Venina diz que Conselho da Petrobrás sabia de inviabilidade de refinaria

Órgão presidido na época por Dilma Rousseff tomou conhecimento de problemas em obra superfaturada em Pernambuco alvo da Lava Jato, diz ex-gerente

Redação

07 Fevereiro 2015 | 10h03

Por Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

A ex-gerente executiva da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás Venina Velosa Fonseca disse à Justiça Federal nesta sexta feira, 6, que o Conselho de Administração da estatal “tinha conhecimento da inviabilidade do projeto da Refinaria de Abreu e Lima” – polêmico empreendimento alvo da Operação Lava Jato. Ela depôs como testemunha de acusação de empreiteiros da Camargo Corrêa e da UTC, que está sob suspeita de ter participado de um cartel na Petrobrás.

Venina disse que o Conselho, na época em que denunciou irregularidades no projeto, em 2009, era presidido por Dilma Rousseff, hoje presidente da República. “O Conselho acompanhava esse projeto que fazia parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), programa coordenado pela Casa Civil”, disse Venina. “Sei que esses fatos chegaram até a diretoria executiva da Petrobrás, mas não sei dizer se esses fatos chegaram ao Conselho.”

Venina afirma que Conselho de Administração sabia de inviabilidade de Abreu e Lima. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Venina afirma que Conselho de Administração sabia de inviabilidade de Abreu e Lima. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Venina citou Dilma ao responder indagação do criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, que defende o executivo Eduardo Leite, vice presidente da Camargo Correa e réu de processo judicial da Lava Jato. Leite está preso desde 14 de novembro, acusado de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Em sua longa explanação no fórum federal de Curitiba, base da Lava Jato, Venina disse que alertou Paulo Roberto Costa, então diretor de Abastecimento da estatal, sobre as irregularidades na refinaria de Pernambuco. Segundo ela, Costa mandou que as obres prosseguissem.

Mariz de Oliveira lhe dirigiu uma pergunta sobre o Conselho de Administração da Petrobrás. Nesse momento, o juiz Sérgio Moro, que conduz as ações criminais da Lava Jato, interrompeu a audiência por cinco minutos alegando “questão urgente”.

Na retomada do depoimento da testemunha, Mariz de Oliveira insistiu. “Todas essas irregularidades (sobre a refinaria de Abreu e Lima) que a senhora colocou em relatórios chegavam ao Conselho de Administração?”

Venina: “O que eu posso dizer é que eles (relatórios) eram apresentados para a diretoria executiva e que o Conselho de Administração acompanhava esse projeto. Nós não participávamos das reuniões do Conselho. Esse projeto fazia parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), programa coordenado pela Casa Civil. Mensalmente, eram informados do andamento do projeto. Agora, sei que esses fatos chegaram até a diretoria executiva da Petrobrás. Eu não tenho como dizer se esses fatos chegaram ao Conselho de Administração.”

Mariz de Oliveira foi adiante. “A senhora disse que a diretoria executiva tinha conhecimento desses fatos todos e não sabe se o Conselho de Administração possuía esse mesmo conhecimento. O diretor presidente participava do Conselho?”

Venina: “O presidente da Petrobrás  participava, os diretores como convidados.”

Ao se referir à Abreu e Lima ela disse que a informação sobre a inviabilidade do projeto foi levada ao Conselho.

“Houve alguma providência por parte do Conselho?”, questionou Mariz de Oliveira. A testemunha disse que não sabe.

Mariz, então, perguntou quem presidia o Conselho de Administração da Petrobrás. Ela respondeu. “A presidente Dilma Rousseff.”

Em seguida, o advogado Antônio Figueiredo Basto, que defende o doleiro Alberto Youssef, perguntou à Venina a quem Paulo Roberto Costa se referia quando disse a ela: “Você quer me derrubar, quer derrubar todo mundo.” – ela contou esse episódio em entrevista para a revista Veja e ao programa Fantástico, da Rede Globo, em dezembro. “Ao presidente Lula a ao Sérgio Gabrielli.”

VEJA NA ÍNTEGRA O DEPOIMENTO DE VENINA