Temer garantiu ajuda com dois ministros do STF, diz delator

Temer garantiu ajuda com dois ministros do STF, diz delator

Em delação premiada, o empresário Joesley Batista, da JBS, afirmou ter ouvido de Michel Temer que o presidente conseguiria ajudar Eduardo Cunha (PMDB-RJ), condenado a 15 anos na Lava Jato, com dois ministros do Supremo;

Fábio Fabrini, Fabio Serapião e Beatriz Bulla, de Brasília

19 Maio 2017 | 15h37

Temer e Cunha Foto: André Dusek/Estadão

O presidente Michel Temer garantiu que poderia ajudar o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Supremo Tribunal Federal (STF) com “dois (ministros), mas que com 11 seria complicado”. O relato foi feito pelo empresário Joesley Batista, da JBS, à Procuradoria-Geral da República (PGR), ao descrever conversa com Temer no Palácio do Jaburu.

No depoimento à PGR, o empresário não informou quais seriam os dois ministros sob a influência de Temer. O único ministro indicado pelo peemedebista para a Corte foi Alexandre de Moraes, que foi ministro da Justiça e filiado ao PSDB. Para a vaga, Moraes teve o apoio do ministro Gilmar Mendes, que tem boa interlocução com Temer.

Joesley também disse que sempre recebeu “sinais claros” – primeiro, pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA); depois, pelo presidente Michel Temer – de que era necessário fazer pagamentos ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ao corretor Lúcio Funaro, presos pela Lava Jato, para que ambos ficassem “calmos” e não partissem para a delação premiada.
O empresário contou que, no Palácio do Jaburu, Temer lhe disse que Cunha o “fustiga”, o que entendeu como “recado de que pagasse”.

O empresário relatou trecho de conversa com Temer no qual tratou dos interesses da JBS em vários órgãos do governo. “Sobre o BNDES, Temer intercedeu pessoalmente a favor do grupo do depoente, segundo ele afirmou, tendo falado com a presidenta (Maria Sílvia), o que foi infrutífero”, diz trecho de documento da PGR.

Joesley relatou também que Temer assegurou que seria possível ter uma pessoa no Cade, com quem poderia ter uma “conversa franca”; e que faria ser atendidos pleitos do empresário com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

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