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Quem Faz

HUMBERTO DANTAS Cientista social, doutor em ciência política, professor do Insper e da FESP-SP, e colunista da Rádio Estadão. EDER BRITO Jornalista, mestre em administração pública, servidor público em São Paulo e coordenador de projetos da Oficina Municipal. CAMILIA TUCHLINSKI Jornalista, radialista, apresentadora e repórter da Rádio Estadão. Cobre assuntos gerais. Observadora e curiosa sobre a política nacional.
sexta-feira 19/12/14 08:38

Impunidade é pouco

Há dois dias estou com um nó entalado na garganta. Eu e boa parte da sociedade brasileira. Isso porque a instância máxima da Justiça deste País decidiu anular o caso Celso Daniel. O então prefeito de Santo André, na Grande São Paulo, foi executado a tiros em 2002, em um crime muito mal explicado. A polícia alega que tratou-se de um crime comum. Para o Ministério Público de São Paulo, teve motivação política. Dos sete acusados, seis foram submetidos a ...

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segunda-feira 15/12/14 07:42

Uma república no Brasil

Este blog é sobre municípios. Mas vou escapar para falar de uma cidade. Como assim? Você deve estar pensando. Cidade e município não são sinônimos? Calma: vou falar da Cidade Universitária, uma das muitas desse país, localizada em São Paulo. Passei 14 anos estudando por lá, de 1993 a 2007. Entre 1995 e 2000 também trabalhei lá dentro. E entendo que nesse período vi muita coisa e continuo vendo. Muitas delas geniais, outras deprimentes. Vou me concentrar naquilo que entendo ...

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sexta-feira 12/12/14 08:05

Show do milhão em São Paulo

Há muitos e muitos anos o Ministério Público de São Paulo tenta recuperar parte dos desvios de verbas ocorridos na construção do Túnel Ayrton Senna e da Avenida Água Espraiada durante a administração de Paulo Maluf na Prefeitura de São Paulo nos anos 90. Nesta semana, mais de R$ 40 milhões foram depositados nos cofres do município. Mas nenhum centavo saiu do bolso do ex-prefeito: o banco alemão Deutsche Bank pagou a indenização. A instituição não estava diretamente envolvida com o ...

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segunda-feira 08/12/14 07:03

Entre o rodízio gaúcho e o arroz com feijão paulista

Não. Nem pense que agora esse blog virou um espaço para o Caderno Paladar, nós não temos essa competência. Mas quando terminaram as eleições estaduais de 2014 fiquei com uma impressão curiosa. Entre São Paulo e o Rio Grande do Sul deve haver algo equilibrado em termos de política. Mas por que entre estes dois estados? Simples. Desde 1994, quando as eleições estaduais e federais ocorrem concomitantemente, São Paulo nunca deixou de eleger o PSDB para o governo estadual e o Rio Grande do Sul nunca reelegeu, ou manteve, um mesmo partido no poder. Seria possível dizer que entre a total alternância gaúcha e a absoluta manutenção paulista há algo mais, digamos assim, equilibrado? Será que os gaúchos não gostam da manutenção de uma sigla no poder e os paulistas temem qualquer coisa que seja diferente do habitual?

Para responder a tal questão entendi, como é de praxe nesse blog, que um caminho razoável seria recorrer a dados municipais. No portal do IPEA, do governo federal, acessei facilmente a base de informações que nos oferta o partido que venceu a eleição municipal em cada cidade desde 1996. Pausa. Vamos fazer uma queixa: será que não existe uma boa alma pra atualizar o portal do IPEA com os dados do pleito de 2012? Não estou falando das eleições de 2014, que mal terminaram e sequer empossou os vencedores, mas um órgão grande, importante, não pode ser tão desatualizado assim nas informações que presta aos cidadãos. Paciência! Mas vamos voltar, e chamemos a “inalternância” de São Paulo de “modo paulista de eleger” e a constante mudança do Rio Grande do Sul de “modo gaúcho de eleger”. Quem você acha que responde melhor pelo estilo brasileiro de fazer política municipal? Por uma questão de probabilidade, predominantemente de probabilidade, é esperado que o modelo gaúcho se sobressaia – algo que lembra, inclusive, o principal item da gastronomia daquele estado, a saber, o rodízio gaúcho (ou “espeto corrido” em linguagem local). Então pronto: entre 1996 e 2008 a não repetição seguida (concomitante) de um partido político no poder local ocorreu em, pelo menos, 1.800 cidades brasileiras. Nesses casos, vale lembrar que o banco de dados não é capaz de respeitar mudanças de nomes dos partidos. Assim, se um prefeito foi eleito pelo PFL e reeleito pelo DEM, por exemplo, as informações nos darão a falsa impressão de mudança.

Em contrapartida ao rodízio gaúcho teríamos o tradicional e inalterado, sinônimo de mesmice: arroz e feijão paulista, que se repetiu em apenas 166 cidades entre 1996 e 2008, a despeito de um prefeito ter mudado de partido e continuado no poder, por exemplo. Diante da tentativa de delimitar os fenômenos, fica uma pergunta ainda mais curiosa: quantas cidades gaúchas servem o arroz e feijão paulista, e quantos municípios paulistas são adeptos do rodízio gaúcho? Para entender essa “lógica reversa” vou incluir as eleições de 2012. E assim, aceitemos as restrições técnicas do bem humorado blog, descontando o fato de não se tratar de um exercício acadêmico, mas sim de um jogo de curiosidades.

Como resultado, no Rio Grande do Sul, pelo menos 11 municípios mantêm inabalado o partido que controla a política municipal desde 1996 – consideradas apenas as legendas que também não mudaram de nome e a despeito de cassações e coisas do tipo. Ou seja, as urnas trazem um mesmo partido vencedor em cidades como Toropi, Barra do Guarita etc. E em locais com nomes curiosos associados ao fenômeno paulista como: Três Coroas, que marcaria a lógica de um reinado partidário, ou São José dos Ausentes, simbolizando de forma absoluta a ausência da lógica alternante estadual. Em termos partidários, o líder absoluto no quesito arroz e feijão no Rio Grande do Sul é o PMDB, com nove cidades, e o PDT fecha a conta com duas. Já em São Paulo, temos pelo menos 114 cidades que parecem afeitas ao padrão “sequência partidária”, uma forma de os gaúchos falarem em rodízio de comidas em geral. Curioso que em 31 delas um partido que governou em outrora sequer voltou ao poder depois, ou seja, alternância partidária pura: partidária! É o caso de Bebedouro, onde o democrático revezamento de legendas parece matar a sede: PSDB, PT, PMDB, PV e DEM, em ordem cronológica. Ou ainda Redenção da Serra, onde a democracia “se libertaria” da inalternância estadual com PTB, PPB, PSDB, PDT e PMDB. Curiosidades à parte, um arroz com feijão e carne pegaria melhor, não? Trata-se de uma receita mais equilibrada capaz de mesclar e, quem sabe agradar, paulistas, gaúchos e brasileiros em geral.

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sexta-feira 05/12/14 08:00

CPI do Esgoto em Cotia

esgoto 01

Enquanto todo mundo agora fala em CPI da Sabesp, da falta de água nos bairros, etc, etc, etc, há anos a população de Cotia, na Grande São Paulo, cobra resultados da chamada CPI do Esgoto: Comissão Especial de Inquérito para apurar a prestação de serviços da Sabesp e a poluição dos mananciais da cidade. A denúncia foi encaminhada pelo ouvinte da Rádio Estadão Rogério Olmo, morador da região. A Câmara Municipal de Cotia instalou, em 2008, uma CPI para apurar irregularidades ...

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quarta-feira 03/12/14 15:52

Democracia sem calcinha

Em 1968, durante a realização do concurso Miss America, nos Estados Unidos, um grupo de 400 ativistas de movimentos feministas protestava contra a exploração comercial realizada contra as mulheres, que tinha no concurso um grande símbolo. Elas espalharam pelo local um monte de sutiãs, sapatos de salto alto, cílios postiços, maquiagem e vários outros acessórios que representam a “beleza feminina”. Os sutiãs nunca foram queimados, mas a mídia batizou a data de “Bra’Burning” e o acontecimento estará eternamente vinculado à ...

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sexta-feira 28/11/14 08:00

Tem mulher na área da Câmara Municipal de Gaspar

Uma comissão de gestão pública composta só por mulheres. Esse é o exemplo da Câmara Municipal de Gaspar, em Santa Catarina, a 80 km de Florianópolis. O fato é inédito na história do Legislativo. O grupo vai ajudar na elaboração e debate sobre o Plano Diretor da cidade e será responsável por analisar e fiscalizar obras e serviços realizados pelo Executivo. Apesar da iniciativa pioneira, dos 13 vereadores de Gaspar, apenas três são mulheres. Os cargos na comissão foram preenchidos também ...

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quarta-feira 26/11/14 16:15

Lá no Beco do Cotovelo

As redes sociais na internet e as seções de comentários do noticiário na web viraram um dos points favoritos do brasileiro para debater política e questões da vida pública.  Mesmo com essa crescente tendência, ainda existem locais no país em que é possível fazer isso ao vivo, cara a cara, olho no olho. O Beco do Cotovelo, localizado no centro de Sobral, no Ceará é um destes tradicionais pontos de encontro e debate. O beco é um “corredor” com bares e ...

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segunda-feira 24/11/14 07:05

Um apelo familiar

Já foi tema desse blog a declaração, no mínimo imbecil, de vereador de Piraí, Rio de Janeiro, defendendo em 2013 que mendigo deveria virar ração para peixe. Dias depois dessa pérola do preconceito nacional, uma vereadora da capital fluminense reforçou a ideia de ódio aos moradores de rua que costuma povoar a mente de certos indivíduos que confundem “liberdade de expressão” com “livre exercício do não-pensamento”. Leila do Flamengo, do PMDB, falou que mendigos são “homens fortes e bêbados que ...

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