1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Prefeitos batalhadores

Eder Brito

19 fevereiro 2014 | 09:59

Por Eder Brito

Primeiro foi Gilberto Kassab, ex-Prefeito de São Paulo que em 2007 quase desferiu uns sopapos contra o publicitário Kaiser Paiva Celestino, em um episódio de atípico descontrole do pacato líder do PSD. Os socos nunca aconteceram, mas Paiva teve de ouvir um sonoro “vagabundo”, proferido pelo Prefeito que o expulsou do posto de saúde que visitava na ocasião. O episódio rendeu até dividendos políticos para Kaiser, que em 2008 tentou uma vaga na Câmara Municipal paulistana. Filiou-se ao PSC (que, ironicamente, apoiava Kassab em 2008) e não conseguiu.

No ano passado, foi a vez de outro Prefeito de uma grande capital envolver-se em brigas de rua. O músico Bernardo Botikay xingou Eduardo Paes, chefe-maior do governo municipal do Rio de Janeiro, quando o político saía de um restaurante na zona sul da cidade. Ofendido, Paes não teve dúvidas e socou o rapaz. Botikay admitiu à imprensa que foi “verbalmente agressivo”. Surra merecida? Só os dois é que podem responder de verdade.

Outro caso envolvendo um Prefeito e a integridade física de munícipes aconteceu recentemente em Porecatu, no Paraná. O prefeito Walter Tenan teria se engalfinhado em pleno Gabinete com Sidineia da Silva Rodrigues. Em sua versão, Sidineia diz que foi até a Prefeitura para cobrar uma ajuda de custo que a Prefeitura lhe devia, por conta de um tratamento de saúde de sua filha. Com respostas negativas da Secretaria de Saúde e da assessoria jurídica da Prefeitura, não teve dúvidas e foi bater à porta de Tenan, que teria recebido a mulher com tapas, puxões de cabelo e outros golpes certeiros. Sidineia divulgou fotos de suas cicatrizes e hematomas e já pediu até ajuda da Câmara Municipal de Porecatu para ter acesso às fitas do circuito interno de televisão da Prefeitura, que poderiam comprovar parte de sua teoria.

Importante e justo esclarecer que, em seu perfil no Facebook, o Prefeito Walter Tenan postou nota de esclarecimento, em que acusa Sidineia de “reincidência” neste tipo de acontecimento. Ainda segundo a nota de Tenan, ela teria entrado repentinamente em seu gabinete, “alterada, proferindo palavras de baixo calão” e agredindo fisicamente ao Prefeito, “com socos e tapas que provocaram algumas escoriações pelo rosto, pescoço, além de ter quebrado com um soco o óculos que usava naquela ocasião”. Os dois registraram boletim de ocorrência. Julgar quem tem razão agora é tarefa dos órgãos competentes de justiça daquele Estado.

Fato é que, além de se preocuparem com as leis de Responsabilidade Fiscal, Ficha Limpa e Improbidade Administrativa, agora os Prefeitos brasileiros precisam ser ainda mais cuidadosos e incluir no rol de estudos a compreensão plena da Lei Maria da Penha e até de alguns artigos específicos do Código Penal.

E que fiquem atentos os cidadãos de São Paulo, maior Prefeitura do país. Em evento recente na capital, Fernando Haddad revelou ser faixa preta em taekwondo e ex-praticante de kung fu. Seus onze milhões de habitantes que se cuidem e escolham bem as palavras na hora de reclamar.