Aécio mantém o “garanto que talvez”, mas possibilidade de ser vice já não é desmentida

Aécio mantém o “garanto que talvez”, mas possibilidade de ser vice já não é desmentida

João Bosco Rabello

18 Maio 2010 | 14h37

aecio

Aceno de Aécio chega num momento especialmente importante para Serra. Foto: Wilton Júnior/AE

Não é a primeira vez que se anuncia uma revisão de planos do ex-governador Aécio Neves, que o levaria a vice de Serra. Mas a veemência do desmentido desapareceu a ponto de torná-lo quase burocrático, uma mera formalidade. E, mesmo assim, sem descartar a possibilidade.

Ou seja, é um desmentido para o momento, após a imprensa noticiar, em dias sucessivos, que Aécio emitiu sinais de desistir do Senado. O que mais chama a atenção, considerando-se a matreirice que caracteriza o político mineiro, é que essa fraca negativa não vem direto de Aécio, mas por intermediários.

Lembra muito uma conhecida história do encontro entre dois políticos mineiros no aeroporto, um chegando, outro saindo. “Para onde vai?” – pergunta o que desembarcou. “Para o Rio”, responde o outro. Despediram-se e o que ficou comentou com um interlocutor: “Ele disse que está indo pro Rio para eu pensar que ele vai prá Minas, mas ele vai pro Rio mesmo”.

São mentiras cor-de-rosa, como diz o poeta popular, que não chegam a configurar deslealdade política, mas simples administração do tempo. É o que continua a fazer Aécio, com um olho em Minas e outro na sucessão presidencial – necessariamente nessa ordem.

A este jornalista chegou o recado: “não é exatamente assim, não houve nada de novo que justificasse uma mudança de posição; ser vice não é novidade para Minas, no Senado ele acha que pode ser mais útil”, etc, etc, etc.

Mas, ao final, a volta da dubiedade: “Mas, também não estou dizendo que não possa acontecer mais na frente”, diz o intermediário de Aécio sobre a vice.

Pode ser que ele tenha dito um dia que disputaria o Senado para todos pensarem que ele queria ser vice, mas ele quer mesmo o Senado. E que agora esteja dizendo que pode ser Vice, sim, para que se pense que ele quer o Senado, que ele pode já não querer mais.

Ou seja, sobre político mineiro não se arrisca prognósticos definitivos. Eles exercem a arte da política com base naquilo que ela tem de  mais eficiente: o tempo.

Mas este já começa a ficar pouco e as “inconfidências” de interlocutores de Aécio podem merecer aquelas aspas que lhes tiram a casualidade.

O aceno de Aécio chega num momento especialmente importante para Serra, agora empatado nas pesquisas e precisando de iniciar um ciclo mais crítico em relação ao governo Lula.

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