Teori manda Rodrigo Maia passar dados da Câmara à PF

Teori manda Rodrigo Maia passar dados da Câmara à PF

Polícia Federal relatou à Procuradoria-Geral da República ‘dificuldades em receber informações’ da Casa

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

27 Setembro 2016 | 08h35

Teori Zavascki e Rodrigo Maia (à dir.). Fotos: André Dusek/Estadão e Agência Câmara

Teori Zavascki e Rodrigo Maia (à dir.). Fotos: André Dusek/Estadão e Agência Câmara

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, mandou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), enviar à Polícia Federal dados sobre parlamentares, assessores e funcionários da Casa.

A PF investiga se o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), foi contratado pela empreiteira UTC Engenharia ‘para passar informações privilegiadas oriundas da Corte de contas e da Comissão de Obras Irregulares (COI) da Câmara dos Deputados’.

Documento


Segundo documento anexado aos autos da Lava Jato no Supremo, a Polícia Federal relatou ‘dificuldades em receber informações por parte da Câmara dos Deputados, consistente no envio do nome dos parlamentares, assessores, além dos funcionários que integram o Comitê de Avaliação das Informações Sobre Obras e Serviços com Indícios de Irregularidades Graves (COI) entre os anos de 2011 a 2015, bem como os dados funcionais de todos, incluindo CPF, ramais e telefones celulares funcionais (com período de utilização)’.

Na avaliação da Procuradoria-Geral da República, ‘a diligência pretendida pela Polícia Federal é pertinente e relevante para a investigação’.

A Procuradoria destaca que o delator Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, declarou que Cedraz foi contratado pela empreiteira ‘para passar informações privilegiadas oriundas do Tribunal de Contas da União e da Comissão de Obras Irregulares (COI) da Câmara dos Deputados, razão por que é importante saber quem integrava tal comissão, no período de 2011 a 2015’.

Segundo o Ministério Público Federal, os dados são necessários ‘a fim de verificar, numa segunda camada investigativa, eventuais vínculos de parlamentares e servidores com os investigados’.

A Procuradoria requereu a juntada dos documentos em anexo no inquérito, ‘bem como que seja oficiada a presidência da Câmara dos Deputados para que envie o nome dos parlamentares, assessores, além dos funcionários que integram o Comitê de Avaliação das Informações Sobre Obras e Serviços com Indícios de Irregularidades Graves (COI) entre os anos de 2011 a 2015’.

Os investigadores querem, ainda, ‘os dados funcionais de todos, incluindo CPF, ramais e telefones celulares funcionais (com período de utilização)’.

Ao acolher o pedido da Procuradoria, o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, determinou que ‘seja enviada a documentação solicitada pela autoridade policial na referida petição’.

“Nos termos da decisão anexa por cópia, requisito-lhe que encaminhe à autoridade policial a documentação descrita na Petição/STF nº 40760/2016, cuja reprodução acompanha este expediente”, ordenou o ministro do STF.

“Diante da dificuldade encontrada pela autoridade policial em obter os dados sobre os parlamentares, assessores e funcionários que integraram o Comitê de Avaliação das Informações Sobre Obras e Serviços com Indícios de Irregularidades Graves (COI) diretamente da Câmara dos Deputados, requisite-se, com cópia desta decisão e da petição 40.760/2016, que seja enviada a documentação solicitada pela autoridade policial na referida petição”, decidiu o ministro.

O advogado Tiago Cedraz nega a prática de qualquer irregularidade.

COM A PALAVRA, A CÂMARA DOS DEPUTADOS

Resposta PF

A assessoria de Imprensa da Câmara dos Deputados enviou à reportagem cópia do ofício encaminhado pela Polícia Federal, datada de 11 de novembro de 2015.

“Na resposta, é esclarecido que não há Comissão de Obras Irregulares no âmbito da Câmara dos Deputados. Para auxiliar na obtenção das informações solicitadas, é apontada a existência do Comitê de Avaliação das Informações sobre Obras e Serviços com Indícios de Irregularidades Graves, na estrutura da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO). Como se trata de uma comissão mista, qualquer questionamento relacionado a esse comitê deve ser encaminhado ao presidente da Mesa do Congresso Nacional.”

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