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Fernando Moura

Treze advogados deixam a defesa de empresário delator ligado ao PT

Por Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

28/01/2016, 19h08

   

Em documento anexado aos autos, criminalistas não explicaram saída; na sexta-feira, 22, em depoimento à Justiça Federal, Fernando Moura, pôs em dúvida trecho de sua própria delação premiada

Fernando Moura encobriu o rosto no dia de sua prisão. Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Fernando Moura encobriu o rosto no dia de sua prisão. Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Treze advogados que formavam a defesa do empresário Fernando Moura, ligado ao PT e delator da Operação Lava Jato, deixaram o caso nesta quinta-feira, 28. Em dois documentos anexados aos autos, os criminalistas não explicaram o motivo da saída.

Fernando Moura foi preso em 3 de agosto, na deflagração da Operação Pixuleco, 17ª fase da Lava Jato. O empresário firmou acordo de delação premiada e foi solto.

“Vimos, por meio desta, notificar Vossa Senhoria da renúncia ao ‘mandato-que nos foi outorgado por procuração “ad judicia”, para o fim de representá-lo na Ação Penal n.º 5045241-84.2015.4.04.7000, bem como no Termo de Acordo de Colaboração Premiada, ambos em trâmite perante a 13ª Vara Federal da Subsecção Judiciária de Curitiba, Estado do Paraná”, diz o documento.

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Na sexta-feira, 22, Fernando Moura prestou depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato na primeira instância. Durante a audiência, o empresário pôs em dúvida trecho de suas próprias afirmações que constavam de sua delação premiada assinada em meados de 2015. Fernando Moura corre o risco de perder seu acordo de colaboração.

Durante o interrogatório, o empresário foi confrontado pelo juiz Sérgio Moro com o que havia dito em sua delação premiada, em agosto. Em determinado momento, o magistrado citou trecho de declaração de Fernando Moura no acordo de colaboração. “O declarante tem conhecimento que esse arranjo entre Etesco e Renato Duque permitiu que a Etesco fechasse diversos contratos milionários com a Petrobrás; que a Etesco, que era uma empresa de pequeno e médio porte passou repentinamente a ficar como um player entre as gigantes da construção.”

“Falei isso?”, questionou Fernando Moura.

“Falou”, respondeu Moro.

“Assinei isso?”, perguntou o empresário, rindo. “Devem ter preenchido um pouquinho mais do que eu tinha falado. Mas se eu falei, eu concordo.”

“Não, não é assim que a coisa funciona”, repreendeu Moro.

“Se eu falo e depois é colocado no papel, eu nem leio. Eu até pergunto para o advogado, ‘é isso aqui?’. Falou: ‘é'”, afirmou.

Assinaram a renúncia os advogado Pedro Ivo Gricoli Iokoi, Adriano Scalzaretto, Bruno Magosso de Paiva, Bruno Lambert Mendes de Almeida, Caio Nogueira Domingues da Fonseca, Ana Carolina Pastore Rodrigues, Marcella Kuchkarian Markossian, Felipe Ferreira de Camargo, Mariana Badaró Gonçalles, Giovanna Zanata Barbosa, Anna Cristina Guimarães Souza, Raul Abramo Ariano e Ligia Lazzarini Monaco.

Segundo o documento anexado aos autos, o empresário tem 10 dias para constituir novo advogado. A reportagem fez contato com o criminalista Pedro Ivo Iokoi. O advogado afirmou que não vai comentar a renúncia.

Durante a audiência da Fernando Moura disse ainda que pagou propina ao PT e que seus contatos sobre valores ilícitos foram feitos com o ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira e com o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, preso desde março de 2015.

Ele disse que Dirceu ‘deu a palavra final’ para a indicação de Renato Duque à Petrobrás, em 2003. Afirmou que ouviu essa informação de Silvio Pereira e acrescentou que a escolha por Duque atendia o PT de São Paulo.

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