Termômetro Lula no Twitter

Termômetro Lula no Twitter

Estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV/DAPP) analisou quatro momentos entre a condução coercitiva do ex-presidente, em 2016, até o decreto de prisão do juiz Sérgio Moro

Luiz Fernando Teixeira

11 Abril 2018 | 05h19

Lula. FOTO: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP

As manifestações dos brasileiros aos inúmeros capítulos que culminaram na prisão do ex-presidente Lula evoluiu do uso de ironias e piadas, quando ele foi conduzido coercitivamente em 2016, para uma polarizaçao acirrada no Twitter, quando ele teve a prisão decretada pelo juiz Sérgio Moro, na última quinta-feira, 5. A conclusão faz parte de um levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV/DAPP), que analisou o debate público no Twitter sobre Lula em quatro momentos: na condução coercitiva, em março de 2016; no julgamento do TRF-4 (o Tribunal da Lava Jato), em janeiro de 2018; no julgamento do habeas corpus no STF; e no decreto de prisão, estes últimos fatos em abril de 2018.

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“É importante lembrar que os valores absolutos encontrados durante cada período analisado variam devido a múltiplos fatores, inclusive ao próprio teor específico de cada evento político. Isso dificulta uma comparação direta dos números encontrados em cada período e grupo, e faz com que a interpretação de um aumento ou diminuição da discussão sobre os eventos seja questionável”, diz o órgão.

Durante a condução coercitiva, há dois anos, os grupos alinhados à direita e à esquerda no Twitter foram responsáveis por apenas 32,86% dos tuítes da discussão. “O principal núcleo da discussão foi engajado por celebridades e perfis de humor, em grande maioria críticos de Lula, mas que abordaram o assunto pela piada e pela ironia, sem forte associação a questões políticas”, registra o estudo, que também aponta que ‘mais da metade da discussão não esteve diretamente vinculada a grupos de posição político-partidária bem delineada’.

Durante o julgamento no Tribunal da Lava Jato, em janeiro, foi anotada a maior polarização até aqui na rede social. “Na análise das postagens, identificamos dois pólos opostos discutindo o julgamento, um apoiando a condenação do ex-presidente, e outro apoiando a inocência dele. O grupo a favor da condenação do ex-presidente foi responsável por cerca de 35,4% das contas que integraram o debate. O grupo contrário, por sua vez, foi composto por 44,1% dos perfis”, traz o levantamento.

Segundo o FGV/DAPP, enquanto o grupo pró-Lula criticou ‘majoritariamente a falta de provas apresentadas no julgamento e veredicto de condenação ao ex-presidente, o que leva grande parte a concluir que o processo jurídico não foi neutro’, os opositores do ex-presidente utilizaram ‘tom agressivo para caracterizar o ex-presidente Lula e também os filiados e simpatizantes do PT, o que pode ser entendido como um forte sentimento de anti-petismo por parte dos perfis’.

Já após a prisão, no sábado, 7, a sátira voltou a dominar. “O grupo com maior quantidade de perfis na discussão organiza 42,9% do debate e é protagonizado por ironias sobre o processo contra Lula. Boa parte dos atores rejeita apoio eleitoral ao PT e ao ex-presidente, mas satiriza o antipetismo e a falta de questionamentos à prisão e condenação de outros políticos de outros partidos, como Michel Temer e Aécio Neves (principalmente)”, aponta o estudo.

Esse grupo ainda demonstra ‘forte rejeição a Jair Bolsonaro’ e se engaja ‘sem tomada de posição política, com piadas, memes e trocadilhos sobre Lula na cadeia’.

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