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Triplo X investiga ‘todos os apartamentos’ do Solaris, onde Lula teria tríplex

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OPERAçãO LAVA JATO

Triplo X investiga ‘todos os apartamentos’ do Solaris, onde Lula teria tríplex

Condomínio no Guarujá onde família do ex-presidente teria preferência de compra sobre imóvel é alvo de devassa da nova etapa da Operação Lava Jato

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Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Andreza Matais, Fausto Macedo e Julia Affonso

27 Janeiro 2016 | 10h42

Procurador Carlos Lima. Foto: Gisele Pimenta/Frame

Procurador Carlos Lima. Foto: Gisele Pimenta/Frame

O procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato, declarou nesta quarta-feira, 27, que ‘todos os apartamentos’ do Condomínio Solaris, no Guarujá, são alvos da investigação sobre esquema de offshores criadas para remessas ao exterior de propinas relacionadas às fraudes na Petrobrás. Entre os imóveis investigados, disse o procurador, estão alguns que podem estar relacionados a familiares do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, como sua mulher, Giselda, e a cunhada, Marice.

“A investigação tem um pé na busca de patrimônio (oculto). Entendemos que todos os apartamentos devam ser investigados. Não estamos focando somente no apartamento da Nelci (Warken) ou eventualmente alguns envolvendo familiares de Vaccari.

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A informação foi confirmada pelo delegado Igor Romário, da Polícia Federal. “Todo o empreendimento está sob investigação.”

Durante entrevista coletiva na sede da Polícia Federal, o procurador respondeu a uma pergunta se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja família teria poder de compra de um tríplex no condomínio no litoral paulista, seria também alvo da investigação.

“Investigamos fatos. Se houver apartamento lá que esteja em seu (de Lula ) nome ou negociado com alguém da sua família, como todos os outros (será investigado). Temos indicativos do uso desses apartamentos para lavagem de dinheiro.”

Carlos Lima anotou que ‘nesse momento’ a apuração aponta para imóveis que seriam de propriedade de familiares de Vaccari.

“O empreendimento originariamente era da Bancoop (Cooperativa dos Bancários de São Paulo) e foi assumido pela OAS. Temos indicativos que tgodos os apartamentos, ou boa parte deles, podem ter sido usados para lavagem de dinheiro oriundo de contratos com estatais. Estamos analisando e aprofundando a investigação.”

O procurador respondeu a uma outra indagação sobre Lula ter declarado à Justiça eleitoral na campanha de 2006, quando reelegeu-se presidente, que sua família possuía um imóvel no condomínio do Guarujá, no valor de R$ 47 mil. “Existe até notícia de jornal que a família do ex presidente estaria desistindo de exercer o poder de comprar esse imóvel. Estamos analisando essa questão mjais a fundo. “Temos indícios de que um tríplex lá (no Solaris) vale R$ 1 milhão ou R$ 1,5 milhão, valor bastante significativo.”

Segundo o Instituto Lula, o ex-presidente e sua mulher, Marisa, ‘jamais ocultaram que esta possui cota de um empreendimento em Guarujá, adquirida da extinta Bancoop e que foi declarada à Receita Federal’.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO, QUE DEFENDE JOÃO VACCARI NETO

O criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende João Vaccari Neto, disse que a Operação Triplo X ‘não tem absolutamente nada, nenhuma suspeita’ contra o ex-tesoureiro do PT. “A Operação (Triplo X) não é dirigida ao Vaccari. E não tem nenhuma acusação formal à Bancoop. Vaccari, enquanto presidente da Bancoop, literalmente resgatou a administração da Cooperativa e a viabilizou com uma gestão eficiente, promovendo a entrega das unidades residenciais aos cooperados.”

Segundo D’Urso, ‘algumas poucas unidades ainda faltam ser entregues, muito poucas’. O advogado esclareceu que a Bancoop firmou Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) com o Ministério Público para ‘entregar essas unidades’.

Sobre o empreendimento no Guarujá, o criminalista disse que Vaccari e sua mulher, Giselda, ‘compraram uma unidade residencial, pagaram direitinho todo mês, não há nada de irregular’.

“Giselda não tem nada, ela tem o que tem o Vaccari. Eles compraram cotas da cooperaitva como qualquer outro cooperado no Guarujá, num daqueles prédios do Condomínio (Solaris). Não houve nada de irregular.”

 

COM A PALAVRA, A BANCOOP

NOTA OFICIAL

A Bancoop, tendo em conta os recentes procedimentos relacionados a empreendimento imobiliário que esteve sob sua responsabilidade, vem prestar o seguinte esclarecimento:

Em decorrência de acordo judicial celebrado com o Ministério Público de São Paulo em 20 de maio de 2008 e homologado pelo Poder Judiciário (processo nº 583.00.2007.245877-1, 37ª. Vara Cível do Foro Central de São Paulo), a Bancoop procedeu a consulta aos cooperados de seus empreendimentos para deliberação sobre a continuidade das medidas das obras em construção. A consulta fez com que, por deliberação dos cooperados, alguns empreendimentos fossem transferidos para diferentes empresas construtoras ou condomínio de construções.

Esse foi o encaminhamento dado ao empreendimento Mar Cantábrico, localizado na cidade do Guarujá, no litoral paulista. Por deliberação coletiva dos respectivos cooperados, adotada em assembleia realizada em 27 de outubro de 2009 e confirmada pela adesão individual de cada cooperado, o empreendimento foi transferido à construtora OAS Empreendimentos. Esse acordo específico de transferência foi homologado pelo Poder Judiciário em 11 de novembro de 2009 (processo nº 1190/2009, do Setor de Conciliação do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo).

Assim, desde 2009 a Bancoop não tem qualquer relação com o empreendimento Mar Cantábrico, que, inclusive teve sua denominação alterada para Solaris.

Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo

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