente do tribunal de inserir a presidente da estatal no rol de diretores e ex-diretores que tiveram seus bens bloqueados.

O que vai se tornando nítido é que a estratégia do governo de atribuir à oposição motivação eleitoral para atacar a Petrobras não se sustenta mais. Os sucessivos problemas que assombram a empresa continuam sendo produzidos em seu âmbito ou no do governo, o que desmoraliza o argumento.

A começar pelo ato presidencial que deu origem à desconfiança de que sobre a operação comercial de Pasadena não pairavam apenas suspeitas de um mau negócio. Ao decidir por uma linha de defesa prévia e pessoal, Dilma acusou a diretoria de sonegar informações ao Conselho para aprovar a compra da refinaria.

Nessa linha, o TCU optou por responsabilizar a diretoria da empresa, o que alcança agora a presidente Graça Foster, para infelicidade de Dilma, que a alçou ao posto com o objetivo de romper o ciclo de mando de petistas nomeados na gestão Lula – da qual, diga-se, foi a ministra do Gabinete Civil.

A aparente coerência em desmontar o comando da Petrobras da gestão anterior, que não via com bons olhos, deixa em aberto, porém, a leitura de que Dilma engoliu personagens como o ex-presidente Sérgio Gabrielli, Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró por serem nomes do ex-presidente Lula.

A questão a esclarecer é se Dilma como ministra já suspeitava de seus malfeitos, que só veio a condenar seis anos depois, então presidente da República. Nessa hipótese, a melhor para a presidente, não terá conseguido persuadir seu antecessor dos riscos embutidos na decisão de manter uma diretoria da qual se podia suspeitar.

Se sequer desconfiava, o empenho de Dilma para fazer de Foster presidente da empresa teria sido apenas por amizade. Não é para crer: Foster é funcionária de carreira e com currículo para o posto, mas acabou envolvida num enredo cuja origem parece, a cada dia, apontar para a tolerância com um comportamento, no mínimo, negligente, de diretores da confiança do ex-presidente Lula.

A Petrobras é um fantasma a assustar a candidatura de Dilma na fase dos debates da campanha. Se escapou de enfrentar o tema na entrevista ao Jornal Nacional, não é provável que seja poupada pelos advers