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Quem Faz

JOÃO BOSCO RABELLO está no jornalismo político desde 1977, em Brasília, onde participou da cobertura do período que vai da abertura do regime militar à Assembléia Nacional Constituinte de 88, passando pela redemocratização, com a eleição e morte de Tancredo Neves, o primeiro governo civil, de José Sarney e os que o sucederam. Iniciou sua carreira em 1974, no extinto Diário de Notícias, no Rio de Janeiro (RJ). Transferiu-se para Brasília (DF), em 1977, onde alternou as funções de repórter político,coordenador, editor e diretor de sucursal, no Correio Braziliense, Empresa Brasileira de Notícias, O Globo, Jornal do Brasil e o Estado de S.Paulo (1990/2013), nessa ordem. É responsável também pelo conteúdo de análise política do serviço em tempo real Broadcast, da Agência Estado.
sábado 30/08/14 14:36

O universo paralelo de Mantega

Os dias úteis são agora fator decisivo no cálculo do governo para o crescimento e, especificamente este ano, eles foram abaixo da média histórica, o que explica o PIB de 0,6% que pôs o país em recessão.

Não só isso, mas a decepção da Fazenda com o desempenho internacional e a seca que aumentou o custo da energia. São as desculpas do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para o resultado pífio que, enquanto esses fenômenos ocorriam, ele garantia ser ...

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quinta-feira 28/08/14 17:26

O ciclo populista do PT

O populismo se serve da característica de uma população de atribuir ao Estado todas as mazelas que contribuem para seu maior ou menor sucesso pessoal e profissional. Ante os revezes, culpar o Estado aplaca a consciência, terceiriza a culpa e cria o atalho para a figura do salvador da pátria.

O Brasil tem sido vítima desse processo em ciclos raramente interrompidos, que retornam mais fortes, como a bactéria que cria resistência ao antibiótico. Governos que se entregam à reconstrução ...

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sexta-feira 22/08/14 18:28

Petrobrás vira assombração

Em circunstâncias normais, ou seja, em tempos não eleitorais, seria insustentável a situação da presidente da Petrobras, Graça Foster, mantida no cargo apesar das sucessivas irregularidades que comprometem a imagem e o vigor financeiro da empresa. Ato falho ou argumento necessário ao convencimento dos ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), quem fez o raciocínio foi ninguém menos que o defensor da Foster, o ministro Luís Inácio Adams, da Advocacia Geral da União. Adams condicionou a ...

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quinta-feira 21/08/14 11:52

Difícil convivência

As queixas do presidente do PSB, Roberto Amaral, com relação ao noticiário político nos dias que se seguiram à tragédia aérea que tirou de cena o ex-governador Eduardo Campos, antes de exibir um descontentamento pessoal, refletem mais a crise interna que dividiu o partido em relação à candidatura de Marina Silva.

Esse aspecto é mais importante que o aborrecimento de Amaral com a leitura que o colocou como opositor da candidatura da ex-senadora. O presidente do PSB faz parte da corrente que considerava melhor um realinhamento com o PT, do que é atestado insofismável sua reunião com o ex-presidente Lula antes ainda do sepultamento de Campos.

Amaral tomou esse registro da imprensa como uma crítica ao momento da reunião, mas a referência temporal teve o objetivo simples de mostrar que não era possível fazer a roda parar de girar. Como disse o ex-secretário de Meio Ambiente do governo de Pernambuco, Sérgio Xavier, as circunstâncias estabelecem que “é hora de chorar e trabalhar ao mesmo tempo”.

O tempo conspirou contra a extensão das homenagens a Campos e para que o luto pudesse firmar o hiato político ideal. A uma semana do início do programa de televisão, o partido precisava definir com rapidez se abdicaria da disputa pela Presidência ou se faria de Marina sua candidata em substituição a Campos.

Tanto assim, que a própria viúva, Renata Campos, em meio à dor e sofrimento pessoal, encontrou força para orientar o desejo da família pela consolidação da candidatura de Marina. Antes dela, o irmão de Campos fez o mesmo à porta da casa da família. Assim, a síntese de Xavier estava autorizada.

Daí que o aspecto da reunião com Lula ganha importância apenas pelo que tem de importante: a possibilidade de realinhamento do PSB com o PT, de interesse óbvio do ex-presidente, e posição defendida por Amaral. Esse conflito perde o poder objetivo com a confirmação de Marina, mas não se desfaz, porque tem seu gene nas divergências internas entre Rede e PSB.

Como o próprio Amaral definiu, como presidente cabe a ele conduzir as questões do partido – e as contradições da coligação são parte dessa pauta. Confirmada Marina como candidata e, agora, o deputado Beto Albuquerque como seu vice, essas contradições se materializarão na condução do programa comum e da campanha pela sua nova titular.

Não é exagero dizer que essa convivência interna é desafio maior para a coligação do que sustentar um crescimento eleitoral consistente de Marina. O problema é que um depende do outro e a posição reafirmada da candidata em São Paulo, por exemplo, dá a medida da dificuldade de convivência.

No maior colégio eleitoral do país, onde a presidente Dilma registra um índice de rejeição altíssimo, de 49%, Marina está decidida a manter a posição de não participar da campanha em que o PSB está aliado ao PSDB.

Essa posição foi firmada quando Campos ainda era o candidato à presidência e tratava-se, então, de a sua vice não associar sua imagem à campanha do governador Geraldo Alckmin. Agora ela é a candidata e sua omissão significa a ausência da candidata à presidência do PSB da campanha do aliado em São Paulo.

O cenário paulista põe em dúvida a base do acordo que precedeu a confirmação de Marina, de que ela honraria as alianças deixadas por Campos. Em que pese a distância de São Paulo fazer parte do acordo com o ex-governador, mantê-lo agora equivale a desconsiderar que o candidato morto supriria a ausência da vice, o que não pode mais ocorrer.

Marina não teve o apoio do presidente do PSB paulista, deputado Márcio França, para suceder Campos, exatamente por isso. Vice na chapa de Alckmin, o deputado seguirá com o partido, mas deixa claro sua discordância em relação a essa e outras posturas da ex-senadora.

Em Minas, a candidatura de Tarcísio Delgado também saiu a fórceps, pois a regional do partido desejava a aliança com Aécio Neves, o que pode levar à cristianização de Marina no Estado. São Paulo e Minas são apenas dois casos entre muitos outros que afetam as bases eleitorais.

O grito de marina contra o agronegócio , que já havia desfeito acordos importantes para o PSB em regiões como mo Centro-Oeste, agrava-se com a sua ascensão ao lugar antes de Campos. Em Mato Grosso do Sul, o candidato Nelsinho Trad já anunciou sua saída da aliança.

A coerência que Marina procura manter em relação aos seus princípios éticos podem constituir uma virtude pessoal, mas não necessariamente política. Quando se parte de uma premissa falsa, todo o raciocínio que a sucede estará contaminado por um erro de origem.

Ou seja, pode haver coerência no erro, se a inflexibilidade for seu ponto de partida. No caso presente, haverá mais dificuldades se a ex-senadora não partir do princípio de que não se dá um salto mágico da velha para a nova política, porque todo processo impõe a transição.

No ato de anúncio da coligação que surpreendeu o mundo político, Marina e Campos a justificaram como uma aliança programática, mas seu objetivo principal – de interromper o ciclo do PT no poder, também afirmado por ambos -, revela a prevalência do pragmatismo político no acordo.

Como não há convergências nos pontos essenciais da coligação – ou, pelo menos, as divergências são mais consistentes -, não parece possível sustentar em primeiro plano a tese programática em um contexto que o pragmatismo, expresso no objetivo de derrotar o PT, é a argamassa da construção política abalada pela morte de seu protagonista principal.

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terça-feira 19/08/14 16:30

Programáticos e pragmáticos

A menos de 24 horas da reunião da Executiva Nacional do PSB que deverá confirmar Marina Silva como candidata do partido à sucessão presidencial, as expectativas passam a girar em torno da adaptação da ex-senadora à nova condição, que encerra desafios difíceis e decisivos. A sua confirmação informal esvaziou a ansiedade pela definição maior antes dos rituais de despedida do ex-governador Eduardo Campos, matando no nascedouro dúvidas que tinham potencial para estender a discussão sobre a legitimidade de sua escolha. O passo ...

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segunda-feira 18/08/14 15:10

Crescimento anabolizado

O crescimento registrado por Marina Silva na primeira pesquisa após a morte de Eduardo Campos não pode ser vinculada apenas à sua nova condição de candidata do PSB. O impacto da tragédia deu mais visibilidade à terceira via que ela e Campos encarnavam, mas que ainda não era conhecida da maioria da população. Boa parcela do eleitorado não vinculava Campos a Marina, o que explicava a lenta transferência dos votos da ex-senadora em 2010 para seu companheiro ...

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quinta-feira 14/08/14 15:52

A busca da racionalidade

Passadas as primeiras horas do acidente aéreo que vitimou o ex-governador Eduardo Campos ainda é a perplexidade que prevalece no ambiente político. Além da consternação, as preocupações com os procedimentos de despedida ocupam aliados e adversários se dividem entre a preparação para os rituais e as avaliações sobre as consequências políticas do episódio. Nesse sentido, pode-se dizer que as opiniões ainda estão contaminadas pelo impacto da morte do ex-governador. Aos poucos, porém, a tendência será a de ...

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quarta-feira 13/08/14 15:24

A visita do imponderável

A morte do ex-governador Eduardo Campos é daquelas tragédias que reúne todos os elementos para alimentar a mitologia política, dado o contexto que retira de cena precocemente um dos políticos mais promissores de sua geração , destinado a consolidar-se como referência política permanente no país.

Sua saída de cena, de forma abrupta, aos 49 anos, remete à máxima política de que presidência da República é destino. Campos tinha tempo e pressa, a urgência que o orientava a não postergar a ...

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terça-feira 12/08/14 16:17

Prova de fogo

Para a maioria dos analistas, mesmo de fora do PSDB, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) saiu-se bem na entrevista ao Jornal Nacional, a primeira da série iniciada com os candidatos à presidência da República. Argumentam que o candidato enfrentou as questões – e a contundência excessiva – da dupla de entrevistadores, sem perder a calma e sem hesitações. Mesmo com relação à polêmica construção do aeroporto de Cláudio, foi assertivo, mostrando convicção quanto à obra. A insistência do apresentador William Bonner no ...

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