‘Um assunto que não é da minha alçada’, afirma Wagner Rossi

‘Um assunto que não é da minha alçada’, afirma Wagner Rossi

Alvo da Operação Skala por ordem do ministro Luís Barroso, do Supremo, ex-ministro disse que respondeu a 74 perguntas da Polícia Federal

Julia Affonso e Fausto Macedo

29 Março 2018 | 14h57

Wagner Rossi. FOTO WERTHER SANTANA / ESTADÃO

O ex-ministro Wagner Rossi (MDB), preso na Operação Skala nesta quinta-feira, 29, chegou por volta de 14h30 à sede da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo. Ele foi trazido de Ribeirão Preto em um camburão da PF. Vai ficar preso pelo período de cinco dias, por ordem do ministro Luís Barroso, do Supremo.

A Operação Skala pegou amigos e aliados do presidente Michel Temer. Foram presos o empresário e advogado José Yunes, o empresário Antônio Celso Grecco, do Grupo Rodrimar, e o coronel da PM João Baptista Lima Filho.

A operação é resultado do inquérito da PF sobre o Decreto dos Portos, editado por Temer em maio do ano passado para supostamente beneficiar empresas do setor portuário, como a Rodrimar.

Ao entrar na sede da PF, com a biografia de Leonardo da Vinci nas mãos, Rossi declarou. “É um assunto que não é da minha época, não é da minha alçada, que é o tal Decreto dos Portos. Eu tinha saído 15 anos antes da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), portanto não tenho nada a ver.”

Rossi foi ouvido na PF de Ribeirão Preto logo depois de ser preso em casa. Ele disse que respondeu a 74 perguntas da PF. “Naturalmente como hoje o procedimento do Judiciário é dessa maneira nós vamos cumprir e respeitar. Hoje a orientação do Judiciário é mais nesse sentido. Antigamente, você comparecia e dava declarações.”

O ex-ministro reiterou que o suposto esquema de propinas nos portos ‘não tem relação’ com ele.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JOSÉ YUNES

“É inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia, que sempre que intimado ou mesmo espontaneamente compareceu à todos os atos para colaborar.

Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e contra a cidadania.

José Luis Oliveira Lima”


COM A PALAVRA, A DEFESA DO CORONEL JOÃO BAPTISTA LIMA FILHO

Os advogados Cristiano Benzota e Maurício Silva Leite refutaram enfaticamente as suspeitas de envolvimento do coronel João Baptista Lima Filho no suposto esquema de favorecimento a empresas do setor portuário em troca de propinas. “O sr. João Baptista Lima Filho refuta com veemência as acusações e afirma não ter qualquer participação nos fatos apurados no inquérito.” A defesa afirma que ‘o estado de saúde do sr. Lima é muito delicado e que o seu quadro médico tem sido periodicamente informado às autoridades’.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ANTONIO CELSO GRECCO

O advogado Fabio Tofic, que defende Antonio Celso Grecco, disse que ainda está tentando saber os motivos da prisão do sócio da Rodrimar para depois se manifestar.

COM A PALAVRA, WAGNER ROSSI

Wagner Rossi aposentou-se há sete anos. Desde então, nunca mais atuou profissionalmente na vida pública ou privada. Também nunca mais participou de campanhas eleitorais ou teve relacionamentos políticos. Mora em Ribeirão Preto onde pode ser facilmente encontrado para qualquer tipo de esclarecimento. Nunca foi chamado a depor no caso mencionado. Portanto, são abusivas as medidas tomadas. Apesar disso, Wagner Rossi está seguro de que provará sua inocência.

Equipe Toscano Sociedade de Advogados.

COM A PALAVRA, MILTON ORTOLAN

Por mais de 40 anos, Milton Ortolan exerceu cargos públicos, sem jamais responder a qualquer ação penal. Sua prisão é absolutamente desnecessária e desprovida de suporte fático, tendo em vista que deixou o cargo que ocupava na CODESP ainda no ano de 2008, ou seja, quase dez anos antes da edição do Decreto dos Portos atualmente investigado pelas Autoridades.

Daniel Kignel

COM A PALAVRA, O GRUPO LIBRA

Procurado pelo Estado, o Grupo Libra informou que “está prestando todos os esclarecimentos à Justiça, e que uma de suas acionistas já depôs à Polícia Federal. Mais informações serão dadas após integral acesso aos documentos da investigação, o que, até o momento, não foi disponibilizado aos advogados da empresa.”

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