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Quem Faz

JOÃO BOSCO RABELLO está no jornalismo político desde 1977, em Brasília, onde participou da cobertura do período que vai da abertura do regime militar à Assembléia Nacional Constituinte de 88, passando pela redemocratização, com a eleição e morte de Tancredo Neves, o primeiro governo civil, de José Sarney e os que o sucederam. Iniciou sua carreira em 1974, no extinto Diário de Notícias, no Rio de Janeiro (RJ). Transferiu-se para Brasília (DF), em 1977, onde alternou as funções de repórter político,coordenador, editor e diretor de sucursal, no Correio Braziliense, Empresa Brasileira de Notícias, O Globo, Jornal do Brasil e o Estado de S.Paulo (1990/2013), nessa ordem. É responsável também pelo conteúdo de análise política do serviço em tempo real Broadcast, da Agência Estado.
segunda-feira 29/12/14 15:00

Ambiguidade metódica

As especulações em torno do ministério do segundo mandato, em sua menor parte já nomeado, ressuscita o tema da regulamentação da mídia, eufemismo que o PT utiliza para controlar conteúdos jornalísticos.

E o tema volta à tona mais uma vez condicionando o êxito do desejo obsessivo do PT ao perfil que vier a ocupar a Pasta das Comunicações, sem qualquer vínculo com um programa de governo para a área, ou de uma diretriz para a questão levantada pelo partido. Dessa forma, ...

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terça-feira 23/12/14 16:54

MP como bode expiatório

O anúncio, pela presidente Dilma Rousseff, de consulta ao Ministério Público para avalizar nomeações ministeriais, é um óbvio recurso para fugir à autoria de vetos a indicações dos partidos de sua base de sustentação no Congresso Nacional.

Como foi dito nesse espaço, um dia antes da entrevista presidencial, o veto a nomes de parlamentares envolvidos no escândalo de corrupção que sangra a maior empresa brasileira, é a primeira consequência da divulgação da relação feita pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo ...

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sexta-feira 19/12/14 19:01

Expectativas confirmadas

A se confirmar no curso do inquérito a ser aberto pelo Supremo Tribunal Federal o envolvimento dos parlamentares citados pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, publicados hoje com exclusividade pelo jornal O Estado de S.Paulo, tem-se, pelo menos, um problema já para o futuro ministério da presidente Dilma Rousseff, e um caminhão de dramas para PT , PMDB e PP.

 O ainda presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que rejeita o ministério da Previdência, que seu partido ...

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segunda-feira 15/12/14 14:43

Com a Petrobras no colo

A comprovação de que a presidente da Petrobras, Graça Foster, teve conhecimento das irregularidades ocorridas na empresa quando diretora executiva, leva novamente a crise da estatal para dentro do Palácio do Planalto e submete a presidente Dilma Rousseff à pressão pela mudança da diretoria.

O desgaste é maior quando se sabe que a própria Graça Foster já sugeriu a Dilma a substituição de toda a diretoria, ela inclusa, por compreender que foram perdidas as condições políticas para sua permanência. Se Dilma, mesmo assim, resistir, ficará com o problema no colo e na agenda diária.

Antecedida da defesa da mudança da diretoria pelo Procurador Geral, Rodrigo Janot, as revelações da ex-gerente Venina da Fonseca, de que dera conhecimento a Foster e ao seu antecessor, Sérgio Gabrielli, dos desvios na empresa, geraram o consenso de que a substituição da presidente da estatal é inevitável.

A recusa da empresa auditora PriceWaterhouse em validar as contas da Petrobras impede a publicação de seu balanço, reproduzindo o impasse em relação à Braspetro, que impôs a licença compulsória de seu presidente, Sérgio Machado. Este, teve seu retorno vetado pelo governo, que pretende transformar a licença em demissão.

O impedimento de Machado, por similaridade, é aplicável à atual diretoria da Petrobras, submetida à mesma restrição pela auditoria. Se Machado, sobre quem pesam suspeitas ainda não consolidadas, não pode retornar ao cargo, torna-se insustentável a permanência de Foster, sobre quem já se sabe que tinha conhecimento das irregularidades.

É provável mesmo que Machado tenha resistido à demissão e optado pela licença prevendo que a Petrobras passaria pela mesma restrição imposta à sua subsidiaria, por ele presidida. Com isso, não paga individualmente pelo desgaste da crise, que é da empresa e não está localizada na Braspetro. Fecha-se a margem para bodes expiatórios em cenário que caminha para a responsabilização coletiva.

A presidente da República, que depositou na funcionária de carreira e amiga de confiança o comando de uma operação saneadora na Petrobras, vê-se agora diante do dilema de declinar da auxiliar para preservar-se politicamente. É uma circunstância comum a governos e governantes, mas que podem determinar seu êxito ou fracasso.

Fernando Henrique Cardoso teve de abrir mão de seu chefe de Gabinete Civil, Clóvis Carvalho, por razões menos graves, Itamar Franco, de seu principal assessor, Henrique Hargreaves, Lula também com relação a José Dirceu e Antônio Palocci, cujas permanências manteriam dentro do Palácio do Planalto as suspeitas que recaiam sobre suas figuras e cargos.

A circunstância chega a Dilma que parece hesitar em reconhecer que, independentemente de formação de culpa, Graça Foster e a atual diretoria perderam as condições políticas necessárias para conduzir a Petrobras na crise sem precedentes que a empresa precisa atravessar.

O momento indica claramente que as concessões da presidente às suas convicções e estratégias não se limitam ao campo econômico onde, por ora, o anúncio de nomes para comandar a área, reduziram o pessimismo no mercado. Será a reorientação política do governo que determinará o respaldo da presidente para superar os desafios de seu segundo mandato.

Nesse aspecto, os sinais são pouco animadores. Os movimentos para a formação do novo ministério são lentos e reveladores das dificuldades da presidente em se impor à sua base de sustentação, onde os principais partidos – PMDB e PT – mantêm a pressão histórica sobre o governo apesar da perspectiva de serem alcançados de forma devastadora pelas investigações na Petrobras, que já levaram à prisão, de forma inédita, empresários das principais corporações brasileiras.

O governo continua transmitindo a impressão de que opera com a visão da árvore, sem enxergar a floresta. A versão nacional da operação mãos limpas, conduzida pelo juiz Sérgio Moro, é apenas o começo de um processo que se traduz pelo fim de um ciclo para início de outro, com profundas mudanças nas estruturas econômica e política.

Tal conjuntura implica redução das fronteiras entre a estrutura de Estado e os partidos políticos, resgatando como reservas da boa burocracia técnica as áreas de governo que não devem sofrer influência partidária em suas gestões.

Tancredo Neves costumava dizer que determinadas áreas da estrutura governamental não eram passíveis de negociação com os partidos. Citava os ministérios da Fazenda, Relações Exteriores, Planejamento, entre outros, com todos os seus apêndices, casos dos Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES.

Os governos do PT expandiram essas fronteiras para muito além do admissível, podendo-se dizer mesmo que as eliminaram. O aparelhamento foi amplo, geral e irrestrito, a ponto de o país ter dois ministros das Relações exteriores, um formal, outro informal, este, com o verdadeiro poder de definir a política externa.

Incluíram as agências reguladoras nesse contexto, subtraindo-lhes o papel original de fiscalização e regulação dos mercados, subversão já explicitada nos primeiros dias do governo Lula e, depois, reafirmada com ênfase pela presidente da República, que via nessas agências concorrentes dos ministérios na formulação das políticas de governo.

Não resta dúvida, portanto, que o esforço da presidente para enfrentar sua própria herança como gestora, vai muito além do que até aqui sinalizou. Por enquanto, anda empurrada pelos fatos, agindo quando eles se tornam incontornáveis, perdendo a vantagem da antecipação, que transforma desgaste em dividendo político.

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quinta-feira 11/12/14 20:00

Ressalvas investigadas

A aprovação das contas de campanha da presidente Dilma Rousseff pelo Tribunal Superior Eleitoral, não se traduz necessariamente por uma página virada nesse caso. Aprovação de contas de campanha com ressalvas é comum e geralmente não constitui problemas para os partidos e candidatos. As ressalvas , mais das vezes, se referem a imperfeições toleráveis e, especialmente em 2014, se justificam pela aplicação de regra nova que impõe a prestação de contas parcial. Esta, se caracteriza pela alimentação de documentação contábil contínua ...

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sexta-feira 05/12/14 17:22

Oportunidades da crise

O governo logrou a aprovação da anistia da meta fiscal, a duras penas, mas a oposição também conseguiu alcançar seu objetivo de impor imenso desgaste político à presidente Dilma Rousseff, ajudada pelo PMDB que deu a maioria que lhe faltava enquanto executava sua estratégia de pressionar o Planalto.

O assunto ganhou visibilidade nacional , assim como a leitura de calote que a oposição conseguiu agregar ao projeto. Na volta mesmo do Congresso Nacional, na madrugada de hoje, era possível ...

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segunda-feira 01/12/14 17:39

A Ficha Limpa II

A presidente Dilma retoma hoje as negociações pela aprovação do projeto que anistia o governo da meta de superávit que não poderá cumprir em 2014. Tem contra si as urgências recíprocas de governo e do Parlamento – ambos com pressa para fechar as contas e garantir nomeações para o ministério, respectivamente.

Ao governo, em face das investigações da Petrobras que prometem desarticular a base aliada no Congresso, o mais prudente é esperar pelo fim do segredo de justiça que ...

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sexta-feira 28/11/14 14:00

Tudo outra vez

A confirmação dos novos ministros da Fazenda e do Planejamento, ontem, impõe à oposição uma reavaliação da estratégia de atuação no Congresso Nacional, dada a dificuldade de contestar o próprio receituário que a presidente Dilma Rousseff adotou para iniciar seu segundo mandato.

Levy é o Armínio Fraga de Dilma e, embora isso sirva à oposição para desmascarar a farsa do discurso da campanha que a reelegeu, limitar a reação à indignação é trocar a oposição pelo protesto, o que ...

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quinta-feira 27/11/14 16:16

Um Congresso constrangido

Paralisadas pela apreensão com as investigações na Petrobras, que deve envolver parcela expressiva de parlamentares, as negociações em torno eleições legislativas de fevereiro de 2015 desenvolvem-se de forma tímida nos bastidores.

De forma explícita, apenas a candidatura na Câmara, do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ) aparece no cenário político, mesmo assim, sem que o partido a formalize. Cunha trabalha para torná-la incontornável, ampliando os apoios em outras legendas e entusiasmando o chamado baixo clero.

Nesse contexto, governo e ...

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