‘Uma jogada arriscada de Temer’, diz procurador sobre suspeição de Janot

‘Uma jogada arriscada de Temer’, diz procurador sobre suspeição de Janot

Hélio Telho, procurador da República e coordenador do Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal em Goiás, avalia que estratégia do presidente para tirar procurador-geral do caminho é 'coisa de trôpegos'

Fausto Macedo, Julia Affonso e Luiz Vassallo

09 Agosto 2017 | 05h00

Procurador da República Hélio Telho. Foto: Ministério Público Federal

‘Janot não sairá’, disse o procurador da República Hélio Telho ao comentar a arguição de suspeição e impedimento do procurador-geral da República levada nesta terça-feira, 8, ao ministro Edson Fachin pela defesa do presidente Michel Temer.

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Na avaliação de Telho, a estratégia do presidente é ‘coisa de trôpegos’.

“A arguição é juridicamente fraquíssima”, afirma o procurador, que é coordenador do Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal em Goiás e se destaca ano a ano pela condução de investigações contra o crime organizado.

Na arguição de suspeição de Janot, a defesa de Temer sustenta que o procurador ‘extrapolou suas funções’. Segundo o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, defensor e conselheiro do presidente, Janot mantém ‘obstinado empenho no encontro de elementos incriminadores do presidente’.

Janot denunciou criminalmente o presidente por corrupção passiva no caso JBS. O procurador sustentou que Temer era o chefe de organização criminosa. A denúncia foi barrada pela Câmara. Janot estuda apresentar uma segunda acusação formal contra o presidente, por obstrução de Justiça.

Mariz afirma na suspeição que o procurador atua ‘claramente fora dos padrões adequados e normais, bem como as suas declarações alegóricas e inadequadas mostram o seu comprometimento com a responsabilização penal do presidente’.

No entendimento de Hélio Telho – uma liderança entre os procuradores -, se Janot sair assume o vice-procurador-geral da República. “Mas, nesse caso, ele (Janot) não sairá”, crava Telho. “A arguição é juridicamente fraquíssima. Raquítica. Ela é só uma jogada política, para facilitar a defesa de Temer no plenário da Câmara contra uma futura nova denúncia.”

“Aliás, pode ser uma jogada muito arriscada de Temer”, considera o procurador.

Para Hélio Telho, o ministro Edson Fachin – relator da Lava Jato e do caso JBS no Supremo Tribunal Federal – ‘deverá rejeitar a arguição e isso acabará se voltando contra a estratégia da defesa’.

O procurador ironizou a ofensiva de Temer e lembrou do áudio do empresário Joesley Batista, da JBS, que gravou conversa com o presidente na noite de 7 de março no Palácio do Jaburu. O peemedebista nunca negou ter recebido Joesley fora da agenda oficial, mas alega que o áudio foi adulterado.

“Coisa de trôpegos estrategistas, como diria (o ex-ministro da Justiça) Osmar Serraglio, tal qual os discursos do presidente confirmando o conteúdo dos áudios”, diz Hélio Telho.

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