1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Quem Faz

JOÃO BOSCO RABELLO está no jornalismo político desde 1977, em Brasília, onde participou da cobertura do período que vai da abertura do regime militar à Assembléia Nacional Constituinte de 88, passando pela redemocratização, com a eleição e morte de Tancredo Neves, o primeiro governo civil, de José Sarney e os que o sucederam. Iniciou sua carreira em 1974, no extinto Diário de Notícias, no Rio de Janeiro (RJ). Transferiu-se para Brasília (DF), em 1977, onde alternou as funções de repórter político,coordenador, editor e diretor de sucursal, no Correio Braziliense, Empresa Brasileira de Notícias, O Globo, Jornal do Brasil e o Estado de S.Paulo (1990/2013), nessa ordem. É responsável também pelo conteúdo de análise política do serviço em tempo real Broadcast, da Agência Estado.
quarta-feira 28/01/15 15:56

Favoritismo é de Cunha

Salvo algum fato, hoje na órbita do imponderável, o candidato do PMDB à presidência da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), tem a vitória consolidada no próximo domingo, quando se realizam as eleições para os cargos do Legislativo. Se a eleição fosse hoje,  estaria eleito.

Nas contas do líder do PMDB, o apoio à sua candidatura já soma 330 votos. Seria mais uma conta de candidato, não fosse outra, de seus adversários, que lhe confere algo entre 270 a 280 votos, ...

Ler post
terça-feira 27/01/15 16:00

Dilema Levyano

Menos pela cobrança da oposição e mais para não sugerir falta de apoio à equipe econômica, e com isso fortalecer o assanhamento da própria base parlamentar, a presidente Dilma não deve tardar em assumir a defesa do programa econômico que começa a ser executado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

A reunião ministerial  na Granja do Torto rompe o silêncio da presidente porque impõe seu discurso de abertura do segundo mandato, mas não deveria ser um tópico dentro do ...

Ler post
quinta-feira 22/01/15 15:00

Congresso “pato manco”

Com a homologação da delação premiada de Alberto Yousseff pelo ministro Teori Zavascki, pode-se estabelecer como referência temporal para conhecimento da lista de parlamentares e autoridades com foro especial, o período imediatamente após o carnaval, na segunda quinzena de fevereiro.

A tramitação judicial dos inquéritos relativos a esses parlamentares é mais demorada, envolverá alguma complexidade por depender de evolução em outro Poder, o Legislativo, mas para efeito político, o conhecimento dos nomes já é suficiente para produzir consequências.

O quadro ...

Ler post
terça-feira 20/01/15 16:30

O apagão é a luz

Na história humana a verdade é associada à luz, seja no plano espiritual, seja no material. O melhor desinfetante é o sol, máxima de um século atrás, do juiz Louis Brandeis, da Suprema Corte americana, é a que indica a assepsia mais recomendável em estruturas viciadas, com problemas crônicos, onde se inserem a corrupção e o corporativismo, em alguma medida, sinônimos.

Porém, no caso do governo Dilma, considerando o que ocultou na campanha da reeleição, a verdade ironicamente se fez enxergar na escuridão. O apagão de ontem, por ordem do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sintetiza a má gestão do primeiro mandato presidencial que tem as outras más notícias no pacote recessivo anunciado em doses diárias pela nova equipe econômica.

 A frase do magistrado norte-americano se referia à necessidade de transparência do sistema financeiro que para ele anistiava os capitalistas causadores de crises e penalizava a classe média. A causa aqui se inverte, mas a receita a aplicar é a mesma, pois a população começa a pagar a conta de uma gestão que brigou com as regras capitalistas , perdeu a batalha, e agora emprega um discurso de autoanistia, terceirizando a culpa para o contexto internacional.

É o resultado de erros que vão desde um governo permanentemente em campanha, o que torna tabus temas como racionalização do consumo e estimula medidas populistas – como a redução forçada da conta de luz e tarifas administradas- à teimosia em um modelo econômico exatamente centrado no consumo.

Hoje emerge a realidade de inadimplência alta, crédito mais caro, conta de luz de custo dobrado em relação à redução anterior (de 20% reduzidos ontem se pagará hoje 40% a mais), restrições para direitos trabalhistas e para financiamento estudantil, gasolina e impostos mais altos – uma crise energética sem saída em curto prazo devido ao atraso no cronograma de obras das hidrelétricas e de linhas de transmissão.

Os bloqueios de ordem ideológica que respondem, em parte pelo atraso das obras no setor, também foram alimentados pelo partido do governo que estimula movimentos organizados em confronto com a política de desenvolvimento, como acusam operadoras do norte do Estado. Licenças ambientais demoram anos e quando saem sofrem contestação de grupos com liberdade de ação para boicotar, amparados, em muitos casos, pelo Judiciário.

Os especialistas advertiram seguidamente, pelo menos, desde 2012, para a necessidade de se adotar uma relação clara com a população sobre a necessidade de reeducação de consumo. Mas o governo, sempre em campanha, estava empenhado em fazer o contrário e mostrar que a redução da conta de energia era questão de vontade política que faltara à oposição quando no poder.

A gravidade da situação está demonstrada na forma do apagão de ontem. Ele foi determinado pelo ONS escancarando o desequilíbrio entre demanda e oferta que o governo não pode mais deixar de reconhecer. Quando era preciso uma campanha de racionalização, reduziu a conta estimulando o consumo (mais barato, mais usado), estourou os cofres das distribuidoras e agora faz o corte seletivo que não gera consumo consciente.

“O corte já era esperado com a queda do nível dos reservatórios e consumo maior que a oferta. Tinha de ser feita uma política de racionalização, com campanha de eficiência energética e de esclarecimento”, pontua a consultora para o setor, Elena Landau.

Não há como minimizar os efeitos. Em São Paulo, mais de 2 milhões de consumidores ficaram sem luz, produzindo cenas de metrôs parados subitamente e passageiros a pé, nos trilhos, onde rodam os trens. Foram afetados, nas mesmas proporções, a Capital da república, mais o Rio, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondônia e Amapá.

A frase do juiz mencionada anteriormente se aplica também ao sistema financeiro que a inspirou no contexto norte-americano de quase um século. A contabilidade criativa derrete como cera ao calor da erupção das contas públicas, cujo deterioramento foi sempre negado. O modelo “rudimentar” que a presidente Dilma resolveu substituir por um de sua própria lavra, exige agora antibiótico de largo espectro para revertê-lo.

 O atraso nas obras e as dificuldades econômicas não apontam saída estrutural em curto prazo, o que agrava a situação de um governo acuado e pobre em recursos técnicos, humanos e materiais – e ao qual, portanto, falta também luz para gerir a crise.

Ler post
terça-feira 13/01/15 14:00

Marta preserva seu patrimônio eleitoral

Desidratada do seu impacto inicial, a entrevista da senadora Marta Suplicy ao jornal O Estado de S.Paulo, estabelece nova projeção para a eleição municipal do ano que vem, acelerando possivelmente as providências do PT para resgatar algum viço eleitoral no maior colégio eleitoral do país.

O depoimento de Marta Suplicy à jornalista Eliane Cantanhede é extenso, mais crítico que autocrítico, se insere definitivamente como um dos mais históricos no cenário de crise do PT, mas sua motivação é o ...

Ler post
segunda-feira 12/01/15 15:00

Dissidência demolidora

A importância da entrevista da senadora Martha Suplicy à jornalista Eliane Cantanhêde, de O Estado de S.Paulo está na chancela que representa para conteúdos que, até aqui, tinham na informalidade sua fragilidade.

Marta fala como testemunha de uma trajetória decadente de um partido que pretendeu liderar um ciclo virtuoso na política e cuja ascensão ao poder o contaminou de tal forma que o levou a superar a “velha política” em todas as suas mais condenáveis práticas.

No que ...

Ler post
terça-feira 06/01/15 11:34

TSE, simples e objetivo

Ainda que tardia, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de pôr fim ao sigilo das contas bancárias dos partidos políticos indica um controle mais severo da movimentação financeira dessas legendas e uma diretriz da justiça eleitoral de fechar o cerco à corrupção política.

É nesse viés restritivo que reside a importância da ação do TSE, que já havia tomado outras providências para inviabilizar as doações ocultas, sobretudo fora da época de campanhas eleitorais. Identificados os depositantes das doações, tem-se ...

Ler post
segunda-feira 29/12/14 15:00

Ambiguidade metódica

As especulações em torno do ministério do segundo mandato, em sua menor parte já nomeado, ressuscita o tema da regulamentação da mídia, eufemismo que o PT utiliza para controlar conteúdos jornalísticos.

E o tema volta à tona mais uma vez condicionando o êxito do desejo obsessivo do PT ao perfil que vier a ocupar a Pasta das Comunicações, sem qualquer vínculo com um programa de governo para a área, ou de uma diretriz para a questão levantada pelo partido. Dessa forma, ...

Ler post
terça-feira 23/12/14 16:54

MP como bode expiatório

O anúncio, pela presidente Dilma Rousseff, de consulta ao Ministério Público para avalizar nomeações ministeriais, é um óbvio recurso para fugir à autoria de vetos a indicações dos partidos de sua base de sustentação no Congresso Nacional.

Como foi dito nesse espaço, um dia antes da entrevista presidencial, o veto a nomes de parlamentares envolvidos no escândalo de corrupção que sangra a maior empresa brasileira, é a primeira consequência da divulgação da relação feita pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo ...

Ler post