Cardozo desmente reunião com UTC

João Bosco Rabello

23 Fevereiro 2015 | 18h24

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse a este blog que nunca manteve reunião formal com advogados da UTC, do empresário Ricardo Pessoa, menos ainda tratou da delação premiada ou de qualquer aspecto da operação Lava Jato.

Cardozo  explica que a única reunião que teve foi com representantes da Odebrecht, agendada formalmente a pedido da área jurídica da empresa.  Em pauta, segundo o ministro, dois aspectos das investigações. O primeiro, quanto à tramitação legal dos pedidos de informações e documentos a países sedes de bancos depositários de recursos ilegais lá depositados.

O segundo, quanto à queixa dos representantes da empresa de pouco ou nenhum empenho da Polícia Federal na apuração dos vazamentos de depoimentos feitos sob o sigilo de justiça. Em ambos os casos disse o ministro ter  adotado a cautela de informar aos interlocutores que receberia seus relatos com os “rigores formais”.

Segundo Cardozo, esse rigor resultou na elaboração de duas representações – uma encaminhada ao Ministério Público para esclarecimentos sobre a tramitação dos pedidos de colaboração com outros países; outra para ele mesmo sobre a suposta negligência da PF na apuração dos vazamentos.

Cardozo deu essas explicações a propósito de nota publicada aqui a respeito de informação atribuída pela revista Veja ao empresário Ricardo Pessoa, segundo a qual ele teria tomado a iniciativa de sugerir aos advogados da UTC que evitassem a delação premiada do empresário.

Essa informação inverte a iniciativa da suposta conversa em que o ministro teria desaconselhado a delação premiada pela qual se inclina o empresário e que produziu pressões sobre o PT, o ex-presidente Lula e sobre o governo.

O ministro diz que, desde as primeiras notícias sobre a reunião com a Odebrecht existe uma “confusão fática”  – formal e de conteúdo. Segundo ele, não houve duas reuniões, mas apenas uma – com a Odebrecht e a pedido dela, onde se tratou dos temas já mencionados.

Ainda de acordo com o ministro, um  rápido encontro na sua antessala com o advogado Sérgio Renault produziu a versão de uma reunião formal para tratar da operação Lava Jato, na qual, teria desaconselhado a delação premiada do cliente de seu interlocutor. “Na versão da revista, Pessoa vai de encontro a uma reunião que eu afirmo nunca ter existido”, disse o ministro.

Cardozo reafirmou que deixou sua sala com o advogado Sigmaringa Seixas e teve brevíssimo contato com Renault, em que nem caberia, pelo tempo e circunstância, a abordagem da investigação.  Renault, segundo o ministro, aguardava Sigmaringa para um almoço previamente combinado.

Fica o registro do esclarecimento de Cardozo, provocado por nota anterior deste blog.