‘Tiramos água da inundação com balde’, diz procurador da Lava Jato sobre combate à corrupção

‘Tiramos água da inundação com balde’, diz procurador da Lava Jato sobre combate à corrupção

Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Procuradoria da República, diz que 'sem reformas política e do sistema judicial' nenhuma mudança no governo resultará em avanços para o País

Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso

13 Maio 2016 | 05h00

PR - LAVA JATO/FORÇA-TAREFA/DENÚNCIA - POLÍTICA - O procurador da República Deltan Dallagnol fala durante coletiva da operação Lava Jato e   oferecimento de novas denúncias pelo Ministério Público Federal (MPF), em Curitiba, nesta   sexta-feira (6). Em uma das denúncias, entre os novos acusados por corrupção, lavagem de   dinheiro, organização criminosa e obstrução à investigação, além do ex-senador Gim   Argello, estão os empreiteiros Marcelo Odebrecht, Ricardo Pessoa e Léo Pinheiro e outros   seis investigados.   16/05/2014 - Foto: GERALDO BUBNIAK/AGB/PAGOS

Força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, defende mudança no sistema para combate efetivo à corrupção – Foto: GERALDO BUBNIAK/AGB/PAGOS

Sem reformas política e do sistema judiciário brasileiro, nenhuma alteração política no governo resultará em  melhoras para o País e suas instituições. A opinião é do coordenador da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, procurador da República Deltan Dallagnol, que comparou a corrupção no Brasil a uma inundação.

“Tiramos água com balde nas mãos quando nós acusamos criminalmente conduta a conduta. O que precisamos, se queremos evitar que novos escândalos de corrupção aconteçam, é mudar as condições, mudar o sistema.”

Deflagrada em março de 2014, a Lava Jato é a maior investigação do País de combate à corrupção. “Nos preocupa que, mesmo revelado tudo isso, mesmo dois anos depois do começo das investigações não existiu movimento concreto e consistente de reforma política. Não existiu nenhum movimento concreto de bandeiras erguidas com pessoas caminhando no Congresso, nas grandes instituições, por reforma do sistema de Justiça, que é feito para não funcionar e que está funcionando episodicamente”, afirmou o procurador.


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Deltan comparou as reformas às barragens que precisam ser construídas em caso de indunações, como a vivida no Brasil. Em pelo menos duas ocasiões nos últimos dez dias, a força-tarefa da Lava Jato expressou publicamente sua  preocupação em relação a expectativa popular de que a troca de presidentes resolva os crimes do colarinho branco. Para o procurador, na prática, o Ministério Público Federal tem visto e comprovado que “as condições hoje no Brasil
favorecem a corrupção.”

“Por isso temos clamado por alteração es legislativas que mudem o sistema de Justiça criminal, tornando efetivo e não gerando a impunidade, que é a regra na maioria dos casos, e reformas políticas que tornem o ambiente menos propício à prática continuada de crimes de corrupção.”

Uma delas é a proposta de 10 Medidas de Combate à Corrupção, apresentada pelo Ministério Público Federal, a partir de uma iniciativa de dois procuradores da Lava Jato, em Curitiba, que endurece as punições a criminosos do colarinho branco.

“Sem mudança do sistema, o que vai acontecer é que vamos continuar enxugando gelo, dando murro em ponta de faca. Esse caso Lava Jato, que não podemos contar vantagem, porque ainda não se encerrou, é sem dúvida um ponto fora da curva.”

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