Temer recebeu propina da JBS por atuação na Agricultura, afirma delator

Temer recebeu propina da JBS por atuação na Agricultura, afirma delator

Valor teria sido contrapartida a intervenção no Ministério da Agricultura para alterar normas de importação, segundo Lúcio Funaro

Fabio Serapião e Luiz Vassallo

13 Setembro 2017 | 17h19

Michel Temer. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal, Lúcio Funaro relatou que o presidente Michel Temer recebeu propina da JBS em troca de ajuda na mudança de regras no Ministério da Agricultura. Segundo o delator, a JBS teria repassado R$ 7 milhões para o grupo político do PMDB da Câmara.  Desse valor, o então ministro da Agricultura e atual vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade (PMDB), teria recebido R$ 3 milhões da propina paga pela empresa de Josley Batista e outros R$ 1,5 milhão teriam sido enviados ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Que desses valores, R$ 3 milhões foram repassados para Antônio Andrade e R$ 1,5 milhão para Eduardo Cunha, sendo que Temer e Henrique Alves receberam parte dessa propina, que essa distribuição foi que mantinha a força política de Cunha”, diz a delação de Funaro.

Ainda segundo Funaro, Temer ‘operou no Ministério da Agricultura em duas ou três épocas diferentes’, e que teve conhecimento que se beneficiou na gestão’ do ex-chefe da pasta Wagner Rossi, indicado por Temer ao cargo.


O delator ainda diz que ‘os benefícios que a JBS obteve junto ao Ministério nas quais participou da aprovação foram a exportação de despojo, que é um pedaço do gado que não é utilizado no Brasil, mas que na China e em alguns países asiáticos eles comem’.

De acordo com Funaro, a ‘operação foi aprovada’.

“Uma outra operação foi a proibição do uso de uma substancia que se chama ivermectina, que, quando aplicada ao gado, causa problemas em um teste que é feito na carne que é exportada, a qual assim é rejeitada e causa um prejuízo muito grande para o frigorífico”, diz.

O corretor relata que a ‘operação precisou da ajuda do Aloísio Mercadante, que na época era o Ministro da Casa Civil, quem solicitou essa ajuda foi Joesley’.

Funaro diz lembrar que por essas duas operações foram 7 milhões de reais de da propina foi creditado na conta interna do dele na JBS.

Parte dos valores teria sido distribuída entre Antônio Andrade, servidor do Ministério, e de Eduardo Cunha ‘sendo que Temer e Henrique Alves receberam parte dessa propina’, contou Funaro.

COM A PALAVRA, MERCADANTE

A Casa Civil da Presidência da República foi informada pelo Ministério da Agricultura do risco da defesa sanitária dos Estados Unidos suspender a importação de carne brasileira em razão, verificada em um dos lotes analisados, da presença extremamente elevada do vermífugo ivermectina, em padrões acima da legislação vigente daquele país. Tal medida, caso disse concretizada, poderia ser ampliada para outros países por meio da criação de uma barreira sanitária devido à “contaminação química” da carne brasileira com profundo impacto no setor.

O assunto foi discutido e decidido tecnicamente no âmbito do Ministério da Agricultara e acompanhado de forma transparente pela Casa Civil da Presidência da República, em razão do cumprimento da atribuição institucional de monitorar medidas relevantes para o país. Como resultado, foi editada normativa do próprio Ministério da Agricultura que adequou o uso do vermífugo ivermectina na carne bovina brasileira aos padrões internacionais, mantendo o uso de curta duração do mesmo.

A edição de tal normativa foi técnica e necessária para setor, já que Brasil é o maior exportador de carne do mundo. O ex-ministro, Aloizio Mercadante, desconhece qualquer irregularidade neste procedimento do Ministério da Agricultura.

Assessoria do ex-ministro Aloizio Mercadante

COM A PALAVRA, ROSSI

O ex-ministro não foi localizado. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, TEMER 

Estado procurou o Palácio do Planalto, que ainda não se manifestou. A defesa de Geddel disse que não se manifestaria, pois não teve acesso aos anexos.

COM A PALAVRA, O VICE-GOVERNADOR ANTÔNIO ANDRADE

1 – São absolutamente falsas e inconsistentes as suposições de que eu teria recebido qualquer benefício da JBS em troca de apoio político no Ministério da Agricultura, no tempo em que fui ministro daquela pasta.

2 – Afirmo que, durante a minha gestão à frente do Ministério (16/03/2013 a 17/03/2014), jamais editei qualquer ato normativo que privilegiasse a JBS ou qualquer outra entidade, e que as decisões tomadas na pasta naquele período nunca sofreram influências externas.

3 – Não sou e nunca fui alvo de nenhuma denúncia, nem acusado pela prática de nenhum ilícito. Os fatos serão esclarecidos no âmbito do inquérito.

Antônio Andrade
Vice-governador de Minas Gerais