‘Vai cair junto’, ameaçou ex-diretor da Dersa, segundo Procuradoria

‘Vai cair junto’, ameaçou ex-diretor da Dersa, segundo Procuradoria

Mulher que também é acusada no processo contra Paulo Vieira de Souza teria sido intimidada em pelo menos três ocasiões para não colaborar com as investigações sobre supostos desvios de R$ 7,7 milhões

Igor Moraes

06 Abril 2018 | 12h30

Foto: ROBSON FERNANDJES/ESTADÃO

A prisão preventiva do ex diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza foi motivada por ‘coações’ contra uma mulher, também acusada do processo que investiga desvio de recursos no montante de R$ 7,7 milhões da estatal paulista, entre 2009 e 2011 (governos Serra e Alckmin). De acordo com o Ministério Público Federal em São Paulo, ao menos três ameaças foram recebidas por ela e sua irmã nos últimos dois anos.

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“As ameaças geralmente são veladas. São ameaças de que ela iria sofrer represálias, que iria cair junto. O objetivo da prisão preventiva não é só preservar provas, mas preservar a integridade física da ré”, disse a procuradora Thaméa Danelon, coordenadora interina da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo.

As ameaças contra a mulher, que é colaboradora das investigações, ‘foram realizadas pessoalmente por meio de terceiros e não diretamente pelo ex-diretor’, informou a Procuradoria.

Segundo o Ministério Público Federal, ‘a ameaçada relatou estar sentido medo e teve de se mudar de casa algumas vezes recentemente em razão disso’.

A prisão preventiva de Paulo Vieira de Souza foi decretada no último dia 2 pela Justiça Federal, mas segundo a Procuradoria apenas nesta sexta, 6, a Polícia Federal conseguiu se mobilizar para cumprir a ordem.

Além da prisão, a Polícia também fez busca e apreensão na casa e em outros endereços ligados ao ex-diretor. Segundo a procuradora Thamea, a busca visou apenas objetos eletrônicos.

A coordenadora da Lava Jato em São Paulo esclareceu ainda que até o momento a investigação não envolve nenhum agente público com prerrogativa de foro.

Vieira de Souza também teve bloqueados R$ 113 milhões em quatro contas na Suíça pela juíza federal Maria Isabel do Prado. “Constam das informações que em 7 de junho de 2016 as quatro contas bancárias atingiam o saldo conjunto de cerca de 35 milhões de francos suíços, equivalente a 113 milhões de reais, convertidos na cotação atual”, diz o despacho da magistrada.

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