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Quem Faz

JOÃO BOSCO RABELLO está no jornalismo político desde 1977, em Brasília, onde participou da cobertura do período que vai da abertura do regime militar à Assembléia Nacional Constituinte de 88, passando pela redemocratização, com a eleição e morte de Tancredo Neves, o primeiro governo civil, de José Sarney e os que o sucederam. Iniciou sua carreira em 1974, no extinto Diário de Notícias, no Rio de Janeiro (RJ). Transferiu-se para Brasília (DF), em 1977, onde alternou as funções de repórter político,coordenador, editor e diretor de sucursal, no Correio Braziliense, Empresa Brasileira de Notícias, O Globo, Jornal do Brasil e o Estado de S.Paulo (1990/2013), nessa ordem. É responsável também pelo conteúdo de análise política do serviço em tempo real Broadcast, da Agência Estado.
quarta-feira 25/03/15 18:43

Tentação e risco

Foto: Gabriel Azevedo Ribeiro

A prevalecer a leitura de que a lei que impõe quarentena de cinco anos para fusões entre partidos, aprovada pela Câmara no início da legislatura, pode não se aplicar ao PL, que formalizou anteontem seu pedido de refundação, a presidente Dilma poderá ter ampliado seus problemas no Congresso.

Dilma só sancionou a lei ontem, depois que o PL deu entrada no seu pedido, indicando que esperou esse ato antes. Desconfia-se que o PL pode ficar de fora da restrição ...

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terça-feira 24/03/15 17:50

Desaparelhamento

Foto:Gabriel Azevedo Ribeiro

A emenda constitucional que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, cuida pessoalmente de fazer tramitar, reduzindo para 20 o número de ministérios, é um problema para a presidente Dilma Rousseff, mas para o PT, um golpe duríssimo, com poder para retirar do partido o combustível de sua militância e feri-lo de morte.

Sem mais o monopólio das ruas, protagonista de escândalos de corrupção em série, no comando de um governo que levou o país à recessão, o PT sofre ...

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sexta-feira 20/03/15 17:00

Bradesco tem interesse na BR Distribuidora

Desde ontem chama a atenção de políticos a informação de que o Bradesco, que faz o levantamento dos números da BR Distribuidora, manifestou interesse em comprar 49% da subsidiária da Petrobras, se um acordo de acionistas lhe garantir a gestão. A preocupação passa a ser com o fato de a instituição financeira encarregada de fazer o levantamento, dentro do plano da Petrobras de negociar ativos, ser também compradora, o que pode representar um conflito de interesses.  O lucro da BR, ano ...

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quinta-feira 19/03/15 17:11

Crise e oportunidade

A presidente Dilma Rousseff negou hoje fundamento às informações sobre uma reforma ministerial, atribuindo-as a especulações dos jornalistas, muito embora  o tema circule com desenvoltura no Congresso, principalmente na base aliada, mas também seja defendida por gente do governo.

Mas, pelo menos, duas nomeações parecem inevitáveis –  a de Cid Gomes, exonerado ontem da Educação, e do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social , Thomas Traumann, cuja análise reservada sobre o governo, vazada para a imprensa, exibiu  o conflito interno e  dificulta sua permanência no cargo.

O que se disse, a partir de então, é que essas mudanças, imprevistas até há pouco tempo, poderiam abrir oportunidade para uma reforma ministerial.

Com a articulação do Planalto sem resultados, passa a ser um luxo em momento de crise, ampliá-la, ao invés de mudá-la.  Ampliar pressupõe mais gente fazendo a mesma coisa, quando a hora é de otimizar recursos – não só materiais, mas humanos -, diante da necessidade de reequilibrar as forças da base na estrutura de governo.

Trocando em miúdos ,  a presidente precisa atender à demanda do PMDB, que não é exatamente por quantidade de pastas, mas de qualidade do ministério, caso da Integração Nacional, provável destino do ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves. Se a entrada dele no ministério é incontornável,  já se tem aí um terceiro nome na reforma negada.

O que parece mais distante é o remanejamento de cargos como especulado, com a troca na Casa Civil de Aloísio Mercadante por Jacques Wagner. Não faz muito sentido,  porque a função de articulação política pode ser distribuída – e exercida -, independentemente dos cargos ocupados por seus atores.

A pasta da Defesa não é exatamente adequada a uma alta  rotatividade de ministros. Recém-empossado, Wagner já participa da articulação política mesmo no cargo fora do Palácio.  Foi o que ocorreu quando procurou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para abrandar seu ânimo, exaltado desde o anúncio de sua inclusão na chamada Lista Janot, dos parlamentares investigados pelo Supremo Tribunal Federal na operação Lava Jato.

Menos traumático seria preservar Mercadante na Casa Civil, com a missão da função restrita a assuntos administrativos, delegando a outros a articulação política.  Afinal, a clássica receita política estabeleceu há muito tempo que o comando não está na cabeceira da mesa, mas onde senta quem o detém.

No governo Geisel, conta-se que instado a ocupar a cabeceira por um ministro que chegava para a reunião das nove, o presidente mostrou seu conceito de autoridade declinando da oferta. “A cabeceira é onde eu sentar”. Portanto, não importa de onde venha o raio, mas que ele venha.

Com essa lógica, a presidente pode reservar o ministério da Educação, em primeiro lugar, para alguém que o queira de fato, com vocação e biografia para dar alguma consistência, ou resquício de realidade, ao retumbante slogan “Pátria Educadora”, que inseriu no seu discurso de posse no Congresso Nacional.

Cid Gomes jamais quis ser ministro da Educação. Como o apóstolo Pedro, negou-o três vezes, por desejar  um cargo no exterior. Não sentia nem mesmo identificação e conhecimento da área na dimensão necessária para comandá-la. Estava ali para cumprir o papel de enfraquecer o PMDB, através do fortalecimento de legendas numericamente menores, do que é exemplo também o PSD no Ministério das Cidades, ocupado por Gilberto Kassab.

Em um cargo que não desejou e que assumiu por insistência da presidente, as razões para Cid Gomes se empenhar em uma reconstrução das pontes com a Câmara inexistiam. Sobretudo, porque a fragilidade política do governo já começa a assustar mesmo os que estão dentro do navio, para alguns já um “Titanic”, analogia do  senador Romero Jucá (PMDB-RR), que resiste à função de líder porque a compara a uma suíte de luxo no transatlântico histórico.

Com equipe medíocre – e aqui o termo vai empregado no sentido léxico restrito, de mediano -, não se enfrenta uma crise das proporções da que já se instalou no país. Não falta aos ministros chamados palacianos, conhecimento de causa, mas trânsito e dimensão política para exercerem o papel de articuladores junto ao Congresso. Como resta comprovado depois que ganharam a cobertura de colegas com biografia e receptividade bem maior no Legislativo, casos de Aldo Rebelo e Eliseu Padilha, entre outros.

Guardadas as proporções, no governo Collor, o presidente absorveu tardiamente essa lição e quando se dispôs a trocar o ministério medíocre que montara, já era tarde. Conseguiu, de fato, trazer para o governo notáveis como Marcílio Marques Moreira, para a Fazenda, e Célio Borja, para a Justiça, mas estes já aceitaram o convite com a antevisão de que assumiam como ministros de Estado e não de governo.

Ou seja, assumiram com a missão de dar estabilidade política e institucional na fase seguinte ao impeachment, cientes de que Collor não se sustentaria no cargo.

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quarta-feira 18/03/15 14:00

Para consumo interno

Documentos para consumo interno, quando escapam ao controle de seus consumidores, têm o mérito de desnudar a dissimulação política, comum a todos os governos, especialmente em períodos de crise e consequente perda de aprovação pela população.

É precisamente o que ocorre com o governo Dilma, como mostra documento interno obtido pelo jornal O Estado de S.Paulo, em que a Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto define o momento político como “caótico”, de difícil reversão, com a presidente ...

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terça-feira 17/03/15 14:00

Diálogo compulsório pelo ajuste fiscal

O ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, nega fundamento às notícias sobre uma reforma ministerial iminente, mas é provável que ela ocorra como sequência da anunciada disposição da presidente Dilma Rousseff de se abrir ao diálogo.

Feita com a coreografia própria da política, a disposição nova da presidente é compulsória, aspecto que trai durante a entrevista em que pede trégua para o ajuste fiscal, como na parte em que recusa admitir os erros do primeiro mandato, por não confundir entrevista ...

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sexta-feira 13/03/15 16:10

Economia, o limite da trégua

Foto Gabriel Azevedo Ribeiro

É claro o movimento do  Legislativo, abrangendo quase todo o espectro partidário, para desqualificar os inquéritos abertos a pedido da Procuradoria Geral da República contra parlamentares cujos nomes apareceram nas investigações da operação Lava Jato, por citações em depoimentos feitos sob  o regime da delação premiada. A alegada inconsistência de muitos desses pedidos de inquérito, sustentada informalmente por ministros e ex-ministros do próprio Supremo Tribunal Federal, abriu espaço para a acusação de politização do processo feita ao Procurador Rodrigo Janot pelo ...

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quarta-feira 11/03/15 14:15

Sob tutela

O clima de entendimento verificado ontem em torno de uma fórmula para o reajuste da tabela do Imposto de Renda, que projetava nova derrota do governo, indica um esforço para baixar a temperatura política, conduzido por agentes ainda não identificados que andaram nos últimos dias exercendo o papel político que a presidente Dilma Rousseff recusa.

Não é só decorrente esse esforço da “Lista Janot”, mas principalmente da compreensão de que sem o ajuste fiscal a crise se avoluma e ...

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terça-feira 10/03/15 15:19

De mal a pior

Um erro de forma e conteúdo, a fala da presidente da República em rede nacional de televisão evidencia, mais uma vez, a precariedade de sua articulação política, que já produz , aqui e ali, sugestões de uma reforma ministerial. O Dia da Mulher, usado como pretexto para a fala presidencial, aguçou a percepção de que o ajuste fiscal é constrangedor para a presidente. O tema, por si só, não justificaria a ida à televisão, por isso entra ...

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