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Quem Faz

JOÃO BOSCO RABELLO está no jornalismo político desde 1977, em Brasília, onde participou da cobertura do período que vai da abertura do regime militar à Assembléia Nacional Constituinte de 88, passando pela redemocratização, com a eleição e morte de Tancredo Neves, o primeiro governo civil, de José Sarney e os que o sucederam. Iniciou sua carreira em 1974, no extinto Diário de Notícias, no Rio de Janeiro (RJ). Transferiu-se para Brasília (DF), em 1977, onde alternou as funções de repórter político,coordenador, editor e diretor de sucursal, no Correio Braziliense, Empresa Brasileira de Notícias, O Globo, Jornal do Brasil e o Estado de S.Paulo (1990/2013), nessa ordem. É responsável também pelo conteúdo de análise política do serviço em tempo real Broadcast, da Agência Estado.
segunda-feira 21/01/13 18:02

Randolfe, candidato de si mesmo

A candidatura alternativa do senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) à presidência do Senado, dá o tom pastelão que faltava ao teatro em que se movimentam, há tempos, oposição e governo naquela Casa. Neutralizada pelo acordo que extinguiu a CPI do Cachoeira, a oposição simplesmente passou a fazer olhar de paisagem para a recondução do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) ao cargo.

Nem a chamada ala independente do PMDB, na prática a dupla Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS) exibe qualquer ...

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domingo 13/01/13 11:11

Onze governadores estão na mira do TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prepara-se para julgar neste ano os pedidos de cassação de mandato de governadores. Dos 27 eleitos, a Corte eleitoral recebeu ações para cassar o mandato de 12 deles – quase a metade dos diplomados em 2010. Nas ações contra os governadores do Amazonas, Omar Aziz (PSD), do Acre, Tião Viana (PT), e de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), a vice-procuradora eleitoral Sandra Cureau proferiu duros pareceres, pedindo a cassação dos mandatos. Concluída a maior parte ...

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quinta-feira 10/01/13 18:28

A negação como método – do PT ao governo

Não era “rídiculo” o risco de racionamento de energia, como classificou a presidente Dilma Rousseff, no café da manhã de fim de ano com jornalistas no Planalto. A possibilidade é mais concreta do que fez crer a presidente ao tentar desqualificar a pergunta, na resposta em que acrescentou a sugestão de que “gargalhassem” aqueles que ouvissem falar em raios como causas de pane no sistema.

Antes, os raios, suspira o PT. Afinal, o racionamento é evitado pelo uso complementar das usinas térmicas, em caráter emergencial, mas que o governo já admite agora voltar a ser permanente, caso as chuvas não caiam em volume suficiente para elevar em níveis seguros os reservatórios. Temendo o “apagão petista”, o partido torce pela chuva enquanto o governo lança mão da energia suja para reduzir os riscos.

O receio de ver aplicados à sua gestão diagnósticos que imprimiu com êxito eleitoral à era Fernando Henrique -  leva o atual governo à adoção do método de comunicação do seu partido, de negação sistemática de problemas ostensivos,  sempre desqualificando os críticos ou jornalistas que ousam perguntar aquilo que é de interesse público.

Ocorre assim na infraestrutura, em que a privatização é inevitável; no setor elétrico, em que são notórios os problemas; e, agora, com a frustração das principais metas econômicas. Abre-se, no primeiro caso, negociações envergonhadas e insuficientes com parceiros privados, adotando-se eufemismos para tal; nega-se qualquer problema, no segundo caso; e, maquia-se operações para salvar números não alcançados, no terceiro caso.

A constatação revela a predominância da estratégia de comunicação partidária sobre a do governo, misturando objetivos e conveniências dissociados do interesse público e, mesmo, daquilo que poderia ser mais eficaz para o próprio Planalto. O PT quer preservar velhas e abatidas lideranças e manter a fantasia do marketing que o fez, tempos atrás, o único partido ficha limpa do País. É passado.

Já  governos  lidam com a realidade. Uma coisa é o discurso ideológico surrado, em que divergências são rotuladas de conservadorismo, a serviço de uma eficiência eleitoral. Outra é a capacidade de administrar essa pressão de conteúdo anacrônico e encontrar seu modus operandi para governar “apesar disso”. Essa é a premissa para os avanços pretendidos pela presidente Dilma em 2013.

Trocar o discurso defensivo por uma campanha de educação de consumo de energia, por exemplo, liga o governo de forma mais positiva com o consumidor do que negar a falta de luz no escuro. Uso equilibrado da energia é bem vindo mesmo com redução da tarifa, até para que a medida (discutível pelo seu caráter intervencionista), não provoque euforia consumista. Poderia ter feito tudo isso com a ressalva da mera precaução e criado um vínculo maior com o contribuinte.

Admitir o lucro como fator natural e intrínseco ao sistema capitalista é indispensável para os avanços no campo da infraestrutura, como indicam as falências de gestões públicas, contaminadas pelo aparelhamento sindicalista, em portos, aeroportos e, de resto, nas estruturas diretamente ligadas ao dia a dia do cidadão, como as de segurança, transportes e saúde.

Da mesma forma teria sido mais honesto e eficiente justificar a insuficiência das metas econômicas frustradas, do que maquiá-las ao custo do agravamento da perda de confiança dos investidores – esses seres de que o Brasil mais precisa agora, Dilma especialmente.

Certamente há estratégia de comunicação mais inteligente do que a negação do óbvio e a recorrente mania de atribuir a culpa aos jornalistas. Até porque, esta parece esgotada. O governo teve juízo ao perceber cedo a conveniência de se desvincular do julgamento do mensalão, separando os interesses do partido e os seus, mas erra ao considerar salutar agir assim apenas em situações extremas como no processo que condenou dirigentes do PT à prisão.

O PT prossegue negando o mensalão, com a desfaçatez do personagem adúltero que nega sua condição mesmo nu ao lado da amante. É método assentado na convicção de que eleitoralmente importa a versão, máxima que não serve a governos carentes de resultados.

Como o ser humano guarda em si mesmo os maiores obstáculos à sua transformação, também é no governo que estão os maiores problemas da presidente Dilma. A começar pela dificuldade de escolher a estratégia de se comunicar com a sociedade – – com a qual a mídia é o canal -, se do governo ou do partido.

Se ficar refém da segunda, continuará a desqualificar perguntas e jornalistas com a aversão a entrevistas que exibiu na última, em que chegou ao ponto de recusar respostas para impor a pauta que lhe convinha.

Até porque,  como se vê agora,  não havia perguntas ridículas,  mas temas incômodos.

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domingo 06/01/13 19:13

Eleições e reforma movimentam Congresso

Mudança de ministros não resulta necessariamente em gestão mais eficiente, embora no caso de alguns a inércia seja menos nociva que a ação. Por isso, talvez seja um erro especular sobre a reforma ministerial esperada após as eleições das Mesas Diretoras da Câmara e Senado, exclusivamente por esse viés. Melhorar a gestão do governo, ou dar-lhe alguma, é providência indispensável para a presidente Dilma Rousseff, acuada pelos efeitos da crise internacional e o esgotamento do modelo de consumo como fator de ...

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quinta-feira 03/01/13 17:43

Deputado, Genoíno mantém mensalão na ordem-do-dia

Genoíno na posse: nada a declarar (Foto: Beto Barata/Estadão Conetúdo)

O bordão mais repetido pelo deputado José Genoíno (PT-SP), na entrevista coletiva que concedeu na tarde de hoje, logo após assumir o mandato de deputado federal, foi “esta pergunta eu não vou responder”.  Guardadas as circunstâncias, faltou pouco para o folclórico “nada a declarar” do ex-ministro da Justiça do governo militar, Armando Falcão. Faltou pouco porque alguma coisa Genoíno respondeu, mais das vezes para adiar as respostas, no que também lembrou o ex-ministro, que combinava a primeira resposta invariavelmente a outro ...

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