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Crise na base desafia unidade na campanha da reeleição

Bianca Pinto Lima

sexta-feira 17/01/14

Não é só a economia – que tem seus índices crescentemente piores – que preocupa o governo com vistas às eleições de outubro. O reflexo do desgaste do PMDB com o Planalto nas eleições regionais , com efeito na campanha de reeleição de Dilma, é dissimulada com a versão de voracidade do partido por mais […]

Não é só a economia – que tem seus índices crescentemente piores – que preocupa o governo com vistas às eleições de outubro. O reflexo do desgaste do PMDB com o Planalto nas eleições regionais , com efeito na campanha de reeleição de Dilma, é dissimulada com a versão de voracidade do partido por mais ministérios.

O pano de fundo da insatisfação do PMDB, no entanto, são as condições mais competitivas dadas pelo governo ao PT, contemplado com pastas ministeriais bem mais influentes no processo eleitoral, e com a primazia do partido na presença da presidente nos palanques país afora. No que depende do governo, o PMDB se sente inferiorizado na disputa eleitoral geral.

A presidente Dilma, segundo se fala nos bastidores, vai tentar abrandar a situação abrindo mais espaço ao PMDB na estrutura governamental, mas sem aumentar sua cota ministerial. É pouco, mas pode reduzir as tensões se o partido comandar efetivamente órgãos capazes de inflar seu prestígio político junto a aliados e a financiadores de campanhas.

O governo trabalha para dissipar o clima que pode levá-lo à perda de apoio em regiões estratégicas na campanha, numa espécie de “cristianização”, promovida pelo PMDB, cuja máquina nacional ainda é a maior e de sólido poder de retaliação. Considerando a vulnerabilidade da candidatura oficial à piora da economia e à estagnação da presidente nos 43% de apoio -, processo do gênero poderá ter consequência fatal.

A deterioração da economia é real e gradativa e o governo já traiu suas preocupações com os efeitos desse quadro no cotidiano do eleitor mais de uma vez. Seu partido, expôs o temor com um segundo turno cada vez mais provável, ao desancar em sua página oficial o governador Eduardo Campos, a quem atribui o fim da perspectiva de vitória no primeiro turno.

No cenário mais amplo que inclui a conquista do governo de São Paulo, as razões para pessimismo ainda se mantêm. O ex-presidente Lula, patrocinador da candidatura do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, continua decepcionado com o fraco desempenho político do prefeito Fernando Haddad, cuja gestão passa a ser referência negativa para quem acreditou no discurso do “novo” , que pretende estender a Padilha.

Mesmo com um cenário de cinco candidatos se desenhando, Alckmin continua favorito na disputa, embora esteja garantido um segundo turno e muitas dificuldades. Padilha parece não ter decolado na altura que esperava o ex-presidente, nesse estágio preliminar do jogo, mesmo depois de sua intensa mobilização pelo candidato do governo federal.

A Copa do Mundo, em princípio, é um ativo eleitoral importante para o governo, mas os riscos de problemas com mobilidade urbana e violência são ainda muito altos e podem reduzir o poder ufanista do torneio, sempre unificador. Passagens caras, trânsito infernal, aeroportos inconclusos, serviços urbanos abaixo da exigência mínima, podem contaminar a eleição, pela afetação do humor do eleitor.

São, portanto, acima do desejável, as apreensões do governo, em 2014. Vão da economia às alianças regionais, passando pela administração da crise entre os partidos de sua base de sustentação e chegando aos riscos de uma Copa que aumentará a população das grandes cidades, desafiando a capacidade de gestão de um sistema já saturado.