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Maia poderá ser relator da CPI mista da Petrobrás

João Bosco Rabello

domingo 25/05/14

A CPI mista da Petrobrás, como sua análoga no Senado, parece destinada a cair no vazio, embora por razões diversas. Como se sabe, a do Senado,  desqualificada por uma maioria governista que a transformou em um “clube de amigos”, está desmoralizada pela caracterização de chapa-branca. Já a mista, que envolve a Câmara e que reduz […]

A CPI mista da Petrobrás, como sua análoga no Senado, parece destinada a cair no vazio, embora por razões diversas. Como se sabe, a do Senado,  desqualificada por uma maioria governista que a transformou em um “clube de amigos”, está desmoralizada pela caracterização de chapa-branca.

Já a mista, que envolve a Câmara e que reduz significativamente o poder de controle do governo sobre as investigações, tem contra sua eficácia o tempo – será instalada a duas semanas do início da Copa e, ao final desta, enfrentará o recesso parlamentar ampliado pela campanha eleitoral.

Mesmo assim, o governo não quer correr riscos e já elabora a lista de parlamentares de fidelidade indiscutível para integrar a comissão, a começar pelo relator, que deverá ser o ex-presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). Faz sentido: além da oposição, o governo tem uma base aliada instável, capaz de criar problemas.

Apontando como provável relator, Maia recebeu na legislatura passada, uma missão parecida do partido: blindar o governo na CPI aberta para investigar o caos no sistema aéreo brasileiro, apelidada de “CPI do Apagão Aéreo”.

Em 2007, ele apresentou um relatório final concluindo que os dois maiores acidentes da aviação brasileira não tinham causas comuns, vinculadas à precariedade do sistema e à negligência da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac).

Na época, o petista não sugeriu o indiciamento de diretores da Anac e não cobrou a  responsabilidade do órgão. Deixou de fora Denise Abreu, ex-diretora da agência, ligada ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, preso desde novembro do ano passado , como mentor do mensalão.

Seu desempenho lhe valeu o apoio para chegar à vice-presidência da Câmara, em 2009, de onde chegou ao principal cargo da Casa.

Outro parlamentar petista,  vice-líder do partido na Câmara, Sibá Machado (AC), também está na lista. É considerado pelos colegas como um dos mais fiéis ao Palácio do Planalto e escalado frequentemente para enfrentar votações impopulares para o governo, como a do piso salarial dos agentes comunitários de saúde,  cuja sessão ajudou a derrubar.

Iriny Lopes (PT-ES), Secretaria de Políticas para as Mulheres, e Afonso Florence (PT-BA), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, são mais dois selecionados para compor a comissão e atuar na blindagem do governo.