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DEM adia o inevitável

João Bosco Rabello

01 dezembro 2009 | 20:03

O senador José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado, vocalizou pelo YouTube o descontentamento de uma banda do partido que defendia a expulsão sumária do governador José Roberto Arruda.  Maia disse que vai ser uma espera inútil e desgastante porque não há outro horizonte que não a expulsão.

Foi o presidente da legenda, Rodrigo Maia (RJ), quem liderou o adiamento em favor de Arruda, na contramão de quase todos os participantes da reunião.   Justificou com o risco de uma reação jurídica de Arruda alegando cerceamento de defesa.

Ora, a defesa que menos preocupa Arruda agora é a que deve ao partido. Além disso, o estatuto do partido prevê rito sumário em casos graves.  Como é o caso, a decisão de hoje é para ganhar tempo na esperança de que se construa uma saída jurídica para o governador.

Mas a questão é outra:  Arruda vive a situação que o falecido ministro Leitão de Abreu chamava de “perda da autoridade”, ou seja, é um chefe de Executivo que corre o risco de ter suas ordens desobedecidas – ativa ou passivamente. Por funcionários ou pela população. Ou por ambos.

Leitão chegou a municiar com essa doutrina  interlocutores do então presidente Fernando Collor de Mello que tentavam convencê-lo a renunciar diante da iminência do impeachment.

No caso do DF, a situação é mais grave. A perda de autoridade a que se referia Leitão de Abreu é extensiva, hoje, ao vice-governador e a toda a linha sucessória: o presidente da Câmara e, mesmo,  o do Tribunal de Justiça, todos atingidos pelas denúncias.