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Quem Faz

JOÃO BOSCO RABELLO está no jornalismo político desde 1977, em Brasília, onde participou da cobertura do período que vai da abertura do regime militar à Assembléia Nacional Constituinte de 88, passando pela redemocratização, com a eleição e morte de Tancredo Neves, o primeiro governo civil, de José Sarney e os que o sucederam. Iniciou sua carreira em 1974, no extinto Diário de Notícias, no Rio de Janeiro (RJ). Transferiu-se para Brasília (DF), em 1977, onde alternou as funções de repórter político,coordenador, editor e diretor de sucursal, no Correio Braziliense, Empresa Brasileira de Notícias, O Globo, Jornal do Brasil e o Estado de S.Paulo (1990/2013), nessa ordem. É responsável também pelo conteúdo de análise política do serviço em tempo real Broadcast, da Agência Estado.
quarta-feira 25/06/14 15:58

Eleitor de resultados

Em qualquer sistema político, eleição é uma etapa essencial do processo e movida a competitividade. Debate sobre reformas à parte, portanto, o que explica o desordenado cenário de alianças este ano, que conseguiu agravar a geléia geral partidária brasileira, é essencialmente o declínio da candidata oficial nas pesquisas. Dele decorre, em parte, a prevalência das alianças regionais sobre a nacional, sinal da perda de capital político do PT, detectada pelas bases dos partidos que formam a aliança que elegeu a presidente ...

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sexta-feira 20/06/14 15:21

Macartismo às avessas

O desmentido do ministro Gilberto Carvalho à tese do PT que atribuiu à “elite branca” as vaias e xingamentos à presidente Dilma Rousseff no estádio de futebol, é o retrato mais fiel da inconsistência das construções eleitorais do partido até agora. A queda da presidente nas pesquisas, que reforça o descontentamento permanente do PT com sua candidata, lançou o partido na busca errática de narrativas que ajudem a reverter a trajetória descendente na aprovação de governo e candidata. Já se produziu de ...

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quinta-feira 19/06/14 18:30

A renúncia como protesto

A menos de duas semanas de sua aposentadoria, a renúncia à relatoria da Ação Penal 470 – o mensalão – pelo ministro Joaquim Barbosa, guarda um aparente paradoxo, já que a saída da vida pública provocaria o mesmo efeito. Dois aspectos, no entanto, explicam a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, pela ordem: marcar posição em relação ao caso, ante a perspectiva de revogação de suas últimas decisões, e  pressão dos colegas para que as submeta ao plenário antes de ...

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quarta-feira 18/06/14 15:33

PSDB tentará Meirelles até o limite

Está claro, apesar do efeito dispersivo da Copa do Mundo, que  os lances mais estratégicos da atual fase da campanha eleitoral se desenvolvem em São Paulo – menos em torno dos partidos que polarizam a eleição – PT e PSDB – e mais entre os personagens da oposição.

As negociações em torno de uma possível aliança do ex-prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin, se levadas a termo, ampliarão a pressão do PSDB para que o PSD deixe a coligação para a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

O alvo a ser conquistado é o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, nome preferido – e ideal – pelo candidato tucano Aécio Neves (MG), para vice em sua chapa. Meirelles reúne o gene tucano que foi decisivo no êxito econômico do governo Lula.

Sua presença na chapa não só agrada ao mercado, afastado do governo Dilma, como atrela o sucesso da gestão petista a um perfil econômico buscado nos quadros tucanos – afinal,  Meirelles renunciou a um mandato de deputado federal pelo PSDB, obtido com votação recorde, para atender a um apelo de Lula. Para assumir o BC.

Teve papel decisivo no bom desempenho da economia, funcionando como operador e sentinela da continuidade do Plano Real, nos termos do compromisso assumido por Lula na Carta aos Brasileiros.

Formou com o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, uma dupla de resistência à pressão do PT por mudanças nos fundamentos do Plano Real, inclusive da Chefe da Casa Civil de então, Dilma Rousseff, que os considerou “rudimentares”.

Eleita, Dilma deu sentido prático à sua crítica ao modelo vitorioso, alterando-o e iniciando um processo degenerativo da economia. Foi quando o ex-presidente Lula chegou a propor que trouxesse de volta Meirelles, como forma de resgatar a confiança do mercado e, por extensão, dos investidores.

Trazer Meirelles de volta, significaria para Dilma dar a mão à palmatória e reconhecer erros na condução da política econômica que a ela são atribuídos em razão de seu estilo centralizador. Não há como se responsabilizar isoladamente o ministro da Fazenda, se todos sabem que nem conserto de buraco de rua escapa à exigência de aprovação pela presidente.

A disputa em São Paulo se dá entre PSD e PSB, este com apoio do PSDB. O partido socialista quer o deputado Márcio França como vice de Alckmin, produzindo um up grade na aliança história que mantêm no Estado.

Para fazer valer esse objetivo, o PSB enfrentou o veto à aliança da ex-senadora Marina Silva, materializando o primeiro confronto público entre a Rede e o partido, o que dá a medida do empenho em ser o protagonista principal no cenário paulista.

O PSDB precisa da adesão de Kassab, também no plano nacional, para viabilizar Meirelles como vice na chapa de Aécio Neves. É nisso que investe, usando o prazo máximo para a formalização do vice, na expectativa de ter o melhor cenário.

Mas, à falta deste, escolherá provavelmente entre o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) e o ex-senador Tasso Jereissati (CE), que voltou a frequentar bons índices de aprovação no seu Estado, somando também para ampliar os votos nordestinos do PSDB e reduzir os de Dilma.

Tasso é também puxado para o campo da batalha eleitoral pelo PMDB, cujo candidato ao governo do Ceará, senador Eunício de Oliveira, lidera as pesquisas, com quase 40% das intenções de voto, mas não consegue o apoio do governador Cid Gomes e do irmão, o ex-ministro Ciro Gomes, ambos hoje no Pros.

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terça-feira 17/06/14 12:33

Polarização e Ícaro às avessas

Previsões em política são sempre de alto risco, especialmente em tempos de campanha eleitoral, quando o chamado imponderável encarna um personagem de plantão a assustar candidatos e partidos.  As pesquisas, nesse contexto, servem apenas de parâmetro a orientar as ações dos candidatos. Com essa ressalva é possível afirmar que a fotografia do momento indica que a eleição presidencial deste ano tende a reproduzir a polarização entre PT e PSDB, não só pelos números, mas principalmente pela dificuldade do ex-governador Eduardo Campos ...

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sexta-feira 13/06/14 08:14

Decreto dos conselhos populares é grande risco de derrota para o governo

Editado pela presidente Dilma Rousseff com a justificativa de ampliar os canais de discussão com a sociedade, o decreto que cria os conselhos de consulta popular nos órgãos da administração federal direta e indireta dividiu o Congresso e até o próprio Palácio do Planalto. Na Câmara, onde foram apresentados dois projetos para sustar os efeitos da decisão de Dilma, há chances reais de o texto oposicionista ser aprovado. Dez partidos se manifestaram contra o decreto de Dilma e a favor do projeto ...

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quinta-feira 12/06/14 08:00

Copa e campanha fazem de CPI página virada em 2014

O depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, à CPI do Senado que teoricamente apura operações suspeitas da empresa, pode ser considerado o coroamento de uma estratégia bem sucedida do governo para evitar a investigação. Em circunstâncias normais, Costa seria o depoimento mais concorrido da CPI, por ser o pivô do escândalo detonado após sua prisão pela Polícia Federal, no curso de uma investigação que concluiu pela constatação de desvios de recursos na Petrobrás. No entanto, esvaziada da oposição, ...

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quarta-feira 11/06/14 17:00

Dissidência do PMDB reflete tamanho do risco de Dilma

Com uma variação para mais, o resultado da convenção do PMDB foi o esperado: o partido renovou o apoio à aliança com o PT para a disputa da presidência da República, reservando-se o direito de não estender o compromisso às estruturas regionais que cuidarão de seus cenários como lhes convier. Alguns aspectos desse processo são reveladores do distanciamento do partido em relação à presidente da República, com origem na difícil convivência com o PT.  A naturalidade com que os dirigentes avalizaram ...

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segunda-feira 09/06/14 15:58

Perdendo o favoritismo

Campanhas com candidatos à reeleição costumam tê-los como eixo em torno do qual giram os demais postulantes e também as negociações por alianças que ajudem a consolidá-los. É natural que assim ocorra, mesmo com gestões fracas, pela força da inércia dos governos. Governos já têm estruturas formadas por onde gravitam interesses políticos e econômicos, o que torna para aliados mais difícil a mudança do que a continuidade. Para mexer nas zonas de conforto já assentadas, é preciso que a mudança seja ...

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