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Censura pró-Sarney e PMDB alimentam oposição do PT

Bianca Pinto Lima

segunda-feira 02/09/13

A chamada pré-campanha, etapa de consolidação das alianças com vistas às eleições estaduais, acirrou ainda mais os ânimos no PT, já exaltados em razão da eleição interna que deve reconduzir Rui Falcão à presidência do partido, com apoio de Lula. O espaço conquistado pelo PMDB na base do governo é o mote dos que se […]

A chamada pré-campanha, etapa de consolidação das alianças com vistas às eleições estaduais, acirrou ainda mais os ânimos no PT, já exaltados em razão da eleição interna que deve reconduzir Rui Falcão à presidência do partido, com apoio de Lula. O espaço conquistado pelo PMDB na base do governo é o mote dos que se opõem a Falcão.

Como exemplo de submissão ao PMDB, os partidários da eleição do deputado Paulo Teixeira (SP), da corrente Mensagem, elegeram recente episódio de censura imposta por Falcão à propaganda do partido no Maranhão, em que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) –  o pior do país -, é atribuído às sucessivas gestões da família Sarney.

Secretário-geral do partido, Teixeira defende que a aliança com o PMDB seja repactuada em termos menos fisiológicos e mais qualificados. Ele prega a reaproximação com legendas historicamente mais identificadas com o partido, como PC do B, PDT e PSB – este último, na esperança de ainda evitar a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o que parece remoto.

“Eu não defendo o rompimento com o PMDB, mas critico essa aliança sem qualificação nem debate programático”, explica. “Qual o projeto do PMDB para o País?”, cobra, sem esclarecer qual o do PT.

“Não sou a favor de romper com o PMDB, mas sou contra obedecermos a todos os desmandos dos conservadores”, disse a este blog.

Na base de suas queixas estão palanques já em formação com o PMDB, costurados pelo presidente Rui Falcão, e pelo ministro da Eduação, Aloízio Mercadante, apontado como futuro coordenador da campanha à reeleição de Dilma Rousseff.

Nesse contexto, evoluem as conversas com o PMDB para reeditar alianças com velhos oligarcas locais, como Jader Barbalho no Pará e José Sarney no Maranhão. Uma ala minoritária do PT, que tem a Mensagem como expoente, prefere lançar candidato próprio no Pará – o deputado Cláudio Puty – e marchar com o presidente da Embratur, Flávio Dino (PCdoB), no Maranhão.

Teixeira avalia que a união com o PMDB impediu o governo de conduzir a tão clamada reforma política, antecipando-se às manifestações de rua, embora estas tenham se caracterizado pela cobrança de serviços e pelo fim da impunidade. Mas  ele acha que essa e outras iniciativas poderiam ter poupado o partido das reações populares.

É nesse contexto que Teixeira ataca o que considera “gestão centralizadora” praticada por Falcão, que restringe o diálogo e alija a militância de decisões partidárias, e que ele responsabiliza pelo mensalão. 

“O Campo Majoritário foi responsável pela crise de 2005 e ele está voltando. Existe o perigo do PT voltar a ser o que era”, afirma, sobre a  reeleição de Falcão.

O grupo que apoia a reeleição de Falcão é encabeçado pelo ex-presidente Lulalva, e reune as correntes majoritárias Construindo Um Novo Brasil (ex-Campo Majoritário), Novos Rumos, PT de Lutas e de Massa e Movimento PT.

O Campo Majoritário foi extinto em 2005, quando eclodiram as denúncias do mensalão, que atingiram os expoentes daquela corrente: o então ministro José Dirceu, o então presidente do PT, José Genoino, o ex-secretário-geral Sílvio Pereira e o ex-tesoureiro Delúbio Soares.

Naquele ano, Genoíno afastou-se da presidência e o comando do partido foi entregue ao então ministro Tarso Genro, representante da Mensagem. Foi quando a corrente de Paulo Teixeira comandou o PT. Depois, perdeu a eleição interna para Ricardo Berzoini.

Na eleição seguinte, em 2010, o então deputado José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça, também disputou a presidência da sigla, representando a Mensagem, mas foi derrotado por José Eduardo Dutra.