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Greves milionárias

camilatuchlinski

11 julho 2014 | 08:00

O promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo Maurício Ribeiro Lopes investigou, durante um mês, os motivos e a legalidade das greves de motoristas de ônibus e de metroviários às vésperas da Copa do Mundo no Brasil. Recebeu informações do Metrô e descobriu que mais de sete milhões de passageiros foram impedidos de usar o transporte público entre os dias 05 e 09 de junho. Além disso, calculou os prejuízos para a cidade, como o caos no trânsito e danos morais daqueles que perderam compromissos – consulta no médico,  entrevista de emprego, etc (certamente danos inestimáveis).

A multa ajuizada pelo representante do MP é de R$ 354 milhões ao Sindicato dos Metroviários. Aí você pergunta: ‘como o promotor chegou a esse montante? Ele mesmo explica: “É uma conta modesta, até ‘mixuruca’. Considerei o número de passageiros prejudicados e multipliquei por um trigésimo do salário mínimo, o que dá metade desse valor. Pelos danos morais paralelos, dobrei o montante”.

Um pouco antes de os metroviários cruzarem os braços, motoristas e cobradores de ônibus decidiram paralisar os trabalhos. Na ocasião, muitos passageiros foram pegos de surpresa e expulsos dos coletivos antes de chegar ao destino (eu fui vítima também!). Na época, os grevistas se intitulavam ‘dissidentes’ e acusavam o próprio sindicato da categoria de não repassar o valor acordado com os empresários. O fato é que milhares de paulistanos, de novo, foram feitos reféns do transporte público. Com relação à isso, o promotor Maurício Ribeiro Lopes também foi incisivo: multa de R$ 131 milhões. As alegações para uma penalidade milionária são as mesmas do ‘caso metroviários’.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: será que esses sindicatos terão como pagar multas que, juntas, dão quase meio bilhão de reais? “Sei que essa é uma multa impagável para os sindicatos. Sei que não têm recursos, mas isso precisa ficar de lição. A sociedade precisa ter uma ideia do prejuízo dessas paralisações, que têm cunho meramente político, oportunista. Paralisações que não são feitas para reivindicar melhoria de condições de trabalho e que são feitas para colocar uma faca no pescoço do administrador público”, afirma Lopes. Pergunto ao promotor o por quê de estabelecer uma penalidade tão alta, sabendo que os sindicatos não têm como pagar: “Espero ‘raspar o tacho’ que eles têm! Espero tirar até a última moedinha do cofre deles. Sei que a multa não vai chegar a 10% desse valor, porém, esse é o valor mínimo dos prejuízos da cidade”.

O trabalhador, o estudante, o paulistano que se sentiu refém de alguns que dominam o transporte público durante as greves podem se sentir ‘vigados’ com a ação do Ministério Público? Será que a Justiça comum ou a do Trabalho conseguirão punir os responsáveis pelo caos em São Paulo? Não perca os próximos capítulos dessa novela!
PS: quem quiser relembrar o post ‘E teve metrô!’, retratamos a briga entre metroviários e governo em meados de junho. Vale à pena http://blogs.estadao.com.br/humberto-dantas/e-teve-metro/