1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Quem Faz

JOÃO BOSCO RABELLO está no jornalismo político desde 1977, em Brasília, onde participou da cobertura do período que vai da abertura do regime militar à Assembléia Nacional Constituinte de 88, passando pela redemocratização, com a eleição e morte de Tancredo Neves, o primeiro governo civil, de José Sarney e os que o sucederam. Iniciou sua carreira em 1974, no extinto Diário de Notícias, no Rio de Janeiro (RJ). Transferiu-se para Brasília (DF), em 1977, onde alternou as funções de repórter político,coordenador, editor e diretor de sucursal, no Correio Braziliense, Empresa Brasileira de Notícias, O Globo, Jornal do Brasil e o Estado de S.Paulo (1990/2013), nessa ordem. É responsável também pelo conteúdo de análise política do serviço em tempo real Broadcast, da Agência Estado.
segunda-feira 02/03/15 18:35

De boca fechada

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, poderia mesmo ter evitado os adjetivos que empregou ao anunciar o fim das desonerações nas folhas de empresas, implantado no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Mas esse não é o ponto central do episódio.

O ministro poderia se limitar a anunciar o fim do ciclo de desonerações sem fazer juízo e valor, mas até para a justificativa indispensável a atos dessa natureza, precisa exercer a crítica. Se um programa é suspenso ou ...

Ler post
quinta-feira 26/02/15 20:00

Infiel depositário

Poucas vezes se terá visto episódio como o protagonizado pelo juiz Flávio Roberto de Souza, que se fez fiel depositário de bens por ele confiscados ao empresário Eike Batista. Um porsche, uma Land Rover e um  piano de cauda.

Notícia editada no que se denomina nas redações como editoria de Geral, que abrange assuntos diversos, o caso tem, no entanto, forte repercussão política, por ocorrer no momento em que o Poder Judiciário se afirma como instituição em busca de ...

Ler post
quinta-feira 26/02/15 15:26

O beco e o labirinto

Mais grave que a crise – moral, política e econômica -, vivida pelo país têm sido as reações verbais do ex-presidente Lula e de sua sucessora, Dilma Rousseff. Além de indicar desorientação do governo e de seu partido, o PT, ferem o senso comum e agridem a realidade, o que não ajuda a encontrar saídas para o apagão político e administrativo.

Lula recorre ao mesmo expediente que usou em 2005 para evitar um processo de impeachment, àquela altura legítimo ...

Ler post
quarta-feira 25/02/15 17:51

Sem retorno

O movimento mais recente do PMDB, cujo auge foi a eleição de Eduardo Cunha (RJ) para a presidência da Câmara, tem origem na convicção do partido de que governo e PT se empenhavam em uma estratégia para reduzir – para alguns, destruir -, o aliado de mais peso na base de sustentação.

Não foi, portanto, um movimento de medição de forças rotineiro dentro de uma aliança governista, mas uma reação motivada pelo instinto de sobrevivência, com base em uma constatação mais grave identificada como traição. A gota d’água foi a operação de recriação do PL, pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, para futura fusão com o PSD, produzindo um partido maior ou igual ao rival.

A entrega do ministério a Kassab, o mais estratégico para cooptações políticas, foi compreendida como parte dessa ofensiva contra o PMDB. Foi o coroamento de um tratamento hostil aplicado ao partido continuamente, por muitos anos dentro da aliança de governo. Do que é ostensiva a exclusão permanente do vice-presidente Michel Temer do núcleo decisório do governo.

Com o desgaste político da presidente Dilma Roussef e do seu partido, emparedados por uma crise polítca e econômica de difícil administração, é improvável que o PMDB recue dessa decisão de enfrentar o aliado formal ou se disponha a uma trégua que dê fôlego ao governo.

A crise econômica, ao se juntar a esse cenário, amplia as dificuldades de Dilma. O programa de ajuste fiscal conduzido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem no PT seu principal opositor, por atingir suas bases sociais, o que subtrai ao governo energia para costurar um acordo parlamentar pela aprovação das medidas recessivas.

Nesse momento, o PMDB diz com todas as letras que não será advogado solitário das medidas de Levy, pois já percebeu que o PT procura esquivar-se da defesa do pacote fiscal para que o ônus da impopularidade recaia sobre o partido. Essa forma de oposição que o PT procura desenhar em relação às medidas econômicas, acrescenta mais ao seu histórico de onerar o aliado.

Trocando em miúdos, o que o PMDB sinaliza é que não teve influência no processo decisório do governo que levou o país aos caos econômico e que não servirá de bode expiatório para equilibrar as contas, enquanto o rival instiga suas bases sociais para reagir ao ministro da Fazenda. Quem pariu Mateus que o embale, é a síntese peemedebista.

Não por acaso, o partido ressalta a exclusão do vice-presidente Michel Temer desse processo decisório, caracterizando o comportamento do PT como sectário nos tempos de vacas gordas e de cobrar fidelidade nos tempos de vacas magras. Pior, ainda mantendo a exclusão do vice-presidente e contemplando partidos da base de menor expressão com pastas mais bem aquinhoadas na estrutura ministerial, casos do PTB e do PP.

Os prazos conspiram contra a dissimulada busca de trégua por parte do PT, pois o ano de implantação das medidas recessivas é véspera das campanhas municipais e os efeitos do ajuste, que permitirão a retomada da política de benefícios sociais, só se farão sentir , com otimismo, em 2017.

Tem-se, pois, um quadro dramático para o governo e o PT. Não têm ainda a confiança do mercado, como mostra a nota de rebaixamento da Petrobras, e dependerá para tanto de um apoio mais incondicional do que tem dispensado ao ministro da Fazenda. O que o afasta de suas bases eleitorais. E não tem mais qualquer resquício de confiança entre os integrantes de sua base de sustentação, principalmente o PMDB.

O partido de Eduardo Cunha vai aprofundar o fosso em busca de independência que lhe devolva o poder impositivo histórico que o caracteriza como um partido sempre fiel de balança e credor da estabilidade de governos.

Os sinais são claros: é provável a aprovação da PEC da Bengala, que retira da presidente a indicação de cinco ministros do STF no curso de seu segundo mandato, a Câmara já firma posição antagônica à política externa que passa a mão na cabeça da ditadura venezuelana, o governo pede de joelhos que salvem o pacoter de Joaquim Levy – e, o PT, afunda lentamente na areia movediça do esquema de corrupção com o qual financia seu projeto de poder.

Há muito mais em curso, mas essas imagens ilustram bem a posição que o PMDB decidiu tomar em caráter definitivo. Aqui e ali pode agir para manter a estabilidade, mas de forma geral, o partido reage ao que entendeu ser uma estratégia para lhe colocar ladeira abaixo.

Ler post

segunda-feira 23/02/15 18:24

Cardozo desmente reunião com UTC

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse a este blog que nunca manteve reunião formal com advogados da UTC, do empresário Ricardo Pessoa, menos ainda tratou da delação premiada ou de qualquer aspecto da operação Lava Jato. Cardozo  explica que a única reunião que teve foi com representantes da Odebrecht, agendada formalmente a pedido da área jurídica da empresa.  Em pauta, segundo o ministro, dois aspectos das investigações. O primeiro, quanto à tramitação legal dos pedidos de informações e documentos ...

Ler post
segunda-feira 23/02/15 14:32

Versão de Pessoa desafia Cardozo

Uma nova informação, atribuída pela revista Veja a advogados do empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, está a exigir mais esclarecimentos do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre o encontro com representantes das empresas envolvidas na operação Lava Jato, inicialmente justificada como “visita institucional”.

Pela versão do ministro, ele limitou-se a receber advogados de executivos presos em Curitiba, que solicitaram audiência para e manifestar, entre outras preocupações, a que diz respeito à forma como os procuradores obtiveram documentos ...

Ler post
quarta-feira 18/02/15 18:32

De volta à realidade

A quarta-feira de cinzas marca o fim da folia e da trégua que representou para o governo o período da folia momesca. A tradição de esticar o feriado mais longo do ano reserva para a próxima semana o reencontro do Planalto com a difícil pauta política em que o ajuste fiscal é desafio gigantesco.

Mas desde já o governo prepara-se para a reunião da próxima terça-feira com os líderes de sua base política no Congresso, dividida entre a liderança ...

Ler post
quinta-feira 12/02/15 15:08

Realidade e fuga

Poucas manifestações refletem em tempos recentes o grau de dificuldades em que o PT se encontra , comoa recente declaração de seu presidente, Rui Falcão, dentro do script traçado para reagir ao cerco judicial, anunciando que processará o ex-diretor da Petrobras, Pedro Barusco, por calúnia e difamação. Ou algo nessa linha.

A promessa vem junto com outro velho recurso de estender as investigações da CPI da Câmara à gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pela menção de Barusco a ...

Ler post
terça-feira 10/02/15 17:16

Em busca da autoridade política

O governo prepara uma reação à queda nos índices de popularidade da presidente Dilma Rousseff, refletidos na recente pesquisa Datafolha, que registrou um abalo em todas as avaliações de desempenho. É um reconhecimento atrasado da realidade negada permanentemente.

Mas pelo que se noticia, o efeito positivo pode ser muito pequeno, já que a fórmula é a de demonstrar o compromisso com o combate à corrupção, uma ação baseada na premissa de que este depende do governo, como tentou fazer ...

Ler post