Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Política

Politica » Um triplex no Guarujá, a chave da PF para rastrear propinas da Lava Jato

Política

Um triplex no Guarujá, a chave da PF para rastrear propinas da Lava Jato

Um triplex no Guarujá, a chave da PF para rastrear propinas da Lava Jato

Imóvel de quase 300 metros quadrados, vizinho ao apartamento que seria da família do ex-presidente Lula, está em nome da empreiteira OAS

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Andreza Matais e Julia Affonso

28 Janeiro 2016 | 05h00

 

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Triplex 163 B, alvo da Operação Triplo X, deflagrada nesta quarta-feira, 27, fica no Condomínio Solarius, no Guarujá, e pode ser a chave para a Polícia Federal desvendar uma etapa crucial da Lava Jato que mira na parceria da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo com a empreiteira OAS.

O apartamento tem 297,8 metros quadrados, incluindo duas vagas na garagem, e é avaliado em cerca de R$ 1,5 milhão. Aparece no registro de imóveis como propriedade da OAS. Os investigadores suspeitam que o triplex e outros apartamentos com as mesmas características podem ter sido repassados ‘a título de propina pela empreiteira’.

Nesse mesmo condomínio, na torre vizinha, fica o triplex 164 A que seria da família do ex-presidente Lula.

A Polícia Federal suspeita que familiares do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto sejam os verdadeiros proprietários de imóveis no Solarius.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

A PF suspeita que a publicitária Nelci Warken, presa na Triplo X, seria ‘laranja’ do verdadeiro proprietário do triplex 163 B.

[veja_tambem]

“Manobras financeiras e comerciais complexas envolvendo a empreiteira OAS, a cooperativa Bancoop e pessoas vinculadas a esta última e ao Partido dos Trabalhadores apontam que unidades do condomínio podem ter sido repassadas a título de propina pela OAS em troca de benesses junto aos contratos da Petrobrás”, assinala a força-tarefa do Ministério Público Federal. “Além das inconsistências já detectadas quanto ao imóvel que pertencera a Marice Correa de Lima igualmente chamaram a atenção outros imóveis do mesmo condomínio que indicaram alto grau de suspeita quanto à sua real titularidade.”

A PF aponta ‘indícios de existência de uma verdadeira organização criminosa destinada a lavar valores recebidos a título de propina, notadamente por meio de transações imobiliárias e de empresas offshore’.

matricula1 matricula2 matricula3

“Integrados em referida organização também estão os tradicionais operadores e ‘laranjas’, sempre presentes em toda grande manobra de ocultação e dissimulação da origem e natureza de valores frutos de crime”, assinala a Polícia Federal.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO, QUE DEFENDE JOÃO VACCARI NETO

O criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende João Vaccari Neto, disse que a Operação Triplo X ‘não tem absolutamente nada, nenhuma suspeita’ contra o ex-tesoureiro do PT. “A Operação (Triplo X) não é dirigida ao Vaccari. E não tem nenhuma acusação formal à Bancoop. Vaccari, enquanto presidente da Bancoop, literalmente resgatou a administração da Cooperativa e a viabilizou com uma gestão eficiente, promovendo a entrega das unidades residenciais aos cooperados.”

Segundo D’Urso, ‘algumas poucas unidades ainda faltam ser entregues, muito poucas’. O advogado esclareceu que a Bancoop firmou Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) com o Ministério Público para ‘entregar essas unidades’.

Sobre o empreendimento no Guarujá, o criminalista disse que Vaccari e sua mulher, Giselda, ‘compraram uma unidade residencial, pagaram direitinho todo mês, não há nada de irregular’.

“Giselda não tem nada, ela tem o que tem o Vaccari. Eles compraram cotas da cooperaitva como qualquer outro cooperado no Guarujá, num daqueles prédios do Condomínio (Solaris). Não houve nada de irregular.”

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Mais conteúdo sobre: