Venina relata ‘confronto grande’ com ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás

Ex-gerente executiva da estatal diz à Justiça que o motivo do 'choque' com Paulo Roberto Costa foi um alerta que ela teria feito sobre escalada de preços na Abreu e Lima

Redação

06 Fevereiro 2015 | 03h00

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

A ex-gerente executiva da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, Venina Velosa da Fonseca, disse à Justiça Federal nesta quinta feira, 5, que em 2009 ocorreu “um choque, um confronto grande” entre ela e o então diretor da área, Paulo Roberto Costa. O motivo da desavença, segundo ela, foi o alerta que diz ter feito sobre a “escalada de preços” nas obras da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco – polêmico empreendimento que tornou-se alvo da Operação Lava Jato.

Venina relatou que já em 2008 constatou que na compra de um forno a Petrobrás pagou quatro vezes mais o valor praticado por empresas do exterior. “A partir do momento que nossa área de negócios descobriu o sobrepreço eu informei toda a diretoria.” Segundo ela, “nada foi feito”.

Para Procuradoria, Venina 'pouco esclareceu'  em depoimento à Justiça. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Venina Velosa é ex-gerente da Petrobrás. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A ex-gerente depôs como testemunha de acusação de executivos da empreiteira OAS que está sob suspeita de ter participado de um cartel na Petrobrás para controle de contratos bilionários da estatal. Ela já havia prestado depoimento na segunda feira, 2. Na quarta feira, 4, a Procuradoria da República desistiu de ouvir Venina em outras ações penais da Lava Jato sob o argumento de que ela “pouco esclareceu (no primeiro depoimento)”.

Como não houve tempo hábil para que as defesas de todos os réus fossem comunicadas, a Justiça Federal manteve a convocação da Venina. A ex-gerente executiva abordou a disparada de custos da Abreu e Lima. Ao ser indagada se identificou “algo anormal” nas obras ela foi incisiva. “No caso da refinaria do Nordeste foi anormal a escalada de preços, O projeto era de 2005, com investimentos de R$ 2,4 bilhões. Acompanhei esse projeto até 2009, quando chegou a R$ 13,5 bilhões e o VPL (Valor Presente Líquido) era de menos R$ 1.9 bilhão. Fechou em 2012 com algo em torno de R$ 17 bilhões.”

VEJA O DEPOIMENTO DE VENINA VELOSA FONSECA À JUSTIÇA FEDERAL