Prefeito: profissão perigo - Humberto Dantas
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Prefeito: profissão perigo

Eder Brito

21 janeiro 2015 | 12:30

O título do post em nada tem a ver com Angus MacGyver, personagem principal da famosa série interpretado por Richard Dean Anderson nos anos 80 e 90. E tem tudo a ver com a história recente da gestão pública municipal no país e como ela consegue provar algo “exótico”: os riscos que envolvem ser Prefeito de uma cidade brasileira. Assumir este cargo tornou-se tarefa ingrata e pode representar até mesmo ameaça para a integridade física do sujeito que topa a parada.

Há um senso comum (às vezes injusto) de que qualquer postulante a um cargo como este, automaticamente torna-se uma “pessoa ruim”, propensa ao exercício da corrupção, mal-intencionada e totalmente desprovida do senso solidário e fraterno que busca o bem comum. Em outras palavras, basta a intenção de tornar-se “político” para tornar-se alvo de desconfiança. Isso por si só já é um peso a ser carregado, no mínimo por quatro anos. E além desta desconfiança geral, baixos orçamentos para fazer o que é preciso e muitas tarefas impostas pela Constituição aos governos locais, também há o perigo de ser… espancado, agredido, ameaçado de morte ou até ter seu patrimônio físico reduzido a cinzas.

Aconteceu no final de 2014 com Webston Pinheiro (PRB), prefeito de Solonópole, no Ceará, agredido em frente à sua casa por um grupo de opositores. Eles celebravam com rojões e gritaria a vitória de Camilo Santana (PT), recém eleito governador do Ceará. Webston, apoiador declarado de outro candidato, foi tirar satisfação e pedir que cessasse a algazarra. Numericamente em desvantagem, foi vítima de chutes, sopapos e empurrões. O mesmo aconteceu agora em janeiro de 2015 com Miguel Barbosa (PP), Prefeito de Bom Jardim, Pernambuco. Ele foi vítima de uma emboscada do filho, do cunhado e do sobrinho de João Lira, ex-prefeito daquele município. Saiu do infeliz encontro com a mão direita ferida graças aos chutes que recebeu do trio.

No sul do país, o tucano Zeca Foiatto, prefeito de Guarujá do Sul-SC correu ainda mais perigo. A caminho de uma chácara, dirigindo sozinho, teve o para-brisa atingido por uma pedra. Ao estacionar para verificar o ocorrido, foi rendido por dois homens encapuzados e tomou uma pedrada na cabeça. Inconsciente, acordou e viu-se trancado dentro do próprio carro, em chamas. Conseguiu fugir e até agora, nem Zeca e nem a Polícia Civil entenderam o que houve. Nada foi roubado.

Prefeito de Portalegre, no Rio Grande do Norte, (não confundir com a capital gaúcha), Neto da Emater (PMDB) foi agredido em seu próprio gabinete por um arquiteto que não concordava com os termos de uma licitação em que participava. Neto saiu do embate com ferimentos depois dos pontapés e socos que teve de aguentar.

Mas certamente não há caso pior do que o que ocorreu semana passada em Coari, no Amazonas. Um grupo de servidores públicos, revoltados, entre outras coisas, com o atraso de seus salários, incendiaram a casa do Prefeito Igson Monteiro (PMDB), isso depois de invadir o local e quebrar tudo que encontravam pela frente. Não satisfeitos, ainda invadiram um segundo imóvel pertencente ao Prefeito e também deram o mesmo fim piromaníaco ao local. A Picape S10 de Igson que encontraram pela frente também foi destruída. Não satisfeitos, os servidores ainda decidiram invadir e destruir a Câmara Municipal.

Vale lembrar que Igson foi cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e lida com várias acusações de improbidade. Tem “culpa no cartório”, de acordo com a Justiça. Neste caso realmente fica perigoso e não dá pra se safar. Nem com a ajuda do MacGyver.

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