Yunes diz que Funaro é ‘pessoa de baixíssima credibilidade, péssima personalidade’

Yunes diz que Funaro é ‘pessoa de baixíssima credibilidade, péssima personalidade’

Em petição ao ministro Edson Fachin, do Supremo, advogados do ex-assessor especial do presidente Michel Temer pedem 'acesso ilimitado' aos termos da delação premiada do doleiro que o acusou de repassar propinas da Odebrecht

Luiz Vassallo e Julia Affonso

14 Setembro 2017 | 18h42

José Yunes. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

O advogado José Yunes, ex-assessor especial do presidente Michel Temer, pediu nesta quinta-feira, 14, ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, ‘acesso ilimitado’ aos termos da delação premiada do doleiro Lúcio Funaro.  Em um depoimento, Funaro afirmou que Yunes e também o ex-ministro Geddel Vieira Lima teriam sido responsáveis pelo repasse de propinas da empreiteira Odebrecht.

“Lúcio Funaro é pessoa de baixíssima credibilidade, portador de péssima personalidade e com vida pregressa repleta de passagens criminais e com histórico de desrespeito ao Poder Judiciário”, afirma Yunes, por meio de seus advogados, José Luís Oliveira Lima, Rodrigo Dall’Acqua e Anna Luiza Souza.

Yunes quer acesso, ainda, a ‘todos os elementos de prova’ relacionados  ao acordo de colaboração de Funaro, incluindo, mas não se limitando, aos anexos  em que ele é mencionado.

Os advogados do ex-assessor de Temer são taxativos quando apontam para o polêmico instituto da colaboração. Eles citam o caso do Grupo J&F, controlador da JBS, cujos principais acionistas foram presos após fecharem pacto com a Procuradoria-Geral da República.

“O recente e rumoroso episódio em que a Procuradoria-Geral sustenta que executivos da J&F agiram fraudulentamente e omitiram informações em colaboração premiada, recomenda o máximo de transparência e cautela com o uso desse relativamente novo instituto processual”, assinalam os advogados de Yunes.

“A transparência e a cautela imprescindíveis para qualquer investigação originada de uma colaboração premiada devem ser redobradas em se tratando o colaborador de Lúcio Bolonha Funaro, pessoa que, segundo a Procuradoria-Geral da República, ‘é personagem antigo dos noticiários policiais nacionais, envolvido em grandes escândalos de corrupção do Brasil nos últimos tempos, (…) pessoa que tem o crime como modus vivendi’, exemplificando sua trajetória criminosa com a sua atuação no escândalo do Bancoop, caso Banestado, Operação Satiagraha’, etc.. ”

A Procuradoria, ainda segundo os defensores de José Yunes, sustenta que Funaro ‘desrespeitou um acordo de colaboração premiada referente ao caso Mensalão, em “verdadeira traição ao voto de confiança dado a ele pela Justiça brasileira’.

 “De fato, reforçando a afirmação da PGR de que Lúcio Funaro não respeita a Justiça brasileira, note-se que recentemente o mesmo ingressou com ação penal contra o requerente (Yunes) acusando-o da prática de crimes que sabe ser inocente, justamente em razão de declarações sobre os fatos em apuração nesse inquérito”, assinalam os advogados de Yunes.

“Lúcio Funaro, portanto, fez descabido uso do Poder Judiciário para realizar falsas acusações contra José Yunes.”

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