Cachoeira repete silêncio da CPI dos Bingos

Andrea Vianna

22 Maio 2012 | 12h32

O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlos Cachoeira, não fará hoje sua estreia em comissões parlamentares de inquérito no depoimento programado para 14 horas. Em julho de 2005, ele depôs à CPI dos Bingos instaurada pelo Senado para investigar a relação das casas de jogos com o crime organizado.

A investigação foi deflagrada após a divulgação pela imprensa, em fevereiro de 2004, de uma fita gravada pelo próprio Cachoeira em que o então assessor parlamentar da Casa Civil, Waldomiro Diniz, aparecia pedindo propina para campanhas eleitorais do PT e para ele próprio. A fita havia sido gravada em 2002, quando Diniz era presidente da Loteria do Rio de Janeiro (Loterj). As imagens deflagraram a primeira crise política do governo Lula e culminariam na demissão do então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.

O depoimento de Cachoeira aos senadores da CPI dos Bingos foi sucinto e evasivo e não contribuiu para as investigações. Para o depoimento de hoje na CPI que investiga as relações do contraventor com políticos e a empreiteira Delta, a expectativa é ainda menor. A defesa dele já avisou que ele permanecerá calado, embora os integrantes da comissão tenham se municiado com mais de 150 perguntas.

Em 2005, Cachoeira se restringiu a comentários breves sobre suas atividades na exploração de loterias e a reafirmar os depoimentos que havia prestado ao Ministério Público. Disse aos senadores que sua meta era implantar em todos os estados um sistema de controle de loterias, videoloterias e apostas online, caso este modelo fosse legalizado. Afirmou que procurou a Gtech – multinacional que havia sido contratada pelo governo federal para explorar as loterias da Caixa Econômica Federal – para fechar parcerias no âmbito estadual. E defendeu a legalização dos jogos no Brasil.

Quando gravou o pedido de propina de Waldomiro, Cachoeira era sócio da Gerplan, concessionária que explorava a extinta Loteria do Estado de Goiás (LEG), tinha negócios no Paraná e queria entrar no Rio de Janeiro. No desenrolar das investigações, a CPI apurou que ele também operava para a Gtech, e tentava obter junto a Waldomiro – já na Casa Civil – a garantia de renovação do contrato com a Caixa junto ao governo federal.

Na época, Cachoeira havia firmado pacto de delação premiada com o Ministério Público Federal, que em troca lhe ofereceu perdão judicial. O contraventor também é réu em três ações penais, movidas pelo Ministério Público Estadual no Rio de Janeiro, em Goiás e no Mato Grosso.