Ao apagar das luzes, um “trenzinho” da alegria

João Bosco Rabello

16 Dezembro 2010 | 23h50

sarney_600.jpg

Senadores pediram ao presidente do Senado, José Sarney, que premiasse assessores. Foto: Pablo Valadares/AE – 05.09.2009

Discretamente e a poucos dias do fim da legislatura, o Senado aprovou um projeto de resolução na noite de quarta-feira criando um “trem da alegria” para sete privilegiados servidores comissionados que entraram sem concurso na Casa.

Com a medida, o grupo ingressa automaticamente no quadro de pessoal da Casa, com todos os direitos, inclusive a contagem do tempo de serviço para aposentadoria.

A iniciativa deveria favorecer 26 funcionários que recorreram por não terem sido beneficiados pela lei que garantiu a estabilidade funcional para os que já estavam no Senado, por pelo menos cinco anos, quando da promulgação da Constituição, em 1988.

A resolução, no entanto, só alcançou sete dos servidores. Em comum, os integrantes do grupo possuem padrinhos poderosos, como os senadores Mauro Fecury (PMDB-MA), Fernando Collor (PTB-AL), Valdir Raupp (PMDB-RO), Gerson Camata (PMDB-ES), Delcídio Amaral (PT-ES), Patrícia Saboya (PDT-CE) e de líderes do DEM.

A repórter Rosa Costa, do Estadão apurou que os senadores pediram ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que premiasse os assessores. Sarney, então, encomendou um parecer ao Tribunal de Contas da União (TCU). O ministro Raimundo Carreiro, ex-servidor do Senado e indicado para o tribunal pelo PMDB, manifestou-se favoravelmente ao trem da alegria.

Com o parecer na mão, Sarney levou o caso à Mesa Diretora. A intenção era obter uma chancela geral, mas os integrantes da direção recusaram apadrinhar a lista.

O impasse só acabou quando Sarney entregou o caso, pessoalmente, ao senador Gerson Camata (PMDB-ES), que aceitou tornar-se “maquinista” do trem, relatando a favor da concessão do benefício.