‘Yunes está sendo punido por ser amigo do presidente’, diz defesa

‘Yunes está sendo punido por ser amigo do presidente’, diz defesa

Advogado José Luis Oliveira Lima afirma que respeita atuação da PGR, mas reage e sustenta que Ministério Público 'especula'

Fausto Macedo

01 Abril 2018 | 17h05

José Yunes. Foto: Felipe Rau/Estadão

O advogado Jose Luis Oliveira Lima, que defende o empresário José Yunes, reagiu à prisão do amigo do presidente Michel Temer (MDB) na Operação Skala. “Yunes está sendo punido por ser amigo do presidente.”

O empresário foi preso pela Polícia Federal na quinta-feira, 29, na investigação que apura supostas irregularidades no Decreto dos Portos, por ordem do ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Yunes e outros investigados da Skala foram soltos na madrugada deste domingo, 1, após pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e determinação de Barroso.

ESTADÃO: Que medidas pretende tomar após a prisão de José Yunes?

JOSE LUIS OLIVEIRA LIMA: Vamos procurar mais uma vez o Ministério Público e nos colocar à disposição para prestar qualquer esclarecimento no sentido de demonstrar a correção de José Yunes.

ESTADÃO: Por que a prisão de Yunes é uma violência contra o Estado Democrático?

JOSE LUIS OLIVEIRA LIMA: Porque José Yunes procurou espontaneamente as autoridades competentes e prestou três depoimentos e sempre esteve à disposição. Porque Yunes ao longo de mais de 50 anos de atividade profissional jamais teve qualquer mancha na sua vida.

ESTADÃO: Yunes foi citado em delação de Funaro no caso do “milhão”. Como explica isso?

JOSE LUIS OLIVEIRA LIMA: Yunes não foi citado inicialmente na colaboração de Funaro, mas sim na de Claudio Melo. Imediatamente após a divulgação dessa colaboração, demonstrando boa fé, procuramos a PGR e José Yunes esclareceu detalhadamente os fatos, negando ter recebido qualquer importância em dinheiro. Na época, Funaro negou publicamente ter estado com Yunes, inclusive chegou a processa-lo por essa afirmação. Depois, Funaro mudou de versão, como costumeiramente faz.

ESTADÃO: Qual o envolvimento do Yunes no decreto dos Portos?

JOSE LUIS OLIVEIRA LIMA: Yunes não tem nenhuma relação com o decreto dos portos ou qualquer outro tema portuário. Não conhece e nunca esteve com os representantes da Rodrimar. Essa acusação é totalmente descabida e improcedente.

ESTADÃO: Onde está o erro da investigação da PGR?

JOSE LUIS OLIVEIRA LIMA: Quero registrar o meu respeito pelo Ministério Público, que exerce importante papel na sociedade, mas no caso de José Yunes o MP erra ao especular sem qualquer prova a participação do nosso cliente em eventual conduta ilícita. Não há absolutamente nada, nada, que incrimine ou desabone a conduta de José Yunes.

ESTADÃO: A ordem do Ministro Barroso será questionada?

JOSE LUIS OLIVEIRA LIMA: Imediatamente após a detenção de José Yunes nós requeremos a sua liberdade. Com a revogação da prisão, não há mais o que se questionar na decisão do Ministro.

ESTADÃO: A prisão de Yunes busca atingir o presidente? Por quê?

JOSE LUIS OLIVEIRA LIMA: Seria leviano se fizesse tal afirmação, pois entendo que o MPF não atua movido por interesses políticos. Mas é evidente que a amizade de cinco décadas com o presidente está sendo mal interpretada. José Yunes está sendo punido por ser amigo do presidente.

ESTADÃO: Que negócios comerciais Yunes fez com o presidente?

JOSE LUIS OLIVEIRA LIMA: Além de amigos, Yunes e o Presidente Michel Temer possuem sólida carreira jurídica, notoriamente reconhecidos como grandes advogados. Realizaram poucas transações de compra e venda de imóveis, algumas há quase vinte anos, tudo declarado pelo valor real e perfeitamente condizente com o patrimônio de ambos. Tudo perfeitamente normal e comum.

ESTADÃO: A prisão de Yunes foi um exagero?

JOSE LUIS OLIVEIRA LIMA: Como já pontuei, a prisão foi uma violência, atingiu um homem com mais de 50 anos de conduta ilibada e que teve a sua reputação atingida. Sua família, seus filhos e netos foram atingidos. Alguém que já tinha prestado três depoimentos, colaborado com as investigações, por que deveria ser preso? Apenas para ser ouvido e logo depois ser solto? Nenhum fato concreto foi apontado que justificasse a sua prisão, que repito, foi uma violência.

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