‘Vai juntando um pouco de cada um’, disse Edson Aparecido sobre empréstimo para comprar apartamento de luxo

‘Vai juntando um pouco de cada um’, disse Edson Aparecido sobre empréstimo para comprar apartamento de luxo

Assista ao depoimento do ex-homem forte do Governo Alckmin, atual diretor-presidente da Cohab (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo), prestado em 22 de março de 2016 ao Ministério Público em investigação por suspeita de enriquecimento ilícito

Julia Affonso

16 Março 2018 | 12h58

Edson Aparecido. Foto: Reprodução

O presidente da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab), Edson Aparecido (PSDB), afirmou em depoimento ao Ministério Público de São Paulo que pagou R$ 110 mil em dinheiro vivo como parte do pagamento por seu apartamento. O imóvel é pivô de uma ação civil pública movida pelo promotor de Justiça Marcelo Milani, do Ministério Público de São Paulo.

A Promotoria investiga se Edson Aparecido teria enriquecido de maneira ilícita envolvendo a transação do apartamento.

O depoimento foi prestado em 22 de março de 2016. Edson Aparecido comprou um ‘apartamento suntuoso’, segundo a Promotoria, no 16.º andar de um prédio na Vila Nova Conceição, zona Sul, por R$ 620 mil. Cinco anos antes, o imóvel havia sido adquirido por outros dois compradores por R$ 1,075 milhão.

O ex-homem forte do governo Alckmin – Edson Aparecido ocupou a chefia da Casa Civil do Palácio dos Bandeirantes – detalhou ao Ministério Público a forma de pagamento do apartamento: R$ 200 mil em cheque, um apartamento de R$ 310 mil e R$ 110 mil em espécie.

“São 310 mais 200, são 510. Para 620, 110. Esses 110 paguei em espécie. Foi empréstimo”, disse.

O Ministério Público quis saber de quem Aparecido pegou o empréstimo.

“Aquela coisa, vai juntando um pouco de cada um”, disse. “A menina que trabalhava comigo, a Margarida me emprestou. A própria minha mulher, a Kátia.”

No depoimento, Edson Aparecido afirmou que não se lembrava de quanto havia tomado emprestado com sua secretária pessoal e disse que não havia declarado os valores ao Imposto de Renda.

“Não, declarados, não. Acho que não. Não foram. Eu declarei os valores na compra do imóvel”, afirmou.

Nesta semana, o promotor Marcelo Milani entrou na Justiça com ação civil contra Edson Aparecido, a quem acusa por improbidade administrativa e de quem pediu liminarmente o bloqueio de bens. A Justiça negou o pedido, alegando não identificar lesão ao erário por parte do diretor-presidente da Cohab.

COM A PALAVRA, EDSON APARECIDO
Por meio de sua Assessoria, Edson Aparecido informou que ele próprio solicitou uma audiência com o promotor de Justiça Marcelo Milani, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social – braço do Ministério Público de São Paulo.

“Esse depoimento gravado foi uma audiência que o próprio Edson Aparecido solicitou com o promotor Marcelo Milani.”

“Edson Aparecido não havia sido chamado (para depor). Ele (Edson) pediu audiência espontaneamente para tratar do assunto (a compra do apartamento).”

“Edson Aparecido foi à Promotoria sem advogado, só para conversar sobre o caso.”

“Posteriormente, Edson Aparecido mandou uma documentação para o promotor, que incluía sua declaração ao Imposto de Renda que comprova que dos R$ 110 mil pagos como parte do imóvel, R$ 90 mil foram contraídos como emprestimo do Banco Real. Essa informação consta da declaração ao Imposto de Renda.”

“Na verdade, esse vídeo se refere a uma audiência que o próprio Edson Aparecido pediu ao promotor para conversar sobre o caso.”

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