Torre que derreteu no centro de SP foi detenção de Nobel da Paz

Torre que derreteu no centro de SP foi detenção de Nobel da Paz

Na década de 1980, antiga sede da Polícia Federal foi destaque por receber figuras famosas que foram detidas, como o Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel e o mafioso italiano Tommaso Buscetta

Luiz Fernando Teixeira

01 Maio 2018 | 07h21

Foto: Reprodução/Google StreetView

A antiga sede da Polícia Federal que desabou após um incêndio na madrugada desta terça-feira, 1, no centro de São Paulo, foi palco de eventos célebres nos anos 1980. O prédio central, Edifício Wilton Paes de Almeida, alojou o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), mas está ocioso desde 2009. Já a PF mudou para seu atual endereço, na Lapa, em 2003.

O ganhador do Prêmio Nobel da Paz, o escritor Adolfo Pérez Esquivel, dá aula magna do ano letivo de 2018 da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

O argentino Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, foi preso em 1981 após criticar a Lei da Anistia e encaminhado ao prédio da Antonio de Godoy. Na ocasião, a Superintendência Regional da PF era dirigida pelo delegado de Polícia Federal Nélson Marabuto. Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo de São Paulo da época, precisou intervir para que ele fosse solto. Dois anos depois, o mafioso italiano Tommaso Buscetta foi preso pelo delegado Romeu Tuma, então superintendente da PF, e também foi encaminhado à sede e depois removido à Custódia da PF, no bairro de Higienópolis.

Jornal O Estado de S. Paulo do dia seguinte à prisão de Tommaso Buscetta. Foto: Acervo Estadão

Levado para os Estados Unidos, Buscetta fez delação premiada e entregou as organizações mais poderosas do crime em seu País. Já em 1985, quando a ossada do carrasco nazista Josef Mengele foi encontrada por Tuma em um cemitério no Embu, nos arredores de São Paulo, o prédio da Antonio Godoy voltou ao noticiário internacional.

A torre foi colocada à venda pela União em 2015, em edital preparado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. O preço mínimo de venda na época foi de R$ 21,5 milhões e o então ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse que a venda fazia parte de ação do governo para reduzir despesas e racionalizar gastos no âmbito da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

O incêndio desta terça também atingiu a Igreja Evangélica Luterana, tendo parte da estrutura desabado, além de outro prédio vizinho. A Defesa Civil Estadual está no local e realiza cadastramento de todas as famílias que poderiam estar no prédio no momento do incêndio. Ao todo, 160 militares atuam no combate ao incêndio e no resgate das vítimas.