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Quem Faz

JOÃO BOSCO RABELLO está no jornalismo político desde 1977, em Brasília, onde participou da cobertura do período que vai da abertura do regime militar à Assembléia Nacional Constituinte de 88, passando pela redemocratização, com a eleição e morte de Tancredo Neves, o primeiro governo civil, de José Sarney e os que o sucederam. Iniciou sua carreira em 1974, no extinto Diário de Notícias, no Rio de Janeiro (RJ). Transferiu-se para Brasília (DF), em 1977, onde alternou as funções de repórter político,coordenador, editor e diretor de sucursal, no Correio Braziliense, Empresa Brasileira de Notícias, O Globo, Jornal do Brasil e o Estado de S.Paulo (1990/2013), nessa ordem. É responsável também pelo conteúdo de análise política do serviço em tempo real Broadcast, da Agência Estado.
sexta-feira 31/10/14 16:00

Novo mandato impõe ministério qualificado

Os primeiros movimentos no Congresso Nacional após a eleição indicam à presidente Dima Rousseff , antes de tudo, a adoção de um conceito que ignorou em seu primeiro mandato: o de um ministério politicamente forte e tecnicamente preparado – que, por sua vez, impõe uma gestão colegiada, marcada por uma dose de autonomia que desafia seu perfil personalista.

Mais que isso, uma gestão colegiada, nesse nível, requer uma interação entre o primeiro escalão de governo e a presidente da ...

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quinta-feira 30/10/14 16:30

De costas para a realidade

Do discurso de vitória da presidente Dilma Rousseff até aqui, o governo só tem agravado as dificuldades com que entra no segundo mandato em que a menção ao diálogo permanece no plano da retórica, na extensão da campanha eleitoral.

 Porta-vozes do Planalto, o ainda ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, e o líder do PT no Senado, Humberto Costa, classificaram a derrota do governo na Câmara, que derrubou o decreto de criação dos conselhos populares, como uma “Vitória de ...

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quarta-feira 29/10/14 14:56

Questão de representatividade

Não se duvida do ressentimento do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, com o governo, a quem credita a derrota eleitoral em seu Estado, o Rio Grande do Norte, e, mesmo, da influência desse humor na condução da sessão que impôs à presidente Dilma Rousseff a primeira derrota no Congresso, 48 horas após reeleita. Mas certamente não foi a mágoa de Alves a causa da derrubada do decreto presidencial de criação dos conselhos populares. A política no Legislativo não se submete ...

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segunda-feira 27/10/14 18:59

Sinais trocados

Não foram boas as sinalizações da presidente reeleita, Dilma Rousseff, no seu discurso de vitória, em que sobressai a proposta de uma reforma política plebiscitária, já rejeitada pelo Congresso Nacional quando proposta no auge das manifestações de rua em junho de 2013.

Ali atribuiu-se à falta de resposta imediata ao clamor das ruas por melhor gestão pública, o recurso reforma como panaceia para as mazelas nacionais. Mas sua reinserção no discurso da presidente vitoriosa nas urnas parece desconhecer a ineficiência da proposta para a reversão dos problemas que respondem pelo desgaste de seu governo.

Dilma não mencionou a oposição na sua proposta de diálogo, uma omissão que, em discurso lido, preparado com antecedência, não pode ser debitada a uma falha comum ao improviso dos pronunciamentos feitos no calor das comemorações.

Sua oferta de diálogo pareceu ter como destinatário o eleitor, mesmo finda a campanha, resvalando novamente para a relação direta com a população, que a proposta plebiscitária já traíra no início de sua fala. Disse não ver o país dividido e respaldou a exortação à união na abstrata figura de “uma energia mobilizadora, um bom terreno para a construção e pontes”.

É um mau começo para quem precisa sinalizar a um legislativo que reduziu numericamente a bancada do PT, fortaleceu o PMDB que, por sua vez, sai das eleições dividido em duas alas – a governista e a oposicionista. E que terá um PSDB motivado na oposição , o que não ocorreu em todo o seu primeiro mandato.

Dilma insistiu na crença de que o plebiscito legitimará a reforma política que pretende fazer, abraçando a linha bolivariana do PT que reduz a importância do Congresso Nacional como fórum , este sim, legitimador das mudanças a serem implementadas no país.

A opção por fazer o discurso da vitória em ambiente de militância, transformou o que deveria ser uma peça isenta, em consonância com a proposta de conciliação nacional, em uma comemoração partidária, cuja moldura era formada pelos dirigentes do PT que vocalizam o discurso do “nós contra eles”, que permeou a campanha da candidata vitoriosa.

O palco do pronunciamento teve o desenho de gueto, a denunciar a pressão que o PT tentará exercer sobre o segundo mandato da presidente, sob os aplausos da militância, desprezando a importância do ritual político que simboliza um governo para todos.

Dilma reeleita mostrou-se a mesma Dilma do primeiro mandato, que continua sem pressa na indispensável reconciliação com o mercado, que amanheceu de ressaca com o resultado eleitoral: bolsa em queda de 6%, dólar em alta, a R$ 2,56 e as ações da Petrobras em baixa superior a 14%.

Não houve na campanha, e continua ausente, a informação essencial ao mercado: o que pensa a presidente reeleita , para a economia, em seu segundo mandato. A única menção ao tema foi tão vaga quanta desalentadora, pela sugestão de medidas de varejo: “Promoverei ações localizadas para retomar o ritmo de crescimento e manter a garantia de níveis altos de emprego e salários”.

A corrupção, que seguramente será a principal protagonista do cenário político, mereceu referência breve e genérica: “Terei um compromisso rigoroso com o combate à corrupção, com mudanças na legislação para acabar com a impunidade”.

É surpreendente que a presidente mantenha discurso que associa o combate à corrupção com mais legislação, quando esta já garantiu o avanço das investigações sobre a Petrobrás até o Supremo Tribunal Federal, palco anterior das condenações de dirigentes de seu partido, e de outros da base aliada, sem que fosse preciso uma parágrafo a mais no texto legal.

O descuido com uma cena de vitória mais sintonizada com o momento de divisão eleitoral do país, revela um bastidor conflagrado no PT, que entrou na campanha dividido, inclusive com os dois principais atores do teatro político, o ex-presidente Lula e a presidente reeleita, estremecidos pessoalmente.

O discurso da presidente não contribuiu para a difícil tarefa de dar a um governo reeleito sob forte desgaste político, um clima de novo. Subtraídos os 15 milhões de votos dos beneficiários do bolsa-família obtidos no primeiro turno – e ratificados no segundo -, pode-se dizer que o governo foi politicamente reprovado nas urnas pela maioria da sociedade organizada.

Com o país registrando crescimento abaixo de 1%, sem investimentos, com inflação acima da meta e credibilidade internacional abalada (há expectativa de novos rebaixamentos de crédito), analistas do próprio universo governista temem que a presidente acredite que foi reeleita por seus acertos.

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terça-feira 21/10/14 17:10

A tensão por trás do destempero de Lula

Não é mais apenas pela presidente Dilma o empenho de seu padrinho, Lula, na campanha nessa reta final, em que o ex-presidente foi além de todos os limites em seu discurso em Minas, repetição daquele feito no Pará, em que classificou o adversário de "bêbado". Em Minas, Lula promoveu a leitura de uma carta de uma psicóloga que afirma ser Aécio Neves um candidato que maltrata as mulheres, uma manobra para reforçar uma versão corrente ...

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segunda-feira 20/10/14 17:00

Vaccari, novo calcanhar de Aquiles

O debate de ontem na TV Record, como já comentado nos principais jornais de hoje, distinguiu-se dos anteriores pela súbita renúncia dos candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves aos ataques pessoais , de parte a parte.

As dúvidas são se o enfrentamento de ontem, com mais conteúdo programático, foi satisfatório sobre esse aspecto, e se a decisão de abandonar o pugilato se repetirá no próximo debate, na TV Globo, cujo índice de audiência se prevê maior por ser o ...

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quarta-feira 15/10/14 17:47

Um debate sem vencedor

Se considerada a meta comum aos dois candidatos que disputam a Presidência da República, de capturar votos de indecisos e daqueles dispostos a anularem os seus, o debate de ontem na TV Bandeirantes não acrescentou capital a Aécio Neves e Dilma Rousseff.

O debate reviveu a intensidade da disputa política entre PSDB e PT mesclando a paternidade do bolsa-família, comparações entre as economias nos respectivos governos e alternado troca de acusações de corrupção.

A temperatura foi alta, refletindo o ...

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sexta-feira 10/10/14 17:20

“Insinuações” explosivas

Embora o ex-presidente Lula se diga de “saco cheio” de denúncias contra o PT – forjadas segundo ele -, será preciso mais que desabafos do gênero para enfrentar o enredo da Petrobrás, agora reforçado pela delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal e do doleiro Alberto Yousseff.

Não são mais rumores sobre os descaminhos na Petrobrás, que circulam desde o segundo mandato do ex-presidente e que gerou uma frustrada CPI para apurá-los, em 2009. Trata-se de delação ...

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quarta-feira 08/10/14 12:23

A metáfora de Marina

Hoje e amanhã se desenvolvem as negociações em torno do apoio de Marina Silva a Aécio Neves, que se dividem entre a candidata derrotada no primeiro turno e o PSB, pelo qual concorreu à presidência da República. Podem , portanto, surgir duas decisões.

É mais provável, pelo que se apurou até aqui, e pelo que determina a lógica, que o apoio de Marina seja dado ao candidato do PSDB, o que já não se pode afirmar, pelo menos integralmente, ...

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