‘Tremenda sacanagem comigo’, diz deputado sobre inquérito no Supremo

‘Tremenda sacanagem comigo’, diz deputado sobre inquérito no Supremo

Valtenir Pereira (PMDB-MT) é investigado por gastos em um posto de gasolina alvo da Operação Ararath, que investiga desvios no Mato Grosso

Luiz Vassallo

18 Novembro 2017 | 05h00

Foto: Estadão

O deputado Valtenir Pereira (PMDB-MT) afirmou ser uma ‘sacanagem’ a abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal para investigar seus gastos nos postos da Rede Amazônia Petróleo, cujo dono é delator da Operação Ararath.

“De início, Eu não tenho nada a ver com a Operação Ararath. Isso é uma tremenda sacanagem comigo. É brincadeira de mau gosto. É confundir “alhos com bugalhos””, afirma o deputado.

A Ararath foi deflagrada em novembro de 2013, com o objetivo de desarticular uma suposta organização criminosa que se utilizava de empresas de fachada para lavagem de dinheiro de propinas. O parlamentar não é alvo da operação.

Um dos delatores que ajudaram os investigadores a traçar a rota dos pagamentos de propina no Mato Grosso é Gércio Marcelino Mendonça Júnior, que confessou se utilizar da fachada de seus postos de combustível, da Rede Amazônia de Petróleo, para operar um banco de lavagem de dinheiro em benefício de políticos.

Nos postos de gasolina do delator, o deputado federal Valternir Luiz Pereira (PMDB-MT) gastou valores redondos de R$ 2mil por diversos meses.

“No presente caso, um primeiro exame dos autos apresenta elementos indiciários da prática de crime de peculato pelo Deputado Federal Valtenir Luiz Pereira, em especial, o fato de que a maior parte dos valores com combustível ter sido gasto em filial do posto de gasolina da rede de combustíveis Comercial Amazônia de Petróleo Ltda. mais distante de seu escritório. Assim, não se está diante de notícia sem qualquer apoio indiciário ou de notícia fundada somente em denúncia anônima, devendo-se dar prevalência, diante disso, ao interesse da sociedade em ver esclarecidos os fatos”, anotou o ministro relator, Luís Barroso, ao abrir o inquérito.

“Na verdade há um grande equívoco por parte do MPF. O combustível foi todo empregado no exercício da atividade parlamentar, atendendo as mais diversas demandas que chegam no Escritório Parlamentar de Cuiabá, advindas tanto da capital, da baixada cuiabana, quanto do interior do estado”, rebate o deputado.

Segundo o parlamentar, ‘a compra do combustível é efetuada na Rede Amazônia de Petróleo porque existe vários postos espalhados na cidade de Cuiabá e Várzea Grande e isso facilita na hora de abastecer’.

“Não tenho dúvida. No momento oportuno tudo ficará esclarecido e devidamente comprovado que não há qualquer contorno criminal e muito menos qualquer elemento mínimo e razoável para sustentar a investigação, isso porque o nosso mandato é um mandato popular, que exige muito trabalho, exercido em favor do povo e com bons resultados. Sou o deputado federal de Mato Grosso com maior volume de emendas parlamentares pagas”, afirma.

Em delação premiada, o ex-governador Silval Barbosa, um dos principais alvos da Ararath, afirmou que o deputado teria exigido propinas de 15% de um contrato para a construção de uma obra com verbas federais.

“Não tem qualquer fundamento a menção do meu nome pelo ex-governador Silval Barbosa em depoimento ao MPF, porque nunca tratamos de nada ilícito, pelo contrário, todas as tratativas que realizamos dentro do seu governo foram institucionais e republicanas, tudo em favor dos mais relevantes interesses do povo Mato-grossense”, rebate.