Wesley relata R$ 20 milhões em propinas a Kassab, em parcelas mensais

Um dos sócios do Grupo JBS, também delator na Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato, revelou à Procuradoria que repasses foram realizados mensalmente

Valmar Hupsel Filho

19 Maio 2017 | 19h58

 

Gilberto Kassab. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O empresário Wesley Batista, um dos sócios do frigorífico JBS, disse que a empresa fez pagamentos de propinas mensais ao ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), entre o final de 2009 e início de 2017. Os pagamentos, somam R$ 20 milhões, na média de R$ 3 milhões por ano, segundo o empresário.
As afirmações foram feitas no âmbito da delação premiada que o empresário firmou com a Procuradoria-Geral da República.
Wesley disse que o valor pago era um ‘overprice’ (ou seja, um pagamento ‘por fora’) de contratos que Kassab tinha com o frigorífico Bertin e que foram herdados pela JBS quando adquiriu a fábrica, no final de 2009.

Segundo o empresário eram dois contratos. Um contrato relativo ao aluguel de caminhões de propriedade de Kassab, que era legítimo e com execução efetiva do trabalho. O segundo contrato, segundo o empresário, de consultoria, era um ‘complemento’.


 

Em seu depoimento, Wesley afirma que o pagamento em ‘overprice’ era propina, apesar de a empresa não ter relação direta com o ministro.
“A JBS comprou Bertin no final de 2009 e ficou pagando o contrato de aluguel desses caminhões, mais um adicional de R$ 350 mil (por mês), que era propina, em que pese a JBS nunca teve nenhum negócio específico com Kassab”.

Questionado se o assunto foi discutido entre representantes da JBS e Kassab, Wesley afirmou que foram “várias vezes”. “Ele foi no escritório várias vezes e eu também tive com Kassab várias vezes”.

Segundo o empresário, Kassab explicou sua relação com o Bertin quando foi efetuada a compra pela JBS. “Ele disse: olha, tenho um contrato com o Bertin desses caminhões e um outro dessa assessoria, que é um “overprice” dos caminhões e gostaria que vocês mantivessem isso e continuassem. Eu conto com isso”, relatou o empresário.
Segundo o delator, a empresa optou por manter os pagamentos ‘por fora’ pela influência política do ministro, ‘por conta de uma influencia em algum momento’.
Questionado qual era a relação da empresa com Kassab, o delator disse que tanto ele quanto o irmão, Joesley, tinham as ‘portas abertas’.
“Sempre nos atendeu na hora que queríamos falar. Tinha portas abertas para levar as demandas que tínhamos, em que pese não fizemos nenhum negócio específico com ele”, disse.

COM A PALAVRA O MINISTRO DAS COMUNICAÇÕES

As apurações em andamento são importantes para o país e devem continuar como determina a legislação.
Com relação às citações em depoimentos que foram divulgados nesta sexta-feira, cumpre esclarecer que o ministro detém participação societária em empresa prestadora de serviços que opera dentro de estrita legalidade.
Não houve qualquer recebimento de recursos pessoais pelo ministro, o que ficará devidamente comprovado.
Com relação às menções a repasses durante o processo eleitoral em 2014, cabe apontar que não houve “negociação do partido” e as doações recebidas foram registradas junto à Justiça Eleitoral.
O ministro sempre pautou sua conduta pelo cumprimento à legislação.

Atenciosamente,

Alexandre Gajardoni
Assessoria de imprensa
Partido Social Democrático