‘Ustra é o único declarado judicialmente torturador’, diz militante

‘Ustra é o único declarado judicialmente torturador’, diz militante

Maria Amélia Teles, a Amelinha, presa e torturada em 1972 no DOI-CODI em São Paulo, afirma que coronel da repressão deveria ter sido condenado por crimes de lesa humanidade

Fausto Macedo

16 Outubro 2015 | 08h06

Ustra. Foto: Agência Brasil

Ustra. Foto: Agência Brasil

A militante Maria Amélia Teles, a Amelinha, presa e torturada nos anos 70 nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo, disse que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra – morto nesta quinta-feira, 15, em Brasília, vítima de câncer e complicações cardíacas – é o único agente da repressão instalada no País no período entre 1964 e 1985 ‘judicialmente declarado torturador’. “Ustra foi declarado torturador pelo Estado brasileiro”, afirma Amelinha.

“Alías, o único torturador judicialmente declarado torturador.” Em 1972, Amelinha, seu marido, César Teles, militante do Partido Comunista do Brasil, e a irmã Criméia de Almeida foram capturados pelas forças de repressão e torturados no DOI-CODI, no famoso endereço da rua Tutoia, em São Paulo.

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Os filhos de Amelinha, então com 4 anos e 5 anos, ficaram em poder dos militares. Nesta quinta-feira, 15, ao comentar a morte de Ustra, Amelinha disse.”A sentença que declarou Ustra torturador foi transitada em julgado. o que significa que não mais cabia recurso. Com certeza é muito pouco para um militar que sequestrou, torturou , matou, deu versões falsas sobre as mortes dos militantes e ainda ocultou cadáveres. É pouco, ele deveria ser condenado criminalmente pelos crimes de lesa humanidade cometidos por ele, todos eles imprescritíveis. Ele vai sem esclarecer os bem mais de meia centena de assassinados por ele ou a mando dele.”