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O preço (eleitoral) da água

camilatuchlinski

01 agosto 2014 | 08:00

Alguns assuntos têm sempre lugar garantido nos debates eleitorais: saúde, educação, segurança, etc. Em 2014, para a disputa ao Palácio dos Bandeirantes, o tema ‘crise da água’ em São Paulo certamente será vedete. Porém, o assunto nunca foi novidade para quem vive em Itu, no interior paulista.

Nesta semana, o Ministério Público do Estado recomendou calamidade pública por falta de água na cidade, que está com nível de reservatório praticamente zerado. A população (mais de 150 mil habitantes) sofre com racionamento pesado desde fevereiro. Em alguns bairros do município, a água só aparece a cada três dias! E aí você pergunta se esse problema é recente. A resposta é não.

Moradores reclamam sobre falta d’água em Itu há pelo menos dez anos. Em 2007, o então prefeito Herculano Passos, do PSD, tercerizou o problema para a empresa Águas de Itu. Herculano se elegeu, inclusive, prometendo resolver a questão. A concessão é de 30 anos e a empresa se comprometeu a investir na recuperação, melhoria e ampliação dos sistemas de água e de esgoto no município. Até hoje, o cidadão não viu, nem de longe, tais promessas cumpridas.

Em 2012, o forte candidato à prefeitura de Itu era Antônio Luis Carvalho Gomes, o Tuize, também do PSD. O plano de governo do recém empossado prefeito Tuize só contemplava a seguinte frase a respeito do problema da água na cidade: ‘Gestão adequada e monitorada das águas do Município’ (vide link http://divulgacand2012.tse.jus.br/divulgacand2012/mostrarPropostaGoverno.action?sqCand=250000006750&codigoMunicipio=65790)

Agora, dois anos depois de deixar a prefeitura, Herculano Passos define o racionamento como ‘falta de investimento e planejamento’. Ué, mas até ontem ele também não era responsável pela cidade? É de causar espanto também a facilidade com que Herculano mexe na ferida, já que o atual prefeito é colega de partido.

Itu é conhecida pela excentricidade das coisas graaaaandes, graças ao humorista Simplício. O que precisaria ser grande é o volume de água para abastecer a cidade.

O fato é que questões ambientais como água, lixo e tratamento de esgoto normalmente não rendem votos nas urnas. Ainda não.