Youssef diz que comprou helicóptero e cedeu para Argôlo usar em campanha

Youssef diz que comprou helicóptero e cedeu para Argôlo usar em campanha

Segundo o doleiro da Lava Jato, político fez parte do rol de parlamentares que recebiam repasses mensais da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás

Redação

12 Fevereiro 2015 | 15h05

Por Julia Affonso, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

O doleiro Alberto Youssef, personagem central da Operação Lava Jato, afirmou em delação premiada, feita em outubro do ano passado, que emprestou um helicóptero para o político Luiz Argolo (SDD-BA) usar na campanha eleitoral de 2014. Na época, Argolo foi candidato a deputado federal. Ele teve 63.649 votos e tornou-se suplente.

Segundo Youssef, Argolo comprou a aeronave em 2012, mas não teve dinheiro para quitar as prestações. O político teria pedido dinheiro emprestado ao doleiro para fazer os pagamentos. Youssef contou à Polícia Federal que não aceitou e fez uma contraproposta.

“Tendo Youssef se negado a fazer, propondo que quitasse as prestações e ficasse com a aeronave, emprestando o bem a ele para que utilizasse até a campanha eleitoral de 2014. Que Argolo aceitou a proposta. Youssef pagou 700 mil reais por meio da empresa GFD, em nome da qual foi registrada a aeronave, que esse valor foi pago à vista, não sendo formado contrato entre Argolo e o vendedor da aeronave”, diz a delação premiada.

Luiz Argôlo. Foto: Divulgação. 7/2/2014

Luiz Argôlo. Foto: Divulgação. 7/2/2014

À PF, o doleiro informou também que “João (Luiz) Argôlo fazia parte do rol de parlamentares do PP que recebia repasses mensais a partir dos contratos da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás”. Argôlo deixou o PP no fim de 2013 e transferiu-se para o Solidariedade.

A Diretoria de Abastecimento foi comandada por Paulo Roberto Costa, entre 2004 e 2012. Segundo a PF, ele atuava como parceiro nos negócios de Youssef na Petrobrás. Preso no ano passado, o ex-diretor da estatal fez delação premiada e hoje cumpre prisão domiciliar no Rio.

Procurado, o partido informou que não poderia se pronunciar sobre o caso, por se tratar de uma questão particular do político. A reportagem tentou contato com Argolo pelo celular. A pessoa que atendeu se identificou como Henrique Júnior, amigo e assessor do político. “(Argôlo) se elegeu em 2011, o diretor saiu em 2012. Qual a razão de ele ajudar o deputado?”. Sobre o suposto envolvimento do político com o helicóptero de Youssef, o amigo disse que não saberia informar nada sobre o caso.

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