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Pés Trocados

Eder Brito

26 junho 2014 | 11:57

“É uma questão de uso pessoal. É uma forma de expor em razão do sistema. Até o momento, eu entendo que o Brasil está caminhando para andar direito e o pé trocado também faz a sua manifestação de estar tudo bem, tudo bem. É uma questão de uso pessoal. É o meu jeito, é uma forma de agir, uma questão de princípios pessoais”.

Esta frase acima aparentemente não diz “nada com nada” e fora de contexto poderia até ser atribuída a alguém que esteja passando por um momento de embriaguez. Mas a frase é de um prefeito brasileiro, proferida em momento de plena consciência. O nome dele é Edvardo Antônio da Rocha, é filiado ao PSDB e venceu as eleições municipais de 2012 no Piauí, numa cidade fundada em 1995, chamada Sussuapara.

Edvardo tem um outro apelido, mais popular do que seu nome de batismo e que lhe rendeu atenção do eleitorado. Pés Trocados é a alcunha pela qual o chefe do executivo sussuaparense é conhecido. Ele adotou o apelido fazendo o óbvio: anda por aí com um inusitado par de sapatos diferentes, com um calçado marrom no pé direito e outro preto no pé esquerdo. O motivo? É isso que ele tenta esclarecer com a frase que inicia este texto, na resposta a um repórter de televisão quando entrevistado no ano passado. E, ao meu ver, não consegue explicar.

Deparo-me com o caso de Pés Trocados no mesmo momento em que acompanho o debate de futuros candidatos a deputado federal e deputado estadual sobre a escolha de seu “nome de urna”. Edvardo levou o “Pés Trocados” para a disputa de 2012 e conseguiu convencer mais de 52% do eleitorado daquele município. A discussão dos futuros candidatos a deputado também envolve uma série de pessoas tentando encontrar um nome que congregue as duas coisas: um nome forte, atraente, já que “o eleitor brasileiro presta muita atenção no nome mesmo” e, simultaneamente, um nome que represente os ideais daquele candidato e dos grupos que o apoiam.

No final das contas, Pés Trocados foi eleito e até hoje não sabe explicar muito bem a escolha do apelido e do visual inusitado. Sabe apenas que é um nome forte e que atraiu os eleitores. Mas não sabe indicar qualquer significado claro. Tenho medo de que o motivo seja simples demais, tanto no caso do Edvardo quanto no caso dos futuros candidatos a deputado: apenas criar um produto elegível. Que eu esteja errado.