Politica

TRíPLEX 164-A

Vaccari vai ficar em silêncio diante do promotor que investiga Lula

Ex-tesoureiro do PT, preso desde abril, será interrogado nesta quarta, 2, em Curitiba, sede da Lava Jato, no procedimento do Ministério Público de São Paulo sobre o tríplex 164/A, no Guarujá, que seria do ex-presidente; seu advogado afirma que ele nada vai falar

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo e Julia Affonso

02 Março 2016 | 05h00

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari será ouvido hoje por promotor que investiga tríplex do Guarujá. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari será ouvido hoje por promotor que investiga tríplex do Guarujá. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto vai ficar em silêncio nesta quarta-feira, 2, diante do promotor de Justiça Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, que investiga o tríplex 164/A no Condomínio Solaris, no Guarujá. Preso desde abril de 2015 na Operação Lava Jato, já condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Vaccari foi intimado pelo promotor paulista para depor no Procedimento Investigatório Criminal sobre o imóvel na praia das Astúrias que seria do ex-presidente Lula.

O Condomínio Solaris começou a ser construído pela Cooperativa Habitacional dos Bancários do Estado de São Paulo (Bancoop). Depois, quando a cooperativa entrou em declínio, pelo menos quinze empreendimentos foram transferidos para a OAS, empreiteira que teria bancado reforma milionária no imóvel, incluindo instalação de cozinha e outros equipamentos.

Vaccari é réu em ação penal na 5.ª Vara Criminal de São Paulo por suposto rombo de R$ 100 milhões na Bancoop no período em que o ex-tesoureito do PT presidiu a cooperativa.

Para o promotor Conserino é importante tomar o depoimento de Vaccari exatamente porque ele presidiu a cooperativa. O ex-tesoureiro está preso no Complexo Médico Penal de Pinhais, nos arredores de Curitiba, base da missão Lava Jato.

Vaccari vai ficar em silêncio, segundo seu advogado, o criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso.

“A princípio está marcado (o depoimento), mas o Vaccari vai exercer o direito ao silêncio”, disse D’Urso. “Pedi a dispensa dele (Vaccari) ao juiz Sérgio Moro, só que o Conselho Nacional do Ministério Público deu uma liminar (a pedido da defesa de Lula) e suspendeu tudo. Depois, o Conselho permitiu a retomada do procedimento do promotor, a liminar foi cassada. De qualquer forma, o Vaccari vai ficar em silêncio.”

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