‘Vou ver o que posso fazer’, disse Temer, segundo dono da Rodrimar

‘Vou ver o que posso fazer’, disse Temer, segundo dono da Rodrimar

Em depoimento à Polícia Federal, nesta quinta-feira, 29, horas após ser preso na Operação Skala, Antônio Celso Grecco atribuiu promessa ao presidente sobre um negócio de interesse do grupo embargado no Porto de Santos; ele ressalvou que 'até a presente data nada foi feito'

Julia Affonso

30 Março 2018 | 16h48

Michel Temer. Foto: Joédson Alves/EFE

O empresário Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar, afirmou à Polícia Federal, em depoimento nesta quinta-feira, 29, que ouviu do presidente Michel Temer (MDB) uma promessa em relação ao embargo de uma obra no Porto de Santos (SP) de interesse do grupo empresarial.“Vou ver o que posso fazer.”

“O declarante tinha como projeto realizar o processo de adensamento com a área vendida para a JBS (Rishis), junto aos órgãos públicos, mas jamais disse para Joesley ou Saud que iria conseguir isso com o presidente Temer; que a resposta do presidente foi simplesmente ‘vou ver o que posso fazer’.”

Grecco completou com uma ressalva. “Até a presente data nada foi feito em relação ao adensamento.”

O dono da Rodrimar pediu um habeas corpus ao Supremo. A relatora sorteada é a ministra Rosa Weber.

A empresa foi alvo de buscas. Na sede, a PF apreendeu papeis com citação a Temer e à empresa Argeplan.

Joesley Batista e Ricardo Saud são executivos da J&F, que controla a JBS.

O empresário foi preso na Operação Skala, que investiga supostos benefícios à empresa Rodrimar na edição do Decreto dos Portos, em troca de propinas destinadas ao presidente. Além do empresário, a Skala prendeu amigos e antigos aliados de Temer, como o advogado José Yunes e o ex-ministro Wagner Rossi (Agricultura), por ordem do ministro Luís Barroso, do Supremo.

Em longo depoimento à PF, Grecco relatou transações com a Eldorado Celulose, do Grupo J&F, para compra de uma área de sua empresa no Porto de Santos. O empresário declarou que montou a empresa Rishis para comprar uma área da empresa Estrada.

“A empresa Eldorado queria comprar a área Rishis e os armazéns 03 e 08, o que acabou ocorrendo parcialmente; a Eldorado primeiramente comprou a Rishis, pretendendo adensar os armazéns 03 e 08, com a intenção de posteriormente montar um grande terminal de celulose, mas o governo não autorizou tal compra; que a Eldorado então construiu um terminal somente da área Rishis”, narrou.

Antônio Celso Grecco declarou à PF que ‘em nenhum momento o presidente Michel Temer, na época, vice-presidente, ou pessoa a ele relacionada, a exemplo de José Yunes ou Rocha Loures, tratou sobre a operação Rodrimar/Eldorado’ com ele.

Yunes, advogado e empresário, é amigo de Temer há mais de 50 anos. Rocha Loures foi assessor do presidente, até ser flagrado, em abril de 2017, com uma mala de R$ 500 mil de propinas da JBS, supostamente destinadas ao emedebista.

O empresário citou Ricardo Mesquita, diretor da Rodrimar. Segundo ele, o executivo pode ter tido ‘contato com alguém dos citados’ para tratar do adensamento das áreas ‘porque a questão foi levada a vários órgãos do governo federal’.

“O declarante esteve uma vez em Brasília/DF, acompanhado por pessoas da Eldorado e tratou diretamente com a vice-presidência, sendo que o declarante foi apresentar o projeto de adensamento (integração das áreas 03, 08 e Rishis) para a construção do terminal de celulose; que o declarante tem conhecimento que pessoas ligadas a Eldorado estiveram em Brasília/DF, não só na vice-presidência mas também na Casa Civil e no Ministério dos Transportes, todavia o projeto nunca foi aprovado”, relatou.

À Polícia Federal, o empresário afirmou que o coronel da PM João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, amigo de Temer, ‘não participou na negociação ou intermediou alguma reunião, nem qualquer tipo de ingerência’ na Rodrimar.

“Não houve o intermédio de qualquer político na negociação e resolução de problemas administrativos sobre o tema; que, uma das obrigações da venda não foi cumprida porque não houve autorização do governo para a junção de áreas no Porto, no formato de adensamento; que a Eldorado/JBS não solucionou o problema e as áreas ainda pertencem ao declarante”, narrou.

Grecco disse à PF que ‘tem conhecimento’ de que durante as obras do terminal Elodrado/RISHIS foi embargada pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

“Não sabe se algum integrante da J&F tenha procurado algum político, inclusive o presidente Temer, para solucionar o problema; que não tem conhecimento do envolvimento da presidente Michel Temer no tocante as negociações da venda da área da Rodrimar à Eldorado ou em relação a solução de algum dos problemas administrativos que surgiram durante ou após a concretização do negócio”, afirmou.

“O declarante tinha como projeto realizar o processo de adensamento com a área vendida para a JBS (Rishis), junto aos órgãos públicos, mas jamais disse para Joesley ou Saud que iria conseguir isso com o presidente Temer; que a resposta do presidente foi simplesmente ‘vou ver o que posso fazer’, mas até a presente data nada foi feito em relação ao adensamento.”

Grecco afirmou ainda que ‘os únicos negócios firmados pela empresa do declarante com o Grupo J&F foram realizados com a empresa Eldorado’. Declarou ainda que não sabe informar ‘a ligação de Michel Temer com o Porto de Santos’.

“Não tem nenhum negócio comercial com o atual presidente Temer; que não tem relação pessoal ou de amizade com os integrantes do Grupo J&F”, disse. “Todo valor financeiro que recebeu do grupo J&F foi relacionado à empresa Eldorado, e referente a serviços prestados pela empresa Rodrimar.”

COM A PALAVRA, O PALÁCIO DO PLANALTO

“O decreto dos portos, sob o qual está amparada a investigação sobre supostos benefícios à empresa Rodrimar, diz literalmente em seu Artigo 47-A, § 3º:

“O disposto neste artigo não se aplica aos contratos firmados antes da vigência da Lei 8.830, de 25 de fevereiro de 1993”.

A mais rasa leitura do decreto teria enterrado, no ano passado, o pedido de abertura de tal investigação pelo então procurador-geral da República Rodrigo Janot. O fato é que a Rodrimar não se encaixa neste parágrafo, neste artigo, no todo do decreto ou na sua interpretação, por mais ampla que se queira, conforme despacho do Ministério dos Transportes: “Conclui-se que as disposições do decreto número 9048/17 não se aplicam aos contratos da empresa Rodrimar S/A”.

Tal decreto nasceu após criação de grupo de trabalho pelo Ministério dos Transportes que realizou amplo e público debate, em reuniões que ocorreram entre setembro de 2016 e maio de 2017. Todas as áreas da Rodrimar serão relicitadas.

Sem ter fatos reais a investigar, autoridades tentam criar narrativas que gerem novas acusações. Buscam inquéritos arquivados duas vezes pelo Supremo Tribunal Federal, baseados em documentos forjados e já renegados formalmente à justiça, e mais uma vez em entrevista à revista Veja deste final de semana.
Tentam mais uma vez destruir a reputação do presidente Michel Temer. Usam métodos totalitários, com cerceamento dos direitos mais básicos para obter, forçadamente, testemunhos que possam ser usados em peças de acusação. Repetem o enredo de 2017, quando ofereceram os maiores benefícios aos irmãos Batista para criar falsa acusação que envolvesse o presidente. Não conseguiram e repetem a trama, que, no passado, pareceu tragédia, agora soa a farsa.

O atropelo dos fatos e da verdade busca retirar o presidente da vida pública, impedi-lo de continuar a prestar relevantes serviços ao país, como ele fez ao superar a mais forte recessão econômica da história brasileira. Bastou a simples menção a possível candidatura para que forças obscuras surgissem para tecer novas tramas sobre velhos enredos maledicentes. No Brasil do século XXI, alguns querem impedir candidatura. Busca-se impedir ao povo a livre escolha. Reinterpreta-se a Constituição, as leis e os decretos ao sabor do momento. Vê-se crimes em atos de absoluto respeito às leis e total obediência aos princípios democráticos”

Mais conteúdo sobre:

Michel TemerRodrimar