“Papai Noel existe mesmo e mora lá”, na Câmara Municipal de SP!

Camila Tuchlinski

23 Dezembro 2016 | 08h03

O “bom velhinho” visitou os vereadores paulistas nesta semana e deu, como presente de Natal, um reajuste salarial de 26,3% a partir do ano que vem. Ironias à parte, 30 dos 55 vereadores aprovaram o aumento dos próprios salários. A proposta foi votada em menos de cinco minutos.

Os 55 políticos, que recebiam R$ 15.031,76, passarão a receber quase 19 mil. O valor obedece o índice máximo de salário permitido pela Constituição Federal e corresponde a 75% dos rendimentos dos deputados estaduais.

Alguns vereadores não vão desfrutar dos valores, pois não foram reeleitos. No entanto, “diante do gigantismo do cenário de crise econômica no País”, essa aprovação é, no mínimo, aviltante! Para justificar o reajuste, os vereadores alegam, em texto, que “a fixação pelo valor máximo permitido justifica-se diante do gigantismo de São Paulo, a maior cidade do Brasil, cujos problemas sociais, econômicos, políticos e culturais exigem dos vereadores envolvimento e dedicação proporcionais à responsabilidade do mandato que exercem”.

Até então, os vereadores eram proibidos de aumentarem seus próprios salários na mesma legislatura. Agora, com a aprovação do projeto nesta semana, eles poderão definir a revisão anualmente.


Uma curiosidade: na semana passada, o presidente da Câmara Municipal, Antônio Donato, havia retirado da pauta o aumento salarial para que não fosse votado. Eis que na última terça-feira, semana que antecede o Natal, os nobres vereadores decidem recolocar o projeto para a discussão. Será que para aproveitar que as pessoas estão ‘distraídas’ com as festas de fim de ano? Ah, mas eu duvido que o paulistano se esquecerá que, no ano em que temos mais de 12 milhões de desempregados no País, os vereadores de São Paulo tomaram essa atitude egoísta!

A quem interessar possa, eis o posicionamento de cada vereador:

* Votaram a favor do próprio aumento salarial: Abou Anni (PV), Adilson Amadeu (PTB), Adolfo Quintas (PSDB), Alfredinho (PT), Antônio Donato (PT), Arselino Tatto (PT), Atílio Francisco (PRB), Celso Jatene (PR), Claudinho Souza (PSDB), Conte Lopes (PP), Dalton Silvano (DEM), David Soares (DEM), Eduardo Tuma (PSDB), Gilson Barreto (PSDB), Jair Tatto (PT), Jonas Camisa Nova (DEM), Juliana Cardoso (PT), Milton Leite (DEM), Nelo Rodolfo (PMDB), Noemi Nonato (PR), Paulo Fiorilo (PT), Paulo Frange (PTB), Quito Formiga (PSDB), Reis (PT), Ricardo Teixeira (PV), Senival Moura (PT), Souza Santos (PRB), Toninho Paiva (PR), Vavá (PT), Wadih Mutran (PDT)

* Votaram contra: Toninho Véspoli (PSOL), Ricardo Nunes (PMDB), Mario Covas Neto (PSDB), Patrícia Bezerra (PSDB), Aurélio Miguel (PR), Gilberto Natalini (PV), Aurélio Nomura (PSDB), José Police Neto (PSD), Ota (PSB), Andrea Matarazzo (PSD) e Salomão Pereira (PSDB).