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Operação Lava Jato

Testemunha afirma que empreiteira pagou em dinheiro móveis de sítio

Por Andreza Matais e Fabio Fabrini / BRASÍLIA e Fausto Macedo

06/02/2016, 10h10

   

Funcionário da empresa Kitchens, especializada em cozinhas, relata pagamentos em espécie feitos por ex-executivo da OAS para equipar propriedade em Atibaia, utilizada pelo ex-presidente Lula e sob suspeita de estar em nome de laranjas

Vista do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP). FOTO: MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

Vista do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP). FOTO: MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

Um funcionário da empresa Kitchens afirmou, em depoimento ao Ministério Público, que a empreiteira OAS pagou em dinheiro vivo os móveis e eletrodomésticos da cozinha e da área de serviço do sítio em Atibaia (SP) frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua família. A testemunha relatou ter recebido a primeira parcela, de R$ 50 mil, em espécie e ainda confirmou que a compra foi negociada pelo ex-executivo da OAS Paulo Gordilho.

“Em relação aos móveis da cozinha e área de serviço do sítio, além do pagamento do sinal em pecúnia (de R$ 50 mil), que presenciou, obteve, ao levantar informações documentais para entrega ao MPF (Ministério Público Federal), que as demais parcelas também foram quitadas mediante pagamento em espécie, na loja”, relata a investigação. O nome do funcionário, com cargo de gerente, vem sendo mantido em sigilo. O total comprado para o sítio foi de R$ 180 mil. Só com eletrodomésticos e mobiliários da cozinha, foram R$ 130 mil.

O sítio passou a ser investigado pela Operação Lava Jato por suspeitas de que as melhorias foram usadas como pagamento de propina em troca de contratos fechados pela empreiteira no governo. Há suspeitas de que Lula seja o real dono do sítio, que está em nome dos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna, sócios de Fábio Luís Lula da Silva, filho de Lula.

Embora a OAS tenha pago pelos equipamentos, a empreiteira pediu que Bittar figurasse como comprador. “Gordilho, no momento de aquisição dos armários do sítio, indicou os dados de Bittar para que constasse na nota fiscal”, aponta outro trecho de documento da investigação em curso.

A indicação fez os vendedores suporem que o sócio de Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, era um funcionário da OAS. “Para a empresa Kitchens, o tal Fernando Bittar seria um diretor da OAS, uma vez que o projeto inicial e o orçamento foram solicitados pela OAS, além da intermediação e pagamento.”

O MP suspeita que Suassuna e Bittar atuaram como “laranjas” do petista no imóvel rural. A área tem 173 mil m², o equivalente a 24 campos de futebol e foi comprada por R$ 1,5 milhão. Embora os dois tenham comprado terrenos contíguos, supostamente de mesmo tamanho, Suassuna pagou R$ 1 milhão e Bittar, R$ 500 mil. O advogado Roberto Teixeira – a compra do sítio foi lavrada no escritório de Teixeira, compadre de Lula –, disse que a diferença dos valores é “porque os sócios convencionaram dessa forma, como é absolutamente lícito em qualquer negócio privado”.

Filho de um amigo de Lula, o fundador do PT e ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar, Fernando Bittar é sócio de Lulinha na G4 Entretenimento. A empresa tem fatia da BR4 Participações, que, por sua vez, tem participação do grupo Gol Mídia, de Jonas Suassuna. Ele consta como atual ou ex-sócio de 17 empresas.

O gerente deu, ainda, um detalhe que intrigou os investigadores. A formalização da compra, incluindo pedido, contrato e projetos, foi assinada fora da Kitchens, que a recebeu já com as firmas, por meio de um portador da OAS. Isso significaria que o verdadeiro comprador não queria aparecer. A Kitchens não foi autorizada a entrar no sítio para fazer as medições dos armários, o que é atípico, pois havia uma reforma no imóvel. Os armários foram fabricados com base numa planta fornecida pelo ex-executivo.

Tríplex. O gerente confirmou a informação de que a OAS comprou cozinha e armários para o tríplex do Guarujá que está sob suspeita de pertencer a Lula. Nesse caso, contudo, os pagamentos foram feitos por meio de transferência bancária e via escritório da empresa.

Procurado, por telefone e e-mail, Fernando Bittar não se pronunciou. A defesa de Suassuna diz que o sítio é dele e a parte registrada em seu nome não tem benfeitorias. A OAS não atendeu aos telefonemas do Estado. Gordilho não foi localizado.

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