Vaccari foi citado por delatores durante investigações da Lava Jato

Vaccari foi citado por delatores durante investigações da Lava Jato

O doleiro Alberto Youssef e o ex-gerente da Petrobrás apontaram o tesoureiro do PT como operador de esquema de propina; ele nega

Redação

05 Fevereiro 2015 | 09h46

O tesoureiro do PT João Vaccari Neto prestará depoimento à Polícia Federal, em São Paulo, nesta quinta-feira, 5. O mandado de condução coercitiva de Vaccari foi cumprido na nona Operação da Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobrás.

Vaccari foi levado à Superintendência, na zona oeste da capital paulista, pela manhã. Durante a investigação da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef, personagem central da operação, apontou o tesoureiro como um dos operadores do esquema de pagamento de propina na diretoria de Serviços da estatal.

O petista foi citado também na delação premiada do ex-gerente executivo de Engenharia da Petrobrás Pedro Barusco Filho, homologada pela Justiça Federal no Paraná. Barusco afirmou que fez uma “troca de propinas” com o tesoureiro. Ele contou que possuía um “crédito” da empreiteira Schahin Engenharia, gigante que atua também nas áreas de petróleo e gás, mas estava encontrando dificuldades em receber o dinheiro.

Vaccari chega a sede da PF para prestar depoimento. Foto: Felipe Rau/ Estadão.

Vaccari chega à sede da PF para prestar depoimento. Foto: Felipe Rau/ Estadão.

O ex-gerente disse que procurou Vaccari pela boa relação do petista com a Schahin. A diretoria de Serviços da Petrobrás, unidade estratégica da estatal, era cota do PT. Por ela passam todos os procedimentos de licitações e contratação da estatal. Por meio da assessoria de imprensa do PT, o tesoureiro nega ter feito troca de propinas.

Durante as investigações, a força-tarefa da Lava Jato relacionou uma suposta entrega de dinheiro para Marice Corrêa de Lima, cunhada do tesoureiro, solicitada por um executivo da empreiteira OAS, com duas movimentações da contabilidade do “money delivery”, operado por Youssef.

Na denúncia criminal que ofereceu contra seis executivos do Grupo OAS, em dezembro do ano passado, o Ministério Público Federal considerou como elemento de prova o cruzamento do monitoramento telefônico do doleiro, com José Ricardo Nogueira Breghirolli, com a contabilidade informal de Youssef para indicar o pagamento de valores para Marice, em dezembro de 2013.

“Diálogo travado em 3 de dezembro de 2013, no qual (Youssef e Breghirolli) combinam duas entregas a serem feitas por Youssef. A primeira, no mesmo dia 3, aos cuidados de Sra. Marice, no endereço Rua Doutor Penaforte Mendes, 157, AP 22, Bela Vista”, informando que a entrega e a mando de “Carlos Araújo”, registra a denúncia.

Em janeiro deste ano, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) entregue aos investigadores da Lava Jato registrou uma movimentação considerada suspeita em 2009 de R$ 18 milhões envolvendo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, ligado à CUT, a Bancoop, cooperativa criada pela entidade cujo presidente era o atual tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, e a Planner Corretora de Valores.

Em 23 de novembro de 2009, a Bancoop recebeu R$ 18.158.628,65 do Sindicato dos Empregados de Estabelecimentos Bancários de São Paulo, informou o Coaf, órgão de inteligência do Ministério da Fazenda. “Na mesma data, foram transferidos R$ 18.151.892,51 para a empresa Planner Corretora de Valores”, registra o documento enviado à Polícia Federal e anexado ao processo em que foi decretada a prisão preventiva de Nestor Cerveró, ex-diretor de Internacional da Petrobrás.

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